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Cultura e Turismo

07-02-2014

Os caminhos e o destino da protagonista da Expofesta da Melancia


Foto: Rodrigo Netto A colheita e o carregamento da fruta ficaram sob responsabilidade do grupo vindo de Goiás

 


Até chegar a mesa do consumidor, a personagem principal da 13º Expofesta Regional da Melancia e da Agricultura Familiar passa por diversas mãos e processos. O trabalho começa em outubro, muito antes dela ser encontrada nos mercados e feiras da cidade; envolve diversas pessoas, algumas de lugares bem distantes do chão gaúcho; e no caso de Pedro Osório, que ainda é um dos grandes exportadores da fruta para o restante do país e teve um de seus produtores como o maior da América Latina, requer um grande espaço de terra. 



O trabalho, tanto de plantio como de colheita, é pesado e além de boa vontade, já que é feito todo manual, debaixo de chuva ou de sol, necessita ser especializado. Essa mão de obra, mais especificamente a falta dela, é apontada pelo extensionista da Emater, Ronaldo Maciel, como um dos fatores determinantes pela redução no número de produtores de melancia no município. Para esta safra, somente dois continuaram o trabalho com a fruta e 300 hectares foram plantados.


A vocação de Pedro Osório para a agropecuária é indiscutível. Através de grandes, médios e pequenos agricultores, os campos são diversificados e é possível encontrar orizicultores, pecuariastas de corte, produtores de soja, trigo e melancia. Com a fruta, a história do município iniciou em 1979 e ao longo dos anos passou por diversas fases. Em 2002 cerca de 1000 hectares eram plantados com a cultura: 700 a mais do que o destinado para a safra deste ano. O espaço, antes reservado para a melancia, agora na grande parte é utilizado para a soja. De acordo com Maciel, isso aconteceu por que trabalhar com o grão é mais atrativo para o agricultor, mesmo que não renda igual financeiramente. “A melancia necessita de gente especializada, principalmente para a colheita, e isso acaba complicando. Na soja é mais fácil, requer menos mão de obra e automaticamente acaba valendo a pena”.


Os especialistas, como fala Maciel, vieram de Goiás, mais especificamente de Uruana, a capital nacional da melancia. Um grupo de 13 homens encarregados em colher e arrumar as cargas enviadas para o restante do país. De acordo com ele, 80% da melancia vendida nesta época sai de Pedro Osório. Sem um armazenamento adequado, para longas viagens, grande parte da carga poderia estar em risco. Por isso, a mão de obra especializada e bem paga é importante para que o trabalho realizado no campo não se perca na estrada e chegue até o consumidor.


O conhecimento adquirido pelo grupo veio com a prática do dia a dia. De acordo com o responsável pela equipe, Sirvanil Pereira, o diferencial dele e de seus companheiros está no costume em realizar o mesmo serviço por tanto tempo. “Nos especializamos nisso. Colhemos melancia pelo Brasil inteiro. Hoje sabemos que de acordo com o estado é a coloração da casca e dessa forma identificamos se a  fruta está madura e pronta para ser colhida”.


Pereira, que trabalha no ramo há uma década, chegou ao município no dia 10 de janeiro e acredita que até o início de março já tenha finalizado o serviço e possa seguir viagem. Os próximos destinos são São Paulo, onde fica por 40 dias, e depois Goiás, onde a colheita se estende por seis meses. Mas Paraná, Santa Catarina e Tocantis também fazem parte da “rotina” do grupo, que confessa ter escolhido a profissão também pelo retorno financeiro.


Safra 2014 e o olhar do produtor


A estiagem foi responsável pela queda na produtividade deste ano. Mesmo com o auxílio de irrigação, como fez o produtor Arlei da Costa, não foi possível recuperar os danos ocasionados pelos 40 dias sem chuva. A colheita ainda está no começo, mas já foi possível identificar uma redução de quase 50% em relação a safra passada. Até o momento, de acordo com o extensionista da Emater, a média está entre 15 e 20 toneladas por hectare e para ser considerada uma produção razoável, este número deveria ficar a partir de 30 toneladas.


Para o produtor, que trabalha com melancia há dez anos, e destes há três como sócio na propriedade localizada no interior do município, o futuro da fruta é incerto, principalmente pela dificuldade já apontada: a falta de mão de obra. Segundo ele, está cada vez mais difícil encontrar pessoas disponíveis para trabalhar, principalmente no plantio.


Além disso, Costa destaca que a falta de terra é outro obstáculo que tende a surgir, já que o ideal é que o local onde foi plantada a fruta descanse por sete anos antes de ser utilizado novamente. “Se colocarmos outra cultura antes de plantarmos melancia vem muita erva daninha. O indicado é deixar a terra sem uso nesse período”.


Junto com a estiagem, a intensidade do sol também prejudicou a produção. A insolação foi muito maior este ano do que nos anos anteriores, e houve a queima da casca, o que dificulta principalmente o transporte e reduz a durabilidade da fruta. Mas para o consumidor local, que não se importa com o amarelado, isso pode ser bom. Quanto mais tempo exposta ao sol, mais doce a fruta, e isso acontece por que o calor aumenta a produção de açúcar no interior do alimento. “As melancias mais doces do Brasil são as nossas. As que chegam por aqui até 10 de janeiro tem cor, mas não tem sabor”, comentou Maciel.


Até o final desta edição, o quilo da melancia estava sendo comercializado por cerca de R$ 0,50 para o produtor. Mas este valor pode ser alterado de acordo com a oferta, quanto mais oferta, menor o preço.


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