Sexta, 03 de julho de 2026, 23:30h
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Prefeito de Morro Redondo foi também um dos vereadores eleitos na primeira votação do local como município
Município jovem, Morro Redondo comemora aniversário de olho no futuro através da educação, saúde, infraestrutura e turismo rural
Um município jovem, famoso na região devido a sua vocação industrial na área de conservas, e que busca, constantemente, o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida de seus habitantes. Com uma área de 244,643 km², Morro Redondo comemorou, na última segunda-feira (12), os seus 26 anos de emancipação. A transformação da comunidade, que fazia parte do 8º distrito de Pelotas, em um município teve início em abril de 1988, quando foi realizado um plebiscito para apurar a opinião da população local em relação a proposta de emancipação. Em maio daquele mesmo ano, mais precisamente no dia 12, nasceria oficialmente Morro Redondo, de acordo com lei sancionada pelo então governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon. Os primeiros vereadores e o primeiro prefeito seriam eleitos em 15 de novembro.
Passaram-se mais de duas décadas, e o município comemorou mais um aniversário, com direito a bolo com o comprimento da idade da cidade. A ideia surgiu no aniversário de 10 anos, e desde então nunca mais deixou de ser feita. Além disso, ao longo da semana ocorreram outras atividades que incluem shows e até lutas de MMA, todos sem nenhum custo para os morroredondenses. “Fazemos os eventos gratuitos porque é a comemoração do aniversário do município, e por isso entendemos que a população mais carente também tem direito a participar. Todos os shows são gratuitos, exatamente para que todas as pessoas que queiram participar, mesmo com poder econômico reduzido possam estar lá”, ressaltou o atual prefeito, Rui Valdir Otto Brizolara.
O integrante do partido Democratas (DEM) não exerce o cargo pela primeira vez. Sua vida política se confunde com a trajetória do município em que vive. Na primeira eleição do local, em 1988, ele foi um dos nove vereadores eleitos. Já na década de 1990, ocupou o cargo de prefeito pela primeira vez. Agora, com cerca de dois anos e meio de mandato pela frente, Rui mantém os pés no chão. Sabe que precisa estar sempre de olho nos gastos com folha de pagamento, que por lei não podem ultrapassar os 54%, e que ainda são necessárias melhorias em áreas como saúde e educação. Ele, no entanto, não deixa de continuar procurando o desenvolvimento de Morro Redondo através de obras de infraestrutura e projetos de habitação, por exemplo. “Nós estamos trabalhando na questão da infraestrutura, do futuro do município”, explica. A meta é que até o final de 2016, quase 100% da zona urbana esteja pavimentada. “Em 1997, quando assumi a Prefeitura, somente aquele trecho na entrada da cidade, que hoje é asfalto, era pavimentado. Dali para cá, pavimentamos a cidade quase inteira”, relata. Ao todo, são aproximadamente R$ 1,6 milhão em emendas, sendo que R$ 300 mil deverão ser utilizados em breve. “Nós temos esse total de valor já contratado. São emendas liberadas, estamos encaminhando os projetos. Na avenida Jacarandá, por exemplo, vamos fazer um prolongamento”, conta Brizolara, que afirma já terem sido investido mais de R$ 3 milhões em pavimentação. “A pavimentação reduz a questão de manutenção posterior. É também uma questão de saúde. Se pegar uma dessas estradas em direção as fábricas, não se pode abrir uma casa, por causa da poeira”, diz.
Ainda na questão da infraestrutura, a preocupação com as cinco indústrias e o abatedouro de aves localizados no município fez com que fosse realizada uma rede, onde a água é transportada de um arroio a cerca de 7 km e 200m de distância. “Todos eles funcionam, basicamente, com água”, conta. A obra, segundo ele, já está concluída e em condições de ser utilizada.
O executivo também esta ampliando uma das escolas situadas na zona urbana. A instituição Alberto Cunha, a maior escola municipal de ensino fundamental, tem capacidade para 250 alunos, mas deverá ter esse número aumentado após a conclusão da obra, que iniciou em dezembro de 2012. A ampliação deveria ter sido terminada em 2013, mas não pode, devido a diversas paralisações na obra. A culpa, porém, como frisou a presidente da Câmara de Vereadores, Angélica Milech, não do município. Quando ficar pronta, a instituição deverá ser um modelo na região, pois todas as salas serão equipadas com aparelhos de ar condicionado, que já estão em Morro Redondo. A obra, de acordo com o administrador do município, fez com que os estudantes fossem deslocados para outro local. “Tão logo conseguirmos concluir a obra, daremos uma condição muito boa para a escola. Mas isso tem acarretado um problema sério nos dois últimos anos, porque se desloca muitos alunos e não se tem uma área adequada para que se coloque essa escola. Mas é para uma melhoria na questão da educação”, relata.
Além disso, o município, que possui transporte escolar em todo o interior e também para universidades de cidades vizinhas, se prepara para aderir ao passe livre e também ao Mais Educação, ambos do governo federal. A implantação deste último programa, porém, deverá elevar os gastos do município, de acordo com o prefeito. “O gasto de pessoal fica conosco. O governo manda um recurso de R$ 35 mil para a escola, só que os profissionais ficam a nosso cargo, e isso, novamente, eleva o gasto com o pessoal”, explica. Apesar disso, mesmo sendo uma das áreas que elevam os gastos do município, Morro Redondo paga o piso na educação sem maiores problemas.
