07-04-2010
Impasse na Medicina
A Associação dos Secretários e Dirigentes Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Assedisa/RS) posiciona-se favorável à contratação de profissionais de saúde uruguaios para atuarem nos serviços de saúde nos municípios de fronteira, desde que seja respeitada a legislação em vigor e que, comprovadamente, os municípios contratantes não tenham logrado êxito na busca por profissionais de nacionalidade brasileira.
Atualmente, as secretarias da saúde de municípios de fronteira como Santa Vitória do Palmar e Jaguarão, na Zona Sul, e Quaraí, na Fronteira Oeste, entre outros, enfrentam dificuldade na seleção de médicos para atuarem nas mais diversas especialidades.
�??Em 2008 realizamos concurso para diversas áreas como psiquiatria, endocrinologia, traumatologia, anestesia, pediatria e ginecologia e obstetrícia, sendo que apenas um médico gineco-obstetra foi nomeado, não havendo sequer interesse nas demais vagas�?�, preocupa-se a secretária da Saúde de Santa Vitória do Palmar, Vera Regina Martins Netto.
Segundo Vera, pelo fato de o município estar distante mais de 240 km do município mais próximo, Rio Grande, torna-se difícil atrair os profissionais que, na maioria das vezes, não se dispõem a residir num pequeno município pelo salário oferecido.
�??Utilizamos inclusive jornais para anunciar as vagas, mas até agora não apareceu ninguém interessado, enquanto isso a população fica sem o atendimento, porque nem mesmo nos municípios de referência que são Pelotas e Rio Grande conseguimos agendar consultas via SUS�?�, desabafa.
A dificuldade em encontrar profissionais brasileiros para o atendimento gera transtornos ao serviço de saúde e, principalmente, à população. Atualmente em Santa Vitória do Palmar são mais de 700 pacientes em lista de espera para consulta com traumatologista.
Em Jaguarão, também na Zona Sul do Estado, a situação de dificuldade na contratação de médicos assemelha-se à de Santa Vitória do Palmar. Segundo a secretária da Saúde Elaine Nunes Pereira, há demanda reprimida de psiquiatras, tanto para atendimento ambulatorial, quanto para apoio da equipe do Centro de Apoio Psicossocial (Caps).
�??Temos dificuldades em todas especialidades, principalmente as que são necessárias em um pronto atendimento, como anestesiologia, traumatologia e radiologia diagnóstica�?�, disse.
Para a secretária, o problema está na formação dos recursos humanos sem o perfil de atendimento necessário para a saúde básica e sem pretensão de atender à população residente em lugares pequenos e com poucos recursos tecnológicos.
�??A falta desses recursos humanos é um empecilho para implementação de ações que contribuam para a melhoria e promoção da saúde de nossos munícipes�?�, afirma.
�??Se houvessem profissionais brasileiros dispostos a trabalhar aqui daríamos preferência a eles, mas não podemos mais esperar, pois a cada dia surgem novos programas, novas demandas, e temos o compromisso de avançar nessa questão�?�, completa.
Assessoria de Imprensa
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