Sexta, 26 de junho de 2026, 21:35h
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Gabriel Nogueira tem Síndrome de Down e acaba de apresentar seu TCC
Gabriel Almeida Nogueira é um jovem de 27 anos que dança, é faixa preta de Taekwondo e está concluindo o curso de Teatro - Licenciatura. Ele será o primeiro aluno com Síndrome de Down (SD) a se formar em um curso de graduação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
No dia 9 de dezembro, o aluno apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “Oficina de Teatro Down: Todos somos capazes de fazer tudo”. Sua pesquisa foi baseada na oficina que ministrou durante a disciplina Estágio Obrigatório 3, através do projeto de extensão Fronteiras da Diversidade, da UFPel. Os alunos faziam parte do projeto Novos Caminhos, também da UFPel, voltado para pessoas com deficiência. A experiência de dar aulas de teatro para pessoas com SD e outras deficiências foi inovadora, considerando que o próprio professor tem a síndrome, podendo compreender melhor as formas de trabalhar com o grupo.
“Além de gostar de ser ator, eu gosto também de ensinar aos outros o que eu sei, o que eu estudei pelo curso”, conta Gabriel. Ele também deu aulas para crianças e para adolescentes em escolas regulares, durante os outros estágios.
A apresentação do TCC foi dinâmica e um pouco diferente do usual. Confiante e tranquilo, Gabriel interpretou um trecho da peça Hamlet, de William Shakespeare. Em seguida, chamou ao palco a turma que participou da Oficina de Teatro Down para que, juntos, realizassem algumas das atividades desenvolvidas no estágio. Por fim, apresentou a parte escrita de seu trabalho. A banca aprovou e a nota foi 10.
Mãe de Gabriel, Joseane Almeida explica que a pessoa com SD tem certas limitações, como dificuldade e demora no aprendizado. Mas ressalta: “isso não impede de seguir a vida de uma forma dinâmica e ativa, desenvolvendo os próprios potenciais”. O jovem mostrou que mesmo tendo SD é possível entrar em uma universidade. “As pessoas com Síndrome de Down fazem as mesmas coisas que as outras”, diz ele. Porém, Gabriel mostra, principalmente, que todos são diferentes. A questão não é definir um padrão a ser seguido, e sim estimular cada um a buscar seu próprio caminho.
Dentro do grupo de dança Downdança, desenvolvido pela Escola Superior de Educação Física (ESEF) da UFPel, do qual Gabriel participa desde 2004, outros alunos também dão exemplo. Duas dançarinas trabalham em supermercados, um trabalha em uma farmácia, outro em uma biblioteca.
O pai de Gabriel, Zéca Nogueira, enfatiza que o incentivo que as pessoas recebem vale muito para que elas não desistam. Para ele, “a função de quem está em volta, muitas vezes, é permitir que essa pessoa busque seus caminhos, sem limitar ao que os outros acham dela”.
Gabriel ainda não sabe o que fará a seguir, mas está aberto às possibilidades. Ficar parado certamente não será a opção
Fronteiras da Diversidade
Ao entrar na faculdade, Gabriel também começou a participar do projeto de extensão Fronteiras da Diversidade, do Núcleo de Artes, Linguagens e Subjetividades (NALS). Foi através daí que acabou realizando a Oficina de Teatro Down. O projeto trabalha a questão da inclusão e de acreditar no potencial de cada ser humano, independente de suas particularidades, e teve o aluno como exemplo vivo.
Experiências anteriores
Antes de cursar Teatro, Gabriel atuou no longa metragem “City Down, a história de um diferente”, gravado em Pelotas e região. O filme sugere uma realidade inversa, em uma cidade onde todos têm Síndrome de Down. No momento em que um menino nasce sem a síndrome, o preconceito é com ele. Gabriel considera que o filme é relevante para que as pessoas respeitem e não tenham mais preconceito com ninguém. Também apresentou sua experiência no documentário “Meu Olhar Diferente Sobre as Coisas”, feito com várias pessoas com SD.
Redator: Tradição Regional
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