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Cultura e Turismo

25-10-2013

Exemplo de valor à tradição gaúcha e patriotismo em Capão do Leão


Foto: JTR A maior paixão de seu Edar: a família

 O agropecuarista Edar Antunes Ribeiro, proprietário da Fazenda da Amizade, guarda décadas não só de história gaúcha, mas de valorização à bandeira brasileira


Uma sala com mais de cem homenagens militares de um lado e homenagens de CTG do outro. Não é como se resume a biografia do agropecuarista Edar Antunes Ribeiro, mas é uma das formas para começar a entender a vida de um homem apaixonado pela família, sempre em primeiro lugar, pelo Estado e pelo país. Dono da Fazenda da Amizade, propriedade de 850 hectares situada à cerca de 30 km de Pelotas, em Capão do Leão, seu Edar mostra com orgulho suas terras, falando de todas as suas paixões.



Recebendo a reportagem do Jornal Tradição Regional – além do presidente do Sindicato Rural de Capão do Leão, Clóvis Victória, e alguns colegas da imprensa – com um churrasco gaudério, o fazendeiro mostrou a propriedade bem preservada que, pela história que carrega, pode ser considerada patrimônio de Capão do Leão. Localizada à beira da estrada do Passo das Pedras de Baixo, no Passo do Descanso, a fazenda é um lugar dedicado à pecuária, com a criação de gado de corte, ovelhas e porco, além dos cavalos, “xodós” de seu Edar, e as mais de cem capivaras preservadas na região. O açude da fazenda tem 130 hectares de água, fonte financeira para a família, que faz negócios há 64 anos na venda de água e para preservar o local, seu Edar proibiu a caça e a pesca na fazenda.


A propriedade foi conquistada aos poucos, através do trabalho do proprietário, e dividida por nomes, para organização. Criado nas terras desde os seis anos, seu Edar gosta do que é tradicional. “Meu único sentimento é não ter mantido a casa que me criei, que foi comprada por meu cunhado, e que foi do farrapo Rafael Pinto Bandeira”, disse o agropecuarista sobre a casa que atualmente é de propriedade do sobrinho. “É uma casa histórica, feita de pedra, as janelas eram de angico antigo, tradicional, que deveria receber o devido valor”, disse seu Edar, mostrando em mais uma atitude a valorização cultural e histórica.


Os famosos geoglifos


Riqueza histórica em forma de círculo. A Fazenda da Amizade também mantém em seus hectares uma parte do passado da região. Mapeados por um pesquisador há alguns anos, as quatro mangueiras em forma circular, conhecidas também como geoglifos, são consideradas relíquias pelo agropecuarista. Como foi passado a seu Edar pelo pesquisador Bruno Farias, os geoglifos foram construídos pelos escravos com torrões de terra para manter o rebanho trazido pelos tropeiros, com as charqueadas pelotenses como destino final. O estudo do pesquisador, além da preservação realizada pelo fazendeiro, é o que mantém a história das estruturas no município.


O patriotismo


Há mais de 40 anos o exército utiliza o campo da Fazenda da Amizade para realizar as atividades de treinamento. “Eles [o exército] procuravam um campo para realizar as instruções, e através do meu tio, Garri Lima, chegaram até a minha casa”, contou seu Edar, falando ainda que desde então a Marinha, Exército, Aeronáutica, Brigada Militar, Escoteiros e Fuzileiros usam a propriedade para os treinamentos. “Aí ‘peguei’ amizade. Há pouco tempo, pousaram no campo sete aviões de guerra, de Ribeirão Preto. O tenente coronel até me convidou para dar uma volta. Aí respondi: não, obrigado. Fico melhor no chão. Prefiro até montar em cavalo xucro”, contou, animado, mas lembrando que até arriscou dar uma volta de helicóptero.


“É um prazer servir ao país, isso para mim é um grande orgulho. Não só na produção rural, que serve ao Estado, e à bandeira brasileira, pela defesa do Brasil”, disse seu Edar. Porém, segundo o agropecuarista, nem todos pensam assim, pois recebe algumas críticas por emprestar sua propriedade à nação. “O quer seria de nós se não tivéssemos as nossas autoridades de defesa. Temos que fazer o esforço em servir aqueles”, completou.


Exemplo de simpatia, o dono da Fazenda da Amizade faz jus ao nome da propriedade. A parede com homenagens do exército e dos CTG's contém uma relíquia, a Medalha do Pacificador, passada a apenas quatro pessoas em todo o país. A homenagem é, desde 1955, uma honraria conferida a militares e civis, brasileiros ou estrangeiros, que prestam serviços ao Exército, elevando o prestígio da Instituição ou desenvolvendo as relações de amizade entre o Exército Brasileiro e os de outras nações. Seu Edar fala com orgulho da condecoração, reflexo de Capão do Leão para o Brasil.


Tradições gaúchas


Criador de cavalos, sempre pilchado e com seus “cuscos” ao lado, seu Edar mostra com orgulho o cavalo de uma mistura da raça persa com crioulo, no qual desfila todos os anos durante o 20 de Setembro em Capão do Leão. O apreço pelas tradições é da história de seu Edar, que foi um dos fundadores do CTG Thomaz Luiz Osório, e do CTG Tropeiros do Sul no município, fazendo parte também dos movimentos tradicionalistas e participando de rodeios e bailantas pela zona sul, além de realizá-los antigamente em sua propriedade.


Da parte das tradições, uma das medalhas que se destaca é a Medalha do Mérito Tradicionalista João Simões Lopes Neto, concedida a seu Edar em 2007. A fazenda também foi trajeto, segundo o proprietário, para uma das maiores cavalgadas da história, que contou com cerca de 500 pessoas, sendo elogiado pela manutenção da tradição leonense.


Pai orgulhoso, o agropecuarista Edar Antunes Ribeiro, pode ser um apaixonado pelas tradições gaúchas, e pelo serviço à pátria, mas o amor maior é a família, o que é visível pelas falas ao filho, Edar Antunes Ribeiro Júnior, que segue os passos do pais na lida do campo e na doma de cavalos, e à esposa, Nívea Mara Ferreira Correia Ribeiro. “É um grande orgulho estar perto do meu filho, que vai renovar, manter e seguir essas amizades, bem como a minha esposa. Essa união é do tamanho do Rio Grande”.


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