Ter�a, 30 de junho de 2026, 23:14h
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Na terça-feira (25), celebrou-se o Dia da Não Violência Contra a Mulher, data alusiva a um ato de violência cometido contra as irmãs dominicanas Pátria, Minerva e Maria Teresa, em 1960. Em homenagem as irmãs, desde 1981 organizações de mulheres de todo o mundo comemoram neste dia e intensificam ações no combate a este tipo de violência.
Em Piratini, um evento organizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, Conselho dos Direitos da Mulher, Centro de Referência de Assistência Social (Cras), e graduandos do 6º semestre do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Pelotas, tornou-se um sucesso e atraiu dezenas de pessoas durante todo o dia.
O “Seminário de Combate a Violência Doméstica Contra a Mulher” foi realizado nas dependências da Sociedade Recreio Piratiniense (SRP), durante manhã e tarde, contando com seis palestras e assegurando um certificado de participação aos presentes.
Na cerimônia solene de abertura, o prefeito, Vilso Gomes, sublimou a importância de eventos como esse. Em seguida, o juiz da comarca de Piratini, Alejandro César Rayo Werlang, proferiu uma palestra com o tema “Medidas protetivas, Lei Maria da Penha”.
Nela, o magistrado discorreu sobre a aplicabilidade da lei e exprimiu sua visão deste não ser um problema comum, mas sim social. Em entrevista ao Jornal Tradição Regional, Werlang ponderou como podem ser reduzidos os casos de Maria da Penha. “A ideia é que o caso nunca chegue à delegacia, tampouco para o judiciário. Eventos como este servem para iniciar uma mudança na cultura da sociedade, para chegarmos ao ponto que não ocorra essa violência”, pontuou.
Outra palestra que didaticamente chamou atenção foi a da psicóloga, mediadora judicial, e mestranda em direitos humanos, Ivete Machado Vargas, da vara de Violência Doméstica do Foro Central de Porto Alegre. Ela enfatizou a temática “Grupos Reflexivos de Gênero: Uma Experiência de Prevenção da Violência”.
Conforme esclareceu, é realizado um trabalho com homens agressores no Foro Central. “São homens que foram denunciados na delegacia por violência e o judiciário decreta que eles frequentem o grupo. Mas pouco tempo atrás, tivemos a adesão espontânea de duas pessoas, o que nos deixa muito contentes. Minha participação pode ser um estopim para a criação destes grupos em outras cidades também”, avaliou.
O inspetor de polícia Luciano Dutra Almeida foi o último a palestrar. Devido a ele trabalhar na área primeiramente envolvida, Almeida recebeu diversas indagações de mulheres presentes, elucidando um fato atípico. “Aqui em Piratini é um pouco diferente. Em uma grande parte dos casos, quem sai realmente agredido são os homens”, disse, trazendo a tona uma gargalhada dos expectadores.
Segundo o graduando do curso de Direito Jean Soares Mendes, o resultado ficou acima da expectativa da organização. “Tiramos experiências muito positivos e acreditamos que tenha surtido o efeito esperado. A presença de público foi superior a cem pessoas, o que nos deixou muito satisfeitos”, finalizou.
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