21-07-2008
Cenário aquecido promete lucro à Expointer
No ano que sucede o período de recuperação da agricultura nacional, no qual os produtores rurais começam efetivamente a se capitalizar, a expectativa é de bons negócios durante a 31ª Expointer, que ocorre de 30 de agosto a 7 de setembro. As previsões oficiais indicam possíveis recordes em vendas, com a comercialização beirando os R$ 200 milhões, o que representa um crescimento expressivo se comparado ao volume de negócios da feira de 2007, que chegou a R$ 131,9 milhões, entre venda de animais, máquinas, implementos agrícolas, artesanato e produtos da agricultura familiar.
Um dos setores que mais tem apostado nos bons resultados da Expointer é o de pecuária, que após um período de vendas em alta nas feiras de outono, espera pelo menos repetir o volume comercializado no ano passado. "�? cedo para prospectar os ganhos, mas é possível dizer que tranqüilamente vamos repetir os R$ 9,6 milhões faturados em 2007", declarou o presidente da Comissão de Feiras e Exposições da Farsul, Francisco Schardong.
O mercado aquecido, aliado à qualidade elevada dos rebanhos gaúchos são apontados pelo executivo como fatores determinantes para os bons resultados a serem conquistados. "Estamos muito bem em termos de genética, morfologia e sanidade", destacou. O setor leiteiro, na opinião dele, deve ser um dos mais beneficiados em função da vinda de empresas de laticínios ao Estado. "Já tivemos uma amostragem na Fenasul."
Depois de dois anos de baixa nos negócios e uma comercialização de R$ 120 milhões em 2007, o setor de máquinas e implementos agrícolas também aposta suas fichas na edição 2008. "Esperamos chegar a R$ 200 milhões, repetindo o ano de 2004, considerado excelente para o setor", antecipou o presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers), Cláudio Bier.
O caminho rumo aos valores recordes já está sendo traçado, já que todos os espaços para exposição de máquinas já foram preenchidos, resultando em uma extensa lista de espera. "Está faltando espaço na Expointer, pois após dois anos de safra boa o produtor está capitalizado e as indústrias querendo expor."
Serviços de bilheteria e estacionamento vão à licitação por mínimo de R$ 1,5 milhão
A renda interna da Expointer oriunda da bilheteria e do estacionamento também tende a apresentar um acréscimo durante a próxima edição da feira. Conforme o presidente da Comissão Executiva da Expointer, Antônio Alves, este é o segundo ano em que esses serviços serão terceirizados.
"Vamos realizar um processo de licitação no dia 23 de julho que terá como limite mínimo R$ 1,5 milhão, podendo as empresas ofertarem valores maiores", informa. No ano passado foi arrecadado R$ 1,4 milhão, valor investido no parque, para organização da feira e limpeza. "Não é o Estado que banca a Expointer. Trata-se de um evento auto-suficiente", acrescenta Alves.
Em 2007, participaram da mostra 3.160 expositores, número que vem crescendo ao longo dos anos. "Neste ano, esse número deve se manter, pois não há mais espaço para crescer." O valor arrecadado com as locações dos espaços sob responsabilidade do governo somou R$ 1,3 milhão em 2007.
Em relação ao público, o secretário da Agricultura, João Carlos Machado, acredita que mais de 800 mil visitantes passarão por Esteio. No ano passado, o público foi de 695 mil pessoas. Segundo ele, todos os espaços já foram vendidos para os expositores. A lista de espera supera as 200 empresas.
Agricultura familiar e artesanato buscam R$ 2,9 milhões
O pavilhão da agricultura familiar, um dos espaços que já se tornou referência durante a mostra, também costuma dar bom retorno aos pequenos produtores. Na opinião do técnico da área de agroindústria da Emater-RS Renato Cogo, o cenário tem permitido maior qualificação dos produtores, o que reflete de forma importante na qualidade dos produtos.
"Os agricultores têm condições de investir mais e com isso aumentar o valor agregado de seus produtos", afirma. Em função disso, a previsão para este ano é de chegar a um faturamento de até R$ 900 mil, contra os R$ 700 mil de 2007. Cogo diz que o espaço tem sido cada vez mais procurado pelos visitantes da Expointer. "Muita gente comenta inclusive que visita a feira só para comprar na agricultura familiar. O aumento do poder aquisitivo do público também deve ajudar nas vendas", confia.
O pavilhão conta com 200 estandes, que em 2007 acomodaram 230 agroindústrias. "O número deve se manter semelhante, a não ser que outros produtores optem por compartilhar os espaços."
Outro segmento que costuma chamar a atenção dos visitantes da feira agropecuária é o de artesanato, que em 2007 faturou R$ 1,6 milhão e espera chegar a R$ 2 milhões nessa edição. "Melhorou a qualidade do material exposto, além disso, o pavilhão será remodelado, com piso diferente e cobertura nas laterais", disse a coordenadora da Casa do Artesão Vera Cioccari. Neste ano serão 219 artesãos de 41 municípios gaúchos que serão acomodados em uma área de 1344 metros quadrados.
Fonte: Jornal do Comércio
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