Quarta, 24 de junho de 2026, 07:04h
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A Casa da Pimenta é um dos locais que reúne as delícias das agroindústrias turuçuenses
Elas são corajosas mulheres do campo, que apostaram no novo e hoje podem comemorar: mudaram a economia rural de Turuçu, mudaram suas vidas e de suas famílias, colocando a gastronomia do município no cenário nacional. A aposta de que sim, a agroindústria familiar pode dar certo, é uma realidade de extrema satisfação e sucesso.
Turuçu tem seis agroindústrias familiares, todas legalizadas e inscritas no Programa Gaúcho de Agroindústrias Familiares. Mas essa é uma história que começou em tempos não tão fáceis. Turuçu já era um município conhecido pela produção de pimenta e morango e recebia muitas visitantes na Oktoberfemorango e na Fepimenta. Mas se as festas tinham a produção do campo in natura, faltavam opções de consumo aos visitantes. Foi aí que Emater, Prefeitura e outras entidades estimularam o conhecimento e o empreendedorismo no campo. Mulheres como Verônica Crist Tuchtenhagen, Jaine Dóris Scheunemann Ollermann e Délia Maria Seus Milbrath, viram neste caminho uma oportunidade de virada. E deu certo.
Verônica fundou a marca “Sabor da Colônia”, em 2002, enquanto Délia fundou a “Delícias da Flor”, em 2003, e, em 2006, Jaine começou com a “Sítio Turuçu”, um trabalho que elas não desenvolvem apenas sozinhas, mas com suas famílias.
Com a mão na massa, a cada ano o desafio era oferecer novos produtos nas duas tradicionais festas municipais. O tempo foi passando, a produção crescendo e a comercialização cada vez melhor. Os produtos estão hoje na Casa da Pimenta, às margens da BR-116, em Turuçu, mas também em muitos municípios da região, além de locais como, por exemplo, o Mercado Público de São Paulo, o Aeroporto de Porto Alegre, e já estiveram em eventos gastronômicos no Rio de Janeiro e Brasília.
As três agroindústrias contam com produtos bem semelhantes. “Elas apostaram no tradicional. O carro-chefe é o morango e a pimenta”, comenta a chefe do escritório local da Emater, Alessandra Storch. Os empreendimentos produzem geleias, molhos, conservas diversas - com destaque especial para o pepino -, doces em caldas e uma variedade imensa de produtos feitos de pimenta. Verônica, por exemplo, é só orgulho: “Só de pimenta são 90 itens diferentes”, conta.
As três mulheres são exemplos entre outros casos de sucesso da agroindústria familiar no município, e elas não escondem a diferença que a aposta promoveu em suas vidas. “Mudou da água para o vinho”, avalia Délia, detalhando que hoje a marca é o que impulsiona a economia familiar, e todos trabalham para isso. A produção de verduras e os dois caminhões da família são parte do passado, já que atualmente toda dedicação é para o empreendimento, que só cresce.
Já Verônica, comemora uma virada não só econômica, mas de saúde. “Tirei toda a família da produção de fumo. Filho, filha, genro, nora, marido, todo mundo agora dedica o tempo para a agroindústria”, detalha. No caso de Jaine, a atividade econômica ficou por conta das mulheres da família, enquanto os homens têm outras profissões. Em comum nos casos dessas empreendedoras está a produção no campo totalmente dedicada às agroindústrias. Tudo que é produzido tem como destino o processamento para o negócio e elas são orgulhosas em afirmar que também tratam-se de produções sem agrotóxicos.
Quem visita a Casa da Pimenta, por exemplo, certamente fica com água na boca e sem saber o que levar. São delícias cada vez mais conhecidas no Rio Grande do Sul, feitas por mãos dedicadas e corajosas, tendo à frente mulheres visionárias que ousaram fazer o novo e hoje comemoram o sucesso trabalhando e vencendo cada dia mais.
Redator: Tradição Regional
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