13-05-2010
Audiência pública debate a produção de maquinário no Estado
A Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável, presidida pelo deputado Adolfo Brito (PP), discutiu em audiência pública, na manhã da quarta-feira (12), a situação do setor de produção de máquinas e equipamentos, no Rio Grande do Sul e no Brasil, e a necessidade de políticas públicas para a valorização de seu papel estratégico.
Conforme o diretor da sede regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mathias Elter, o Brasil já ocupou o quinto lugar no ranking mundial do setor, na década de 70, e hoje ocupa o 14º lugar.
Nos níveis federal e estadual, Elter defendeu a desoneração total dos investimentos, uma vez que, segundo ele, o país é o único a tributá-los; o incentivo às exportações; a isonomia com os concorrentes internacionais e os financiamentos de longo prazo a juros baixos.
Em nível estadual, pediu a aplicação de medidas anticíclicas; a inclusão do setor no Compete RS e em outros programas, a exemplo daqueles criados para os setores de calçados, móveis e indústria automotiva; a flexibilização das regras para a transferência de créditos de ICMS, a ampliação no prazo de pagamento de ICMS, entre outras medidas.
O diretor da Abimaq também abordou o que chamou de �??desindustrialização precoce�?�, afirmando que o Brasil está na contramão de países como a China, a Índia e a Coréia. �??O Brasil tem investido em commodities�?�, disse.
Ele lembrou que o setor gera empregos qualificados, sendo responsável por 25% da massa salarial no estado, e questionou o modelo de desenvolvimento que se deseja: �??Queremos um país extrativista ou um país industrial? Um país produtor de commodities ou um país de produtos industrializados? Um Rio Grande do Sul de shopping centers ou industrial?", indagou.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers) e vice-presidente da FIERGS, Cláudio Bier, falou sobre a importância e a representatividade do Simers, elogiou o programa Mais Alimentos, do governo federal, e relatou as dificuldades do setor metal-mecânico: �??Hoje, antes de botar a primeira estaca para montar seu pavilhão, o industrial já está pagando ICMS�?�.
Diante das manifestações de ausência de medidas por parte do governo estadual, o secretário de Estado interino da Ciência e Tecnologia, Júlio César Ferst, lamentou o não-reconhecimento do esforço do governo do Estado �??em proteger e estimular a competitividade do setor�?� e disse que os investimentos não foram feitos logo no início do mandato porque foi necessário realizar ajustes. �??Os dois primeiros anos foram ingratos em todas as áreas�?�, declarou.
"Agora, vamos, sim, conversar com a governadora, porque o Estado tem mais condições de investir�?�, continuou. �??Outros estados, como Minas Gerais, já tinham feito esse ajuste fiscal, por isso saíram na frente�?�. Como exemplo de iniciativas recentes do governo estadual para alavancar o setor, citou o Programa Gaúcho de Parques Tecnológicos e o Pró-Inovação.
O presidente da Fundação de Economia e Estatística, Adelar Fochezato, reforçou a ideia do setor como estratégico, apresentando uma série de dados, e explicando que é, ao mesmo tempo, demanda e oferta, provocando o efeito de aceleração na economia.
Segundo ele, cada emprego direto gera cinco empregos na cadeia produtiva e um efeito multiplicador de 2,1 a cada real investido. Disse ainda que o desempenho do setor depende de variáveis como o câmbio, por ser exportador, e o agronegócio.
Ao final do encontro, o presidente da comissão definiu que o assunto será levado à governadora Yeda Crusius e aos secretários da Fazenda, Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia. O deputado Brito solicitou audiência com o executivo, onde todo o setor terá oportunidade de fazer sugestões sobre programas de incentivos fiscais e promoção da competitividade da indústria local em relação a outros estados, assim como em relação à questão das exportações.
Conforme o parlamentar, o setor tem conseguido crescer, mas esse crescimento poderia ser muito maior ao que apresenta hoje, criando mais empregos, renda e reflexos positivos na economia gaúcha.
Participaram ainda da audiência os deputados Raul Carrion (PcdoB), Ronaldo Zülke (PT), Mano Changes (PP) e Francisco Pinho (DEM), além de representantes da Caixa-RS, do Banrisul e de outras entidades
Assessoria de Imprensa
Audiência pública debate a produção de maquinário no Estado