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22-03-2012

Sindicato dos professores do RS mantém estado de greve após derrota


Marcos Eifler Professores e sindicalistas viram reajuste ser aprovado a contragosto

Um dia depois da tumultuada sessão na Assembleia Legislativa que concedeu 23,5% de reajuste salarial ao magistério, o sindicato dos professores e trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato) promete continuar empenhado para garantir a implantação do piso nacional no estado. “Perdemos uma batalha, mas a luta continua", resume a presidente do Cpers, Rejane de Oliveira.


Os sindicalistas afirmam que vão continuar pressionando o Palácio Piratini a apresentar um calendário que leve ao pagamento do piso de R$ 1.451, reajustado pelