Sexta, 03 de julho de 2026, 17:24h
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Apesar do dia chuvoso, clima foi de otimismo. Vitória Machado, Antônio Maia, Joicinara Voigt, Cirio Almeida, José Clóvis de Azevedo, Sérgio Vargas e Jussara Dal Molin embarcaram no micro-ônibus para estrear o veículo
José Clóvis de Azevedo esteve no auditório da escola para a entrega das chaves de um micro-ônibus
A Escola Técnica Estadual Canguçu (ETEC) recebeu, no último dia 13, um micro-ônibus, que será destinado ao transporte de estudantes. O ato ocorreu no auditório da instituição e contou com a presença de alunos, professores e autoridades. A entrega das chaves do novo veículo foi feita pelo secretário estadual de educação, José Clóvis de Azevedo.
Esta é a segunda vez, em dois anos, que Azevedo visita as dependências da ETEC. Em 2013 ele esteve na área agrícola, no auditório e na horta orgânica, mantida pela escola através de uma parceria com a Emater. Para o diretor da instituição, Antônio Maia, a visita foi motivo de satisfação para a comunidade escolar. “Esperamos que o secretário leve uma boa impressão da ETEC”, disse o professor.
A aluna Vitória Machado, que preside a associação de estudantes, agradeceu a iniciativa da Seduc e disse que o transporte facilitará o acesso dos alunos no deslocamento para as aulas práticas e em atividades culturais. Em seu discurso, o coordenador regional de educação, Círio Almeida, avaliou como positivas as parcerias com a administração municipal. Ele também comentou os avanços da ETEC no aspecto pedagógico e na infraestrutura. “Posso dizer que esta escola já não e mais a mesma. E quando digo isso, falo sob uma perspectiva de crescimento”, elogiou.
A parceria entre o município e o Estado também foi um dos assuntos abordados pelo prefeito Gerson Nunes (PT). O gestor lembrou que Canguçu é a cidade gaúcha com o maior número de estudantes transportados. “Temos uma zona rural muito extensa. Atualmente são cerca de 150 veículos que fazem esse transporte”, explicou.
Escolas agrícolas com foco na agricultura familiar
José Clóvis de Azevedo falou sobre sua obsessão pelas escolas agrícolas. Segundo ele, a preocupação advém de suas origens rurais, já que é filho de pequenos agricultores da cidade de São Sebastião do Caí. “Temos 27 escolas agrícolas no Estado. A maioria delas estava sucateada quando assumimos”, disse o titular, salientando que a ETEC também passava por dificuldades na área agrícola.
Responsável pela produção da maioria dos alimentos consumidos pelos brasileiros, a pequena propriedade rural foi elogiada pelo titular. Ele considera que o foco de formação dos técnicos agrícolas não deve seguir exclusivamente a lógica do agronegócio, como ocorria antigamente. “Os estudantes aprendiam a jogar veneno na terra, comprar e vender veneno e a serem tratoristas. Depois iam trabalhar nas grandes propriedades. Nós não queremos isso”, afirmou.
Busca pela educação pública de qualidade
Azevedo é formado em História pela UFRGS e possui doutorado em Educação pela USP. Ele foi o primeiro reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Sul (UERGS), em 2001. Em seu discurso, o titular lembrou o privilégio histórico das elites gaúchas em relação à educação. “Nossa sociedade foi escravocrata. E escravo não precisava aprender. Depois, tivemos o domínio de uma diferente oligarquia em cada Estado. A educação era um privilégio das elites. Os pobres deveriam estudar, no máximo, até o 4º ou 5º ano”, destacou.
Nos anos de 1960 o Brasil tinha 50% de analfabetos. Embora esse número tenha caído para 11%, Azevedo reconhece que ainda há muito para avançar. “No RS ainda temos 60 mil crianças que não têm acesso à educação infantil. Ainda não universalizamos esse direito, ao contrário do que já ocorreu com o Ensino Fundamental e que está perto de acontecer no Ensino Médio”, avaliou. Tal avanço, segundo ele, é tardio por conta da formação social oligárquica registrada no passado. Azevedo defende que, apesar das dificuldades, nenhuma outra escola é superior ao ensino público. “A escola particular não é melhor porque ela escolhe alunos. Só entra quem pode pagar. A escola pública é para todos, independente de sua condição social, cor ou religião”, afirmou.
Uma das metas da atual gestão estadual era a entrega de 100 mil equipamentos de informática para as instituições de ensino até dezembro deste ano. O objetivo foi alcançado no final de 2013.
Investimento
O Governo do Estado destinou R$ 138 milhões para qualificar as escolas em setores como informática, sistemas de comunicação e equipamentos eletrônicos. Em reformas e obras, foram aplicados R$ 320 milhões. O dinheiro foi utilizado em 2 mil obras e beneficiou 1,3 mil escolas. “Esse valor representa quase o dobro do que foi investido nos oito anos que nos antecederam”, comparou Azevedo, garantindo que mais R$ 90 milhões serão aplicados até o final do ano.
Críticas à imprensa tradicional
A rede estadual de ensino conta com 2.754 escolas e mais de 1 milhão de alunos. O titular da pasta reconhece que algumas instituições apresentam problemas na infraestrutura. Contudo, ele foi direto e não poupou críticas ao que classificou como “grande imprensa”. “Se a gente ouve ou assiste a RBS, parece que as escolas do RS são um caos, umas pocilgas. E a gente sabe que não é verdade. É o preconceito das elites contra o ensino público”, criticou. Azevedo afirma que “o que é mostrado pela grande mídia não representa a realidade das escolas”.
O secretário analisou a desproporção das informações positivas e negativas diante dos meios de comunicação. Segundo ele, a projeção daquilo que está errado é sempre maior. “A imprensa local é mais generosa e mostra à comunidade o que está ocorrendo. Se a gente faz uma escola nova, a repercussão (positiva) ocorre apenas naquela cidade. Mas se tiver um vazamento de água na sala de aula, a televisão vem lá de Pelotas para mostrar. E mostra para todo o RS. É muito perversa e difícil a relação com a grande mídia”, reclamou.
Na avaliação do titular, os grandes grupos de comunicação transformaram a informação em mercadoria. “Como tudo no sistema capitalista”, frisou.
O RS realizou, na última semana, o maior seminário de educação de todos os tempos. Mais de 28 mil professores participaram dos debates. “E a maior empresa jornalística do Estado não noticiou sequer uma linha sobre isso. Depois fazem uma campanha chamada ‘Educação exige respostas’, finalizou.
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