Sexta, 26 de junho de 2026, 14:18h
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Mais de 5,7 milhões de pessoas fizeram, no ano de 2015, o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). A prova tem o objetivo de avaliar e selecionar os candidatos que desejam ingressar em algum curso superior em 2016 ou concluir o Ensino Médio. Na redação, a pontuação máxima foi atingida por apenas 104 alunos.
Dentre eles, está Izadora Furtado, 17 anos, moradora de Pelotas. A aluna, que acaba de concluir o Ensino Médio, na Escola de Ensino Fundamental e Médio Santa Mônica, foi selecionada para o curso de Biotecnologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Sobre a preparação que teve para o exame, ela conta que sempre focou na redação. A escola em que estudou desde a 5ª série fazia provas a cada duas semanas, além de simulados e atividades extras. Também chegou a frequentar um cursinho pré-vestibular específico para redação, durante três meses.
Foco na persistência
O tema da redação, nesta última prova, foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Izadora fala que, ao ver o tema, se sentiu aliviada, mas em seguida ficou um pouco insegura. “Eu trouxe a origem dessa violência e comentei que a mulher sempre foi subjugada na sociedade. (...) Não me prendi só na violência física, falei da violência moral”, relata a estudante, que acabou se surpreendendo positivamente com o resultado.
No colégio, o feminicídio já havia sido abordado pelos professores como um dos temas possíveis para a redação. Assim, a proposta não surpreendeu Izadora, que procedeu como de costume. Escreveu as ideias principais, para depois montar o esqueleto do texto e seguir escrevendo. Após fazer a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, retornou ao texto para os últimos ajustes. Só então começou a prova de Matemática e suas Tecnologias. “Preferi focar no que eu tinha mais facilidade”, conta.
Para a professora de redação Vanessa Xavier, da qual Izadora foi aluna, os temas do Enem são um tanto previsíveis, mas sempre tem um diferencial na proposta. No caso, era solicitado abordar a persistência, não bastava falar sobre violência contra a mulher. Além disso, o candidato deve apresentar uma solução na conclusão do texto, o que conta 200 pontos.
A base faz a diferença
A professora de literatura Liliane Souza, que também deu aulas para Izadora, diz que a redação do Enem tem sido sempre voltada para questões sociais. Ela fala que o papel da literatura na preparação para o exame vem da pré-escola, do incentivo à leitura tanto em sala de aula quanto em casa. Os alunos que estão acostumados desde cedo não sofrem com as leituras obrigatórias do “terceirão”.
Segundo Vanessa, os alunos do colégio em que trabalha são lapidados para escrever nos moldes exigidos pelos vestibulares, ou seja, em dissertação argumentativa. Mas, para isso, é importante que os alunos tenham trabalhado todos os gêneros textuais durante o ensino fundamental. Dona de um curso de produção textual, várias pessoas a procuram na véspera das provas pedindo por “uma ou duas aulas”. Ela alerta que “é muita dedicação, muita escrita, muito estudo sobre diversos assuntos, que vai culminar na redação com nota boa”.
O complexo ato de escrever é importante para as mais diversas áreas, e a escrita revela muito sobre cada um, concluem as professoras.
Redator: Tradição Regional
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