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25-04-2014

Tabaco impulsiona economia da Região Sul


Foto: Divulgação/Souza Cruz Família Bergmann são modelos de produtores na atividade em Canguçu

Canguçu é um dos exemplos de município onde a cultura é determinante para o desenvolvimento regional


Importante base econômica do município, a atividade da fumicultura é observada com olhares distintos por empresas fumageiras e produtores endividados. Em fevereiro, em visita ao município, o advogado Paulo René afirmou que aproximadamente 70% dos fumicultores canguçuenses enfrentam problemas com endividamento. Ele, que atua num escritório de advocacia especializado em Direito Agrário, representa dezenas de agricultores em ações contra as empresas. Em situação inversa estão agricultores que conseguiram êxito econômico graças à atividade. Bons exemplos desse sucesso são demonstrados na reportagem a seguir, produzida pela assessoria de imprensa da Souza Cruz, uma das empresas que atua em Canguçu.



A importância do tabaco como atividade econômica para a Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul pode ser comprovada pelo Diagnóstico Socioeconômico da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).  O desenvolvimento do setor, nos últimos 18 anos, foi fundamental para o crescimento da região. Na safra 97/98 eram apenas 11,8 mil produtores e uma receita de R$ 62 milhões. Hoje, são 22 mil produtores integrados, o que representa um crescimento de 186%, e uma receita bruta superior a R$ 755 milhões.


Em Canguçu, um dos principais municípios produtores da Região Sul, o crescimento do setor do tabaco é ainda mais expressivo. Na Safra 97/98 eram apenas 1,2 mil produtores, e uma área plantada de 2,1 mil hectares. Na Safra 12/13, foram 4,7 mil produtores (crescimento de 275,5%), que cultivaram uma área de 7,8 mil hectares. Neste período, a produção passou de 4 mil toneladas para 18,3 mil toneladas, e a receita bruta de R$ 6,4 milhões para R$ 140 milhões, um crescimento de mais de 2.000%.


Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu, Pedro Adão Schiavon, a cadeia produtiva do tabaco evoluiu muito nos últimos anos, graças ao trabalho dos produtores, indústria e entidades representativas. “É a atividade agrícola que mais gera renda para o município. E tem sucesso porque sempre há a negociação entre a indústria e os produtores”, explica ele. Para Schiavon, o município, sem o cultivo do tabaco, ficaria parado no tempo. Canguçu possui 67% da população rural e 33% urbana.


Conforme o dirigente, a atividade tem uma grande rentabilidade. “Assim como em qualquer outra atividade, sempre há quem não tenha sucesso. Mas não podemos generalizar, nem para um lado, nem para outro”, enfatiza, referindo-se aos boatos sobre os índices de endividamento dos produtores da região. Para ele, os produtores têm investido em técnicas e equipamentos que permitem aumento da qualidade e rentabilidade do produto, bem como reduzem a mão de obra e o consumo de lenha. “Neste caso, não é endividamento, mas investimento”, afirma ele.


Além disso, outras culturas têm papel importante na economia do município, ocupando uma área total de 44 mil hectares. Destes, 22 mil hectares são destinadas ao cultivo da soja e outros 15 mil para o milho. A diversificação das propriedades ainda inclui atividades de fruticultura, bovinocultura e lacticínios. Neste contexto, o tabaco representa 48% da renda das propriedades, que têm em média 19,2 hectares de área total na propriedade.


Bons exemplos


Casos de sucesso na produção de tabaco em Canguçu não faltam. Valdomiro Rutz, 54 anos, morador da localidade de Posto Branco, é um deles. Graças ao cultivo do tabaco, em 11 safras, ampliou sua área de terras de 20 para 48 hectares. Os 60 mil pés de tabaco, com produtividade média de 3,3 mil quilos por hectare, são cultivados numa área 3,2 hectares. A outra atividade comercial da propriedade é o cultivo de soja, que ocupa 30 hectares.



Para o cultivo do tabaco, o produtor opta por pagar seus insumos à vista, aproveitando o desconto oferecido pela empresa integradora. “É vantagem porque depois vem todo o dinheiro de volta da venda da safra”, explica o produtor. Integrado da Souza Cruz há 11 anos, Rutz não possui nenhuma dívida em relação a cultura do tabaco. O único financiamento refere-se ao trator e plantadeira novos, adquiridos recentemente. “O juro é baixo, então não vale à pena quitar”, frisa ele. As novas aquisições somam-se aos bens já existentes na propriedade, como a casa, duas estufas Folha Solta (modelo LL), galpões, colheitadeira de soja, trator, dois carros, moto e pulverizador novo.  A propriedade é movida pela força da família. Ao lado da esposa, Dirce, de 50 anos, e do casal de filhos, Daniel, de 29 e Josiane, de 27, Rutz planeja e toma decisões em conjunto. “Na produção de mudas, por exemplo, eu nem me envolvo mais”, orgulha-se ele. Em mais de uma década dedicada ao cultivo do tabaco, Rutz destaca as novas tecnologias, como o sistema float e as estufas LL, que facilitaram o trabalho na lavoura.


Outro exemplo é do produtor Arlecio Penning Bergmann, de 35 anos, morador de Posto Branco. Casado com Leani Bergmann, 45, e pai de Andreia, 14, e Daiane, 8, possui uma propriedade de 25 hectares, das quais 4,2 hectares são destinadas ao tabaco. Para melhorar o trabalho, nesta safra, está adquirindo um trator novo, maior que o atual. “Vamos ficar com os dois e este novo vai facilitar o trabalho”, comemora. Ele iniciou na atividade estimulado pelo pai, Irio Bergmann, de quem ganhou seus primeiros 15 hectares. Com produção de 70 mil pés e produtividade média de 2,8 mil quilos por hectare, Bergmann está satisfeito com a atividade. “O tabaco ainda é o nosso grande carro chefe e pretendemos continuar na atividade”, destaca. Sem dívidas com a Souza Cruz, com quem é integrado há 11 anos, Bergmann pagou 70% dos insumos à vista, aproveitando o desconto. A próxima aquisição da família deve ser o acesso à Internet, via rádio, para facilitar o acesso da família e das filhas à rede mundial de computadores e ao Portal do Produtor Souza Cruz (www.produtorsouzacruz.com.br).


Para o gerente territorial de produção agrícola da Souza Cruz na região, Naiber David, ações como esta são chave para a sustentabilidade da propriedade agrícola familiar. "Dentro da nossa Plataforma Produtor Rural Sustentável desenvolvemos os pilares econômico, social e ambiental junto aos nossos parceiros produtores integrados. O foco é o desenvolvimento da propriedade como um todo, sendo o tabaco, uma opção sustentável de diversificação de culturas na agricultura familiar", destaca Naiber.


Redator: Assessoria de Imprensa



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