Segunda, 06 de julho de 2026, 02:28h
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Tradição, cultura, orgulho exacerbado. Um pé na história e outro no futuro, sem esquecer o que faz do povo gaúcho um povo que preza o seu chão. É claro que todo povo tem motivos para se orgulhar dos seus feitos e daquilo que construiu ao longo do tempo. Mas o gaúcho acredita piamente que nenhum se orgulha tanto quanto ele.
Os costumes permanecem inabalados, a tradição passa de família para família e seja em contos, na poesia, no chimarrão, no lenço vermelho ou branco, no vestido de prenda, ou na dança, o gaúcho faz questão de carregar o Rio Grande do Sul por onde quer que se passe. E nada fortalece mais este sentimento do que mostrar às crianças o que é da sua terra. E se for através da música e da dança melhor ainda.
Você, leitor, com certeza já participou, ou teve algum parente ou amigo tentando te levar a um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) quando tinha pouco mais de seis anos. Os CTG’s cultuam o folclore gaúcho e estimulam, desde criança, a vivência da cultura. O Jornal Tradição Regional foi até um ensaio de uma invernada mirinzinha e mirim, em São Lourenço do Sul, para saber o que as crianças mais gostam, e o que as levaram a participar de uma invernada. Mas vamos começar entendendo melhor o que são as invernadas:
O que é uma invernada?
O termo originalmente significa um local onde o gado é confinado para engorde. Mas num Centro de Tradições Gaúchas as invernadas funcionam como departamentos, divididos nas seguintes invernadas: mirinzinha, que abrange crianças de quatro a sete anos, mirim, para crianças de sete a 12 anos, juvenil, até 18 anos incompletos, e adulta, a partir dos 18 anos. “Apenas a invernada mirinzinha não participa de rodeios. Mas eles são os mais animados, participam sempre dos ensaios e hoje é a invernada em que mais temos pares. Eles também participam das apresentações em nossos eventos”, disse o professor de danças tradicionalistas do CTG Sepé Tiarajú, Henrique Peglow.
A invernada mirinzinha tem 13 pares, e a mirim, outros 12. Além do professor, cada invernada tem uma posteira, que trabalha a relação das mães e pais e promove a integração destes com os filhos durante os ensaios e as reuniões dentro do CTG. Os ensaios das danças acontecem três vezes durante a semana e também no sábado. Neles aprende-se a respeitar a alma do gaúcho através dos passos típicos e coreografados, bem marcados, e que exigem agilidade e perícia.
Apesar da impaciência infantil, as crianças ouvem atentamente ao professor e ficam entusiasmadas ao falarem dos motivos que as levaram a participar mais ativamente de um CTG através da dança. “Eu venho porque meus pais me incentivaram. No início eu realmente não gostava muito, mas agora eu acho muito legal, nós aprendemos muitas coisas além da dança”, disse Pedro Vernetti, de nove anos. “Eu gosto também das jantas que acontecem no CTG”, disse Eduardo Crespo.
Os meninos, mais agitados, trocam chapéus e arrumam as bombachas enquanto as meninas, com saias rodadas afirmam gostar da própria dança, dos ensinamentos do professor e dos intervalos. “Eu gosto muito de tudo na dança, e nós aprendemos sobre a história do Estado também. No intervalo aproveitamos pra brincar dentro do CTG”, falou Isabeli Carvalho, de seis anos.
Ao serem perguntadas, todas as meninas disseram ter botas e bombachas, e a unanimidade também ocorreu quando todas disseram preferir o vestido de prenda. O motivo? “É que o vestido deixa a gente rodar”, disseram Sthefany e Isabela, de oito anos, e Julia, de seis anos. Quase todas as crianças começaram a danças com cinco, seis, no mais tardar sete anos, e a maioria delas por influência direta dos pais, que se ocupam dentro do CTG com reuniões, eventos tradicionalistas e a preparação das crianças para a série de apresentações durante a Semana Farroupilha.
O CTG Sepé Tiarajú também está integrado até o final do ano no projeto Dança Guri, uma parceria com a Ecosul. O projeto fornece vestimenta, como bota e bombacha às crianças, além de ofertar a elas e aos adolescentes a integração e um maior conhecimento da história do Rio Grande do Sul. Se os ensaios cansam? “Cansam”, disseram as crianças, “mas é pra ficar tudo bonito para a Semana Farroupilha”, completaram.
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