Ter�a, 07 de julho de 2026, 21:50h
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Quem viveu e recorda os anos 80, década classificada como de “ouro” para o rock brasileiro, não esquece esta estrofe: “no escurinho do cinema, chupando dropes de anis, longe de qualquer problema, perto de um final feliz”. O sucesso de Rita Lee, sintetiza até hoje uma das situações que traduzem a magia de estar em frente a grande tela. Mais de 30 anos se passaram e hoje, principalmente em pequenos municípios, ter a oportunidade de apreciar a sétima arte enquanto saboreia um saquinho de pipoca, ou ser flagrado pelo lanterninha numa situação constrangedora, se tornou algo raro.
A tecnologia, desde a criação do videocassete aos atuais DVDs, sem esquecer a internet e a TV a cabo, foram suprimindo a magia que só o cinema assistido de maneira coletiva oferta. A opção para que gerações não passem toda a vida sem ir ao cinema, são os projetos itinerantes, na sua maioria financiados pelos governos. Exemplo disso, é a Caravana Cinema no Extremo Sul, projeto aprovado e bancado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), e que finalizou sua romaria por 12 cidades da região sul, em Piratini, no domingo (05).
No berço farrapo, a exibição ao ar livre com o apoio da Secretaria de Cultura, foi na avenida Gomes Jardim e ali só faltaram as paredes para formar o que um dia, de Mazzaropi e Teixeirinha à Guerra nas Estrelas, foi hábito das famílias piratinienses até a desativação do cinema. Rafael Andreazza, roteirista e diretor das produções filmadas em Pelotas com elenco somente de cidades da metade sul, inclusive de Piratini, justificou a finalização do trabalho da Moviola Filmes, na cidade histórica. “A beleza, o simbolismo desta cidade nos trouxe pra cá. O Rio Grande do Sul nasceu aqui, então estamos fechando com chave de ouro”, afirma.
Segundo ele, cerca de duas mil pessoas acompanharam a exibição dos filmes, 300 só em Piratini. “Elas comentaram, aplaudiram, valorizaram. Muitas contaram ter sido sua primeira vez com a grande tela. É gratificante proporcionar isso as comunidades carentes de acesso a eventos culturais”. O roteirista entende que a oportunidade ofertada ao público já não pode mais ser vista como projeto diante da falência dos cinemas pelo Brasil. “Entendo que isso já é uma ação e não mais um projeto. Cinema não é glamour e sim um trabalho. Somos operários dele e mesmo que a tecnologia facilite o acesso às produções, assistir de forma coletiva, viver essa experiência e ver o encantamento no rosto das pessoas, é uma sensação única. Estamos muito felizes”, finaliza.
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