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25-07-2014

Escola desenvolve experiência pioneira ao incluir língua pomerana no currículo


Foto: Xiru Gonçalves Professora Tanise Stumpf (E), durante a realização do Festival de Cultura Alemã e Pomerana (Festicap)

Cerca de 40 alunos da Escola João de Deus Nunes, de Canguçu, participam das aulas ministradas pela professora Tanise Stumpf


Inglês, espanhol, francês, italiano ou alemão. Qual destes idiomas desperta mais o interesse dos estudantes? Para um grupo de aproximadamente 40 alunos da Escola João de Deus Nunes (JDN) a opção preferida passa bem distante das línguas mais tradicionais. Desde o início deste ano letivo, a escola passou a oferecer uma disciplina inédita no município e, provavelmente, no Estado: o pomerano.



A ideia surgiu a partir de uma reunião entre o ex-diretor Cesar Pinz e integrantes da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). A orientação era de que a instituição deveria oferecer, dentro da grade curricular, outra língua opcional. O diretor, que mais tarde se licenciaria do cargo para assumir a Secretaria de Obras e Serviços Urbanos, procurou a professora Tanise Stumpf, de 40 anos, para sugerir a iniciativa. “Fiquei encantada! De imediato aceitei o convite”, recorda a educadora, que há 17 anos atua na rede municipal e estadual de ensino.


Tanise é graduada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com pós-graduação em Educação pela Universidade Federal de Pelotas ((UFPel) e Linguagens, Códigos e Tecnologias pelo Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul). Embora a formação acadêmica mais do que a credenciasse para enfrentar o novo desafio, outro fator foi decisivo na escolha. A professora é simplesmente apaixonada, como ela mesmo define, pela cultura pomerana. “Respiro esse universo 24 horas por dia”, resume.


A disciplina optativa passou a ser oferecida em turno inverso para as turmas de primeiro ano do Ensino Médio. O temor inicial de que poucos alunos se interessassem pela modalidade ficou para trás logo nas primeiras semanas, quando cerca de 40 jovens se inscreveram para aprender a nova língua. “Para minha surpresa, a expressiva maioria dos inscritos não era descendente de pomeranos”, conta a professora. Tanise explica que o idioma tem forte tradição oral no município, porém a escrita começou recentemente a dar os primeiros passos. Para desenvolver o programa das aulas ela buscou apoio de uma professora de Espírito Santo, de uma região onde também há descendentes de pomeranos.


O programa da disciplina trabalha com conceitos básicos, como cumprimentos, saudações, números, dias da semana e do mês. Os integrantes também utilizam outros recursos pedagógicos. “Criamos um grupo em uma rede social. Produzimos alguns vídeos e compartilhamos ali, como forma de fortalecer o aprendizado e trocar conhecimentos”, explica a educadora. Com o sucesso da iniciativa vieram novas ideias. Os 40 alunos foram divididos em subgrupos e cada um tem a tarefa de pesquisar aspectos como história, dança, culinária e religião. O objetivo é elaborar um artigo que contará com a contribuição de todos.


Preconceito que se transforma em motivação


O gosto pela cultura pomerana veio de berço. Natural da localidade de Canguçu Velho, 1º Distrito, a professora é descendente de imigrantes e vivenciou um período de descaso e preconceito. “Quando vim estudar na cidade passei por muita discriminação. Chamavam-me de “alemoa grossa” e coisas do tipo”, recorda. Ela, então percebeu que poderia contrapor as ofensas se conhecesse melhor suas origens e a história de seus antepassados. Mais tarde, já como professora, Tanise retornou à sua localidade para dar aula na Escola Carlos Moreira, frequentada predominantemente por descendentes de pomeranos. Ali iniciou um trabalho de valorização dos costumes e tradições.


Atualmente a professora se divide entre a família e as atividades letivas em duas escolas: a Carlos Moreira – localizada no interior – e a JDN, no centro da cidade. O tempo que sobra é usado para planejar eventos como o Pommerfest, festival realizado pela primeira vez em 2013 e que terá sua segunda edição este ano. Além disso, Tanise coordena vários grupos de danças tradicionais nas escolas onde atua. A primeira professora de língua pomerana do município – e, muito provavelmente, do Estado – sintetiza a relação que mantém com os grupos. “A garra, a motivação e o amor pelo que faço acabam passando para eles. É uma coisa louca, uma troca inexplicável de energia”, conclui.


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