Já na área da saúde, visando melhorias, o governo está adquirindo uma van e uma ambulância. “Nós temos três ambulâncias em boas condições, mas por serem veículos que socorrem as pessoas, a probabilidade de um problema mecânico é iminente.” Esta área, diz Brizolara, é uma das mais complexas no local. Hoje, Morro Redondo possui uma médica cubana vinda do programa Mais Médicos, do governo federal. O hospital local tem capacidade de 17 leitos, mas é considerado de pequeno porte e, por isso, tem menos leitos comprados pelo Estado. “Um grande problema que temos que resolver é a questão das distâncias. Isso demanda um custo alto e também veículos e motoristas para deslocamento das pessoas. É uma área que tem nos preocupado, e que temos investido bastante no sentido de tentar minimizar e resolver”, explica.
Além da nova van e ambulância, ele relata que o governo procura sempre estar com todas as frotas de veículos que prestam os serviços renovadas, mantendo o maquinário sempre em boas condições. Em 2014, Morro Redondo recebeu da presidente Dilma Rousseff uma motoniveladora, aumentando o número para três, além de uma retroescavadeira que também foi entregue recentemente.
Bases econômicas:
Rui Brizolara explica que as bases da economia de Moro Redondo são, basicamente, a produção de leite e de frangos. A criação dos animais é anterior à existência do abatedouro na região, que foi instalado por ser o local onde estava a maior concentração dos produtores. A agricultura do município, no entanto, é bastante diversificada. Há também a produção de fumo, milho, soja e o pêssego, matéria prima para boa parte das conservas feitas nas fábricas do local, que são alguns de seus produtos mais famosos.
Energia:
Apesar de não ser um projeto criado pela Prefeitura, s subestação recebe o apoio do executivo, já que a energia tem sido um problema para o município. “Há 40 anos temos um alimentador que vem pela estrada velha, e de lá para cá esse sistema nunca foi melhorado”, explica o administrador.
A possibilidade da subestação em Morro Redondo surgiu á aproximadamente dois anos, através do secretário Beto Albuquerque. A Prefeitura já adquiriu, inclusive, a área necessária, e durante uma visita recente em São Lourenço do Sul, o governador Tarso Genro teria dito que, dentro de dez dias, as obras iniciariam. “A obra já está licitada. Embora seja um projeto do Estado, é uma demanda do município. Sem dúvida nenhuma, essa subestação vai resolver metade dos problemas de energia, vai manter a possibilidade da ampliação das indústrias que temos, e também, se alguma nova quiser se instalar, isso será permitido.”
Habitação
Uma questão que sempre preocupa a qualquer município é a habitação, e com Morro Redondo não poderia ser diferente. A preocupação para que todos os 6.232 habitantes, cerca de 70% deles na zona rural, tenham moradia, fez com que a Prefeitura aderisse a um programa da FBS Construtora, através do qual serão construídas 100 unidades de moradia. Outro programa, do governo federal, realizado através da Caixa Econômica, irá proporcionar 54 novas casas para a comunidade quilombola. E através, ainda, de um outro projeto, do NHS, foi realizada a construção de 50 unidades de moradia na zona rural.
Desafios
Apesar das dificuldades descritas por Rui Brizolara em governar o município, principalmente no que se refere a folha de pagamento com pessoal e as grandes demandas como na área da saúde, ele demonstra bastante otimismo, e diz que não há como comparar Morro Redondo antes e depois da emancipação. Para ele, a comunidade não estaria no nível de desenvolvimento que se encontra atualmente caso ainda pertencesse a Pelotas. “Não dá para fazer qualquer comparação. Hoje nós estaríamos iguais a algumas colônias do interior de Pelotas, caso não tivéssemos nos emancipado, até porque os recursos se concentrariam onde a população é maior”, afirma. O prefeito explica que, agora, Morro Redondo possui programas de calcário no interior, que Pelotas ainda não tem em vários de seus distritos.
Além disso, o município também volta os seus olhos para o turismo rural, em parcerias com entidades como Senac, Senai e Emater. Dentro deste projeto, por exemplo, está a construção de um pórtico na entrada da cidade, na BR-392. A proposta já está no governo do Estado, e Brizolara espera poder construir o pórtico com os R$ 60 mil de uma consulta popular, que ainda estão por ser liberados. Ele garante, porém, que a ideia sairá do papel de qualquer maneira. O administrador também reivindica uma melhor iluminação no trevo de acesso, que deverá ser realizada ainda este ano. “A Ecosul exige que paguemos a luz. Eles cobram o pedágio e nós ainda temos que arcar com a iluminação do trevo. Enquanto não mandei um documento dizendo que nos comprometíamos, não fizeram nem o projeto”, informou.
A proposta com essas melhorias é trazer excursões para Morro Redondo. O prefeito compara o turismo oferecido pelo município ao tipo de turismo ofertado em Gramado, na Serra Gaúcha. “Claro que nós estamos engatinhando, e esse turismo não se faz da noite para o dia. Será aberta uma agroindústria na entrada da cidade, por exemplo, então tudo isso é graças ao próprio projeto.” Entre as propostas que ele diz terem potencial para atrair turistas estão os cafés coloniais e pesque pagues. “Várias atrações podem haver. Não são coisas grandes, mas podem alavancar o turismo”, diz.
Olhando para o futuro não apenas o prefeito Rui Brizolara, mas toda a comunidade, aguardam melhorias para o município de ruas longas e largas e poucas esquinas. A expectativa é a de que todas as flores, que nomeiam as vias públicas, floresçam ainda mais, enquanto as frutas das conservas continuem a adoçar a vida dos morroredondenses. A terra que deu origem aos famosos doces de Pelotas agora busca firmar sua própria identidade na Região Sul, como um município forte e capaz.
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