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Cultura e Turismo

13-12-2013

Procissão e missa marcam fim das celebrações de Nossa Senhora da Conceição em Piratini


Foto: Nael Rosa Cavalarianos pediram benção à santa

A procissão que teve início na Associação Rural de Piratini, de onde partiram dezenas de cavalarianos conduzindo a imagem de Nossa Senhora da Conceição esculpida em madeira, para encontrar os fiéis na praça Inácia Machado da Silveira, marcou o final de dez dias de atividades promovidas pela igreja e que celebraram a padroeira de Piratini. Após a romaria pelas avenidas principais, a chegada ao altar improvisado pela paróquia na praça batizada pela comunidade com o nome da santa, os fiéis  participaram da missa final, rezada ao ar livre pelo padre Darvan, tendo como convidado o padre Silfredo Hansen.


Aos pés de Nossa Senhora, muitas flores depositadas pelos católicos que rapidamente rezavam ou simplesmente pediam proteção, como fez o cavalariano Dener Espíndola, 35 anos, após sacar o chapéu que integra a indumentária gaúcha e o protegia do sol forte da manhã de domingo para pedir a benção da padroeira de Piratini. A proteção, segundo Espíndola, é para as longas cavalgadas que fazem parte de seu calendário de idas e vindas ao lombo do cavalo, já tendo ultrapassado a marca de 20 mil quilômetros.



“A comunidade precisa dessa benção, e quem vive na estrada a cavalo deve agradecer à Deus e à nossa padroeira todos os dias quando acordamos pela graça de estarmos vivos. Hoje estamos em festa exatamente no ponto onde Piratini nasceu”, disse o gaúcho, referindo-se à construção da capela no século XVIII, que mais tarde se tornou igreja.


Um dos momentos mais tocantes da celebração foi a participação da menina Mailara de Ávila Ulguim, 8 anos, que, desinibida e mostrando um talento precoce, citou o poema escrito pela professora Nara Terezinha e, em prosa e verso, homenageou à padroeira da Capital Farroupilha.


Festa


A celebração da padroeira teve início na sexta-feira (29), e contou com algumas inovações este ano. Sete casais católicos se somaram à comissão organizadora, e estes, segundo o padre Darvan, foram os responsáveis por adicionar a romaria que levou a santa esculpida em madeira para abençoar diversos ambientes do município.


Segundo Marília Farias, membro da organização, a romaria itinerante foi importante para a convocação principalmente dos mais jovens. “Objetivamos trazer as crianças e seus familiares pra festa, os convocando para o momento cultural”.


A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição


Na primeira capital farroupilha, Nossa Senhora teve sua fé concretizada pelos portugueses que habitaram a região e foram os responsáveis pela formação de diversas irmandades. A Matriz Nossa Senhora da Conceição é a segunda mais antiga da Estado, com fundação por 21 famílias açoarianas em 1789, sendo que o prédio original foi destruído em 1811. Por iniciativa do reverendo Jacinto José Pinto Moreira, foi erguida uma Igreja por José de Matos Guimarães, finalizada em 1814. Quando eclodiu a Revolução Farroupilha a capela estava quase concluída, mas uma das torres ameaçava ruir, sendo então demolida. Naquele templo foi realizado o “Te Deum”, em ação de graças à proclamação da República Rio-Grandense. A nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Piratini foi construída entre 1840 e 1854, no mesmo local, projetada por arquiteto italiano.


História da padroeira


Segundos sites católicos, em 1830 Nossa Senhora apareceu à Santa Catarina Labouré mandando cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada e as palavras: "Maria concebida sem pecado, rogai por nós". Esta medalha, difundida aos milhões em todo o mundo, suscitou grande devoção a Maria Imaculada, induzindo muitos bispos a solicitar ao papa a definição do dogma. Assim, no dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou Maria isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua existência.


A primeira imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou ao Brasil em uma das naus de Pedro Álvares Cabral. José de Anchieta foi o apóstolo da doutrina da Imaculada Conceição no Brasil. Ela foi a protetora do país no período colonial e foi proclamada Padroeira do Império Brasileiro por Dom Pedro I. Já no despontar do século XX, com o advento da República, o título cedeu lugar a Nossa Senhora Aparecida, que é uma antiga imagem da Imaculada Conceição encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul.


O dogma da Imaculada Conceição, explicado de forma simples, significa: da palavra "concebida" formou-se o derivado "conceição"; sua conceição foi, pois, imaculada, daí veio a expressão - Imaculada Conceição - que, com o tempo, começou a ser ligada ao vocativo "Nossa Senhora". Quando dizemos, portanto, Nossa Senhora da Conceição, queremos dizer que Maria é imaculada desde sua concepção. 


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