Quinta, 25 de junho de 2026, 01:19h
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Cerca de 20 alunos, além da direção, dormiram na escola na primeira noite de ocupação, na segunda-feira (23)
Enquanto professores estaduais se mobilizam em greve, estudantes ocupam a maior escola de ensino médio
Como já está acontecendo em escolas de vários municípios gaúchos, alunos do Instituto Estadual de Educação Dr. Walter Thofehrn ocuparam a escola na noite de segunda-feira (23), em São Lourenço do Sul. Eles cobram repasses de recursos e, principalmente, o pagamento do transporte escolar e o atendimento, por parte do Estado, das reivindicações dos educadores.
A ocupação ocorreu de forma pacífica, com total apoio da direção. Enquanto os alunos se organizavam para passar a primeira noite na escola, a diretora Ana Koglin dialogava com eles, acertando detalhes de alimentação, autorização dos pais para os menores de idade e também a separação entre meninos e meninas para dormir. “Estamos dando total apoio e daremos todas as condições para que eles fiquem bem durante o movimento”, disse a diretora, revelando diálogos com o Conselho Tutelar e a Brigada Militar, que também estão respaldando a iniciativa dos alunos, garantindo principalmente a segurança. “Estamos caminhando juntos”, garantiu Ana.
Para os alunos, que são do ensino médio, o maior problema da educação é a desvalorização dos professores e do servidor público estadual como um todo. “Queremos respeito. O que o governo [do Estado] está fazendo é palhaçada. Parcelar os salários é algo que não se faz”, disse a aluna do 3ª ano, Maiara Martins, num forte discurso em apoio aos professores. Além disso, ela e os colegas reclamam do transporte escolar que, no dia da ocupação, completava uma semana parado, já que as empresas não estão recebendo os pagamentos do Estado. “Nossos colegas que moram para fora [interior] não estão vindo à aula, estão perdendo trabalhos e provas”, detalhou Maiara.
A colega Camila Silveira Kreps completou: “O que está acontecendo é muita falta de respeito. Esperamos conseguir alguma solução com este movimento, afinal, o que seria de nós sem os professores?”, disse a jovem que, ao lado de outros estudantes, garantia só deixar a escola quando o governo estadual solucionar estas questões.
Os estudantes ainda elogiaram a atuação da direção da escola que, mesmo com os repasses escassos, está mantendo o funcionamento normal do educandário, inclusive no que se refere à alimentação. “A diretora se vira com o pouco que tem”, dizem.
Enquanto os alunos se mobilizam, a coordenação local do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) segue o trabalho na greve dos professores, que completou uma semana na segunda-feira. Até o momento, são quatro escolas totalmente paradas: a Padre José, na cidade, e outras três no interior, também em virtude da falta de transporte. Na Escola Cruzeiro do Sul a greve é parcial, com aulas em turnos reduzidos, e em muitas delas as mobilizações eram parciais. “Estamos nos reunindo em plenárias nas escolas, debatendo a situação com os colegas”, disse a coordenadora local do CPERS, Dóris Peglow. Na escola ocupada pelos alunos, a mobilização dos professores também é grande pela greve, porém a instituição ainda estava com aulas durante o início da mobilização dos estudantes.
Redator: Tradição Regional
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