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Cultura e Turismo

20-09-2013

As relíquias da Primeira Capital Farroupilha


Foto: JTR Antigo Ministério da Guerra do Governo da República Riograndense, o Museu Histórico Farroupilha de Piratini guarda tesouros da memória gaúcha

Valorização. Esta é a palavra mais escutada pelos piratinenses ligados à cultura gaúcha preservada na antiga sede farroupilha. Vinculado à Secretária de Estado da Cultura, o museu completou 60 anos em março deste ano, exaltando sua missão em conservar a as memórias da revolução, ainda pouco reconhecida na cidade sede do movimento que marcou a vida do gaúcho.


Restaurado em 2010/2011, o prédio, conhecido como Ministério da Guerra do Governo da República Riograndense de 1836, e atualmente dirigido pela historiadora Angélica Panatieri, expõe a origem e a participação de alguns personagens da guerra através de elementos que englobam objetos usados nas lutas, marcas da vida dos escravos nas estâncias, instrumentos musicais dos séculos XIX e XX, peças da elite charqueadora da região, a vida da mulher nas estâncias e na guerra, o catolicismo no Rio Grande do Sul e objetos pessoais de Bento Gonçalves. O passeio cultural - não só no museu, mas na cidade, através da Linha Farroupilha que liga 25 prédios e lugares que testemunharam os acontecimentos da Revolução - mostram que Piratini realmente “é a juventude da natureza, o erguer da humanidade”, como dito por Giuseppe Garibaldi.



As relíquias


A bandeira de Pequery


“Muitos já choraram vendo a bandeira, as pessoas se emocionam muito ao vê-la”, destacou Anajara Farias, funcionária do museu há um ano, e que conta a história das peças com orgulho. Segundo Anajara, a bandeira foi hasteada em um confronto em Pequery, em Cachoeira do Sul, e tem aproximadamente 170 anos. Ela é retangular, com as listas dispostas em horizontal. E suas manchas, segundo almas lendas, seriam de sangue dos que lutaram na revolução.


A atual bandeira do Rio Grande do Sul foi adotada como símbolo do Estado pela lei 5213, de 5 de janeiro de 1966, conservando as cores da bandeira primitiva, que surgiu em 1836, em plena Revolução Farroupilha.


Urna que elegeu Bento Gonçalves


A urna utilizada para eleger Bento Gonçalves como presidente da República Rio-Grandense também se encontra no museu. Segundo Anajara, a segurança da urna era mantida por um sistema que utilizava selos de cera, como os de carta, e fios de cabelo, para garantir evitar fraudes no processo de eleição. Além do selo primitivo, ma eficiente, a urna era fechada a três chaves.


Sela feminina


Muitos leques, cartas, porta joias e outros objetos usados pelas mulheres farroupilhas são mostrados durante a visita ao museu, mas nenhum se compara á sela feminina, decorada e representa a mulher nas estâncias, que não perdia a feminilidade nem ao andar à cavalo. Acredita-se que Anita Garibaldi teria usado uma sela no mesmo estilo em sua fuga.


Objetos pessoais de Bento Gonçalves


Quatro condecorações do então coronel Bento Gonçalves, quando ainda possuía boas relações com o Império, e uma carteira de couro são alguns dos objetos pessoais do general expostos. As condecorações também aparecem em uma das telas que representa Bento Gonçalves, na seção do museu que traz as peças referentes à época da Revolução.


O museu ainda conta com telas sobre a Guerra dos Farrapos, mobiliários do século XIX, moedas do período colônia, objetos do cotidiano, máquinas de costura, xícaras, talheres, palmatórias, fardas, armas, vestuários, imagens sacras, entre outros. O acervo é grande, mesmo tendo sido prejudicado após dois arrombamentos em 2008, sendo furtadas 33 peças – oito espadas do século XIX, 11 pistolas e 14 revólveres.


A história guardada no local merece destaque, não só pelo belo trabalho de conservação realizado pelos responsáveis pelo museu, mas pela importância de cada objeto, do prédio em que se encontra e o que estes tesouros históricos representam para o gaúcho. Segundo Anajara, o museu recebe 300 visitantes ao mês, sendo a grande maioria de outros lugares do Estado e do País. “Poucas pessoas daqui de Piratini conhecem a história, a trajetória e até mesmo a idade da cidade. A cultura deveria ser mais valorizada!”, completou.


O Museu Histórico Farroupilha fica na rua Coronel Manoel Pedroso, 77, antiga rua do Bom Fim, na esquina com a rua General Bento Gonçalves da Silva, antiga rua Clara. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h. Nos sábados, domingos e feriados, das 14h30 às 17h. Para entrar em contato, ligue para (53) 3257-1481.



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