Segunda, 29 de junho de 2026, 15:51h
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Enquanto a falta de chuva favorece a produtividade do arroz, lavouras de soja e de milho tem perdas de 20%
A estiagem registrada na metade Sul do Estado já fez com que vários municípios decretassem situação de emergência, especialmente pelas perdas no campo. Em São Lourenço do Sul, a severidade da falta de chuvas não é tão grande como em municípios vizinhos, porém, provoca alterações na produtividade, com perdas de cerca de 20%.
Para as lavouras de arroz, a estiagem nesta época só favorece a colheita. Dos 9,820 mil hectares plantados, 72% já foram colhidos no município. “Está dentro do tempo, a colheita vem fluindo bem em São Lourenço. O tempo ajuda sem chuva”, diz o engenheiro agrônomo Cléo Soares, do escritório local do Instituto Riograndense do Arroz (Irga). A produtividade está um pouco abaixo da média no Estado, mas nada que cause preocupação ou que fuja da normalidade. “A produtividade média é boa, 7,150 mil quilos por hectare, mas isso deve crescer até o final da colheita”, prevê Soares, destacando que a estiagem, principalmente em março, favorece a produção, já que todo o arroz de São Lourenço é irrigado. “É bom que o tempo fique seco e com grande luminosidade. Quanto menos chuva e mais sol, melhor para o arroz”, explica.
Por outro lado, as lavouras de soja plantadas na várzea, que também são acompanhadas pelo Irga, sofrem com a falta de chuva. A estimativa é de que os 7,950 mil hectares plantados na várzea tenham perdas entre 40% e 50%. “A soja não vai ser boa. Não se estabeleceu bem na semeadura em novembro quando tivemos muita chuva e agora faltou água para a floração. A perda vai ser grande, pois normalmente a soja de várzea tem produtividade de 50 sacas por hectare e agora deverá ser de 20 e 25 sacas”, calcula o engenheiro do Irga.
Somando as áreas de várzea e de coxilha, São Lourenço tem 17 mil hectares plantados de soja. Para a Emater local, a quebra na safra do grão deverá ficar em torno de 20%. “Existe uma faixa do município, que pega regiões como Butiá, Serra Alta, Faxinal, Campos Quevedos, que está bastante atingida. Na verdade está atingida severamente, terrivelmente”, lamenta o engenheiro agrônomo da Emater local, Alfredo Passos Decker. Na mesma região, o milho sofre com a falta de chuva. “Nós estimamos que com as perdas nesta região, a quebra de safra, tanto do milho como da soja, represente 20% no total plantado no município”, diz Decker, revelando que há áreas do município com perdas totais, outras parciais, e ainda muitas que não foram atingidas pela estiagem. Também se registram perdas na produção leiteira, que está em queda devido ao baixo desenvolvimento das pastagens para alimentação animal.
O decreto de situação de emergência não é descartado. Decker diz que já foram realizadas reuniões com autoridades para isso, mas explica que, no momento, o total atingido no município ainda não representa um percentual suficiente para isso. O decreto, não descartado caso a situação se agrave, beneficiaria os agricultores pelo menos para a renegociação de dívidas.
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