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16-05-2014

Morro Redondo: A economia movimentada pelo pêssego


Foto: Divulgação O processo de seleção concentra o maior número de funcionários, responsáveis por verificar se o pêssego está no padrão para ser enlatado

Antes mesmo de sua emancipação, Morro Redondo já era voltado á agricultura, principalmente ao cultivo de frutíferas. Rodeada por produtores de diversas localidades, como Pelotas e Canguçu, concentra cinco indústrias que movimentam a economia do local. O pêssego, principal matéria prima de algumas delas, é fornecido por produtores da região, que ano após ano, buscam alternativas para aumentar a produção, melhorar a qualidade e suprir a demanda que aumenta gradativamente.


A escolha das empresas pelo município, não foi em vão. Além de estar bem localizado geograficamente, a cerca de 40 km de Pelotas, maior polo econômico da Região Sul, e a 300 km de Porto Alegre, capital do Estado, abriga no seu interior grande parte dos pomares que dão origem a fruta que, ao lado do frango, fez do município a Cidade do Pêssego e do Frango.



Diante das potencialidades da cidade, a Indústria de Conservas Minuano, localizada na avenida Jacarandá, abriu suas portas nas terras morroredondenses em 1971. Ao longo dos 43 anos que está em funcionamento, foi testemunha de muitas mudanças, não só no método de produção, que hoje conta com o auxílio da tecnologia, mas no próprio município, que passou por um processo de emancipação há 26 anos, e hoje avança diariamente para o desenvolvimento.


O carro chefe da empresa, que atende santa Catarina, Paraná e parte de São Paulo, não poderia ser outro: pêssego em calda. A oferta de fruta varia de um ano para o outro e, automaticamente, isso acaba definindo o volume de produção da empresa. Conforme o gerente administrativo, Claudio Meireles Gonçalves, a última safra foi boa e resultou em uma produção de 5,5 milhões de latas, o que dá uma média de 150 mil por dia. Mas ele ressalta que só foi possível alcançar esse número por que o produtor tem se conscientizado sobre a necessidade de se qualificar.


Trabalhar somente com uma fruta, que tem um período de safra curto, nos meses de novembro e dezembro, faria com que a empresa também tivesse um tempo determinado de funcionamento, somente durante as safras. Para superar isso, outras opções, com safras em períodos diferentes, foram acrescentadas a linha de produtos da marca Simon’s. Dessa forma, a empresa funciona durante todo o ano. Mas ainda assim, é na safra do pêssego que a Indústria Minuano concentra o maior número de funcionários, cerca de 380. A maioria fica na parte de seleção, verificando se o pêssego está no padrão de qualidade para ser enlatado. Já existe um equipamento para realizar esse serviço, mas segundo o gerente, não é tão eficiente quando o olhar e o perfeccionismo humano. “Temos o cuidado de só adquirir equipamentos que realmente funcionem, do contrário preferimos investir na capacidade humana”.


A prioridade é sempre por contratar pessoas de Morro Redondo. De acordo com Gonçalves, elas estão mais preparadas para o trabalho e são mais comprometidas com a empresa. Além disso, através da geração de empregos, diretos e indiretos - só de fornecedores de pêssego são mais de 200 - cumpre com seu papel social dentro da cidade. Mas quando falta mão de obra, o que segundo ele tem acontecido nos últimos dois anos, devido a oferta na área, a saída é chamar pessoal de outras cidades, como Canguçu, Cerrito e Pedro Osório.


Os benefícios de ter uma empresa da estrutura da Minuano na cidade não se restringem somente aos empregos diretos, e indiretos, mas a todo o restante, por que movimenta a economia do município atingindo transporte, farmácias, restaurantes e outros estabelecimentos locais. Mas conforme o gerente administrativo, no processo de produção, que envolve desde a colheita até a distribuição das latas de conserva, algumas deficiências do município ficam evidentes, como a falta de um hotel para o transportador que traz a fruta e precisa pernoitar na cidade.


Outras possibilidades


O figo em calda é o que movimenta a empresa depois do pêssego. Atualmente, 102 pessoas se dividem entre o serviço de recebimento, classificação e outros procedimentos necessários. Grande parte da matéria prima utilizada na empresa vem da região do Planalto, já que o produtor local ainda não despertou para a produção da fruta. Além dele, outras sete opções são encontradas em lata: salada de fruta, morango, pera, abacaxi, maçã, ameixa seca e cereja.


A indústria ainda trabalha com doces cremosos e geleias. Dos doces, dez sabores, das geleias, seis. Das frutas, tudo se aproveita. Aquela que não está em condições de ser enlatada, é separada e aproveitada para o doce. “Estamos sempre pesquisando e vendo possibilidade de agregar novos produtos, mas isso é sempre feito com calma. Preferimos investir no que já está consolidado e sabemos fazer bem”, enfatizou Gonçalves.


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