Ter�a, 07 de julho de 2026, 10:34h
Home Cultura e turismo
Dona Sirley Amaro é um dos doces atrativos do estande da doceira Xana Gallo na 21ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce
Ela se apresenta como Sirley, a contadora de estórias. Só no momento da entrevista, fomos interrompidas três vezes por admiradores que queriam tirar fotos com a grande estrela do estande África Mãe, na Cidade do Doce. “É sempre assim”, disse ela, nos intervalos entre os flashes, toda orgulhosa.
Dona Sirley Amaro é um dos doces atrativos do estande da doceira Xana Gallo na 21ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce). Este é o segundo ano que ela participa. No ano passado o tema era “Vivencias e saberes de uma Griôt”, em que ela contou a história dos jovens negros dos anos 20 aos 60, que ainda está exposta em um banner na parede do estande. “Este ano recebi novamente o convite da Xana. Ela só disse ‘inventa algo diferente’ e aproveitei essa liberdade para inovar”.
Segundo Xana Gallo, a ideia inicial do estande era criar um espaço que representasse a cultura africana na Fenadoce, já que vários ingredientes utilizados no preparo dos doces portugueses, como a cana-de-açúcar, eram importados do continente africano. “O que era pra ser só uma homenagem à cultura negra na feira de 2009, acabou se consolidando e criou raízes. Hoje o África Mãe virou um estande permanente e o trabalho da Sirley mostra que o espaço vai além da venda de doces”, comentou a doceira.
A idosa de 77 anos preparou um presente surpresa para os visitantes. Durante os 19 dias de feira, quem passa pelo África Mãe é convidado a entrar, escolher um fuxico preso na saia de uma boneca e se deliciar com pedacinhos de cultura. Nos retalhos costurados com todo carinho, foram colocados versos com muita musicalidade brasileira e letras de sambas enredos, os preferidos de Sirley. Além destes, os próprios versos que a mãe recitava para ela e os irmãos na infância. “É só entrar e pegar o fuxico, não precisa pagar nada, é de graça. O meu papel aqui é disseminar a cultura”.
A boneca representa uma escrava africana chamada Agotime que, segundo Sirley, usava seus dons curandeiros para fazer o bem. “O que faço é o mesmo que ela fazia, transmito o bem, um bem: a cultura”, comentou.
O sucesso dos fuxicos é tão grande que, em alguns dias, a aposentada não dá conta da produção. “Fiz um calculo de dois mil fuxicos até o fim da feira, mas esse número já foi ultrapassado há dias”. Só no sábado (1º) foram entregues mais de 150 lembranças. Em média, de 50 a 60 fuxicos por dia são doados aos visitantes.
Dona Sirley recebe o apoio do jornal Alvorada, Coletivo Negada (UFPel) e clubes culturais Fica Aí e Chove não Molha.
Redator: Assessoria de Imprensa
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados