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05-04-2019

Possibilidade de porto em Torres deixa Zona Sul em alerta


Foto: Divulgação O Porto de Rio Grande está em operação há quase 104 anos

Um movimento denominado de Mobilização Por Caxias (MobiCaxias), apoiado pelo senador Luis Carlos Heinze (Progressistas), pretende trazer novidades para a infraestrutura dos transportes gaúchos: a construção de um porto 100% privado em Torres, uma projeção da época do Império, de Dom Pedro II. Segundo o parlamentar, a obra facilitaria a logística das cargas - como soja, arroz, celulose -, etapa que, hoje, é o maior gasto. “Hoje tem gaúchos que vão até Santa Catarina para exportar, o que eu quero é que ao invés de levar para lá, leve para um porto nosso”, comenta. 


“Se tivermos mais portos, teremos mais facilidade na logística da carga. Estou trabalhando pelo que posso fazer pelo meu estado, nós precisamos desta infraestrutura no Rio Grande do Sul. Tendo o investimento privado, não vamos gastar nem R$ 1 do dinheiro público”, destaca.



A obra está prevista inicialmente para R$ 1 bilhão.


Para a Região Sul, a questão preocupa quanto à produtividade do Porto de Rio Grande e a duplicação da BR-116, a qual, atualmente, tem seu maior sustento na trafegabilidade de cargas para o sul do estado. Conforme o superintendente do Porto de Rio Grande, Fernando Estima, o projeto não ameaça o porto, mas desconcentra energias para a duplicação da principal estrada que liga a região ao resto do estado e, consequentemente, o desenvolvimento da Zona Sul. 


“Caso saia, dificilmente o Porto de Torres será uma ameaça para o de Rio Grande. Nós queremos só alertar que não faz sentido atrair um investidor para criar moles da barra, dragagem de canal se a gente tem isso pronto aqui no RS. Nós temos que nos concentrar e chamar os senadores para nos ajudar na duplicação da BR-116, que as autoridades políticas possam colaborar na promoção das propostas para as nossas hidrovias. Estamos à disposição para auxiliar esse grupo na tomada de decisão mais correta, ou seja, se tiver algum interessado privado em investir, será muito bem vindo”, garante Estima. 


Ainda, ele acredita que iniciar a obra de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Litoral Norte não faria o menor sentido. “Nós temos terminais e canais hidroviários que estão perto da Serra Gaúcha, 110 km de Caxias do Sul, então duas coisas já mostram que não fazem sentido: primeiro que eles não estão distantes de Rio Grande, a diferença rodoviária para Rio Grande e Torres não justifica a construção do porto”, ressalta. 


O senador Heinze garante que a ideia não é para prejudicar o Porto de Rio Grande, mas sim aumentar a exportação e importação no estado. “Estou ajudando para que o porto rio-


grandino consiga o investimento de R$ 500 milhões e também estou colaborando com a prefeitura sobre a questão das famílias que ocuparam um terreno do porto que poderia ser usado para terminal madeireiro. O que me pedem, eu faço, e será bom para o RS exportar e importar mais”, salienta.


“A construção do Porto de Torres não irá prejudicar as obras de duplicação da BR-116. No [próximo] dia 26 estarei levando para o Ministério de Infraestrutura um projeto para concessionar a obra em trechos para agilizar, pois se seguir com o dinheiro público, vai levar mais dez anos”, explana o parlamentar. 


Segundo Estima, o Porto de Torres não traria mudanças significativas. “Santa Catarina tem sido usada como exemplo para o que tem que acontecer no RS, mas é um equívoco. O estado tem cinco terminais espalhados, mas a soma deles não chega a 80% do que produzimos em Rio Grande, aqui temos um complexo portuário. O Império, na época, fez o estudo e chegou à conclusão que em Rio Grande seria melhor, construindo os moles da barra. Hoje tem o canal e tem várias áreas ainda que poderiam ser utilizadas”, finaliza.


A reportagem entrou em contato com o presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), Mauro Nolasco, que preferiu não expor sua opinião até levar a pauta para a próxima reunião com os prefeitos da região.


Conheça a história do Porto de Rio Grande


A história completa você pode acessar pelo site www.portosrs.com.br 


Em 1855, o Ministério da Marinha enviou o tenente coronel, engenheiro Ricardo Gomes Jardim, especializado em engenharia hidráulica, para estudar a Barra e o Porto e concluiu “que devem reputar-se inexequíveis, senão mais nocivos do que úteis, quaisquer construção de pedra ou de madeira, no intuito de prolongar o leito do rio ou dar maior força à corrente”. A seguir, outros consideraram a Barra “não suscetível de melhoramentos por meio de trabalhos hidráulicos”. Em 1860, a profundidade da Barra não ia além de 2,20 metros. 


Somente em 1875, Sir John Hawkshaw, comissionado pelo Governo Imperial, visitou o Porto do Rio Grande e propôs a construção de quebra-mares partindo do litoral para o oceano, de um e outro lado da embocadura com uma extensão de cerca de 2 milhas (3.220m) cada. 


Em 1906, o engenheiro Elmer Lawrence Cortheill foi contratado pelo governo brasileiro para executar as obras de fixação da Barra de Rio Grande, com aprofundamento para 10m, e a construção de dois molhes convergentes e um novo porto na cidade do Rio Grande (hoje conhecido como Porto Novo). Cortheill organizou a companhia “Port of Rio Grande do Sul”, com sede em Portland, Estados Unidos, que construiria e exploraria o porto por 70 anos. 


O projeto da Barra, a ser executado, originou-se da comissão presidida pelo engenheiro Honório Bicalho em 1883, posteriormente pouco alterado, analisado e aprovado pelo engenheiro holandês Pieter Caland, em 1885, que propôs a adoção de molhes convergentes. 


Em 1908, devido às dificuldades do engenheiro Cortheill conseguir nos EUA o capital necessário à execução das obras, constituiu-se em Paris a “Compagnie Française du Port du Rio Grande do Sul”, com capitais europeus, à qual foi transferido o contrato através do decreto nº 7.021, de 09 de julho de 1908. Dois anos depois, iniciaram-se efetivamente os trabalhos de construção dos molhes e do novo porto. 


Em 1º de março de 1915, aproximadamente às 17h30, o navio-escola Benjamin Constant, da Armada nacional, calando 6,35 metros, transpôs a Barra. Por volta das 18h30, atracou no cais do Porto Novo do Rio Grande, em meio a solenidades festivas. Em 15 de novembro de 1915, foi inaugurado o primeiro trecho de cais do Porto Novo, numa extensão de 500 metros, logo entregues à operação.


Redator: Tradição Regional



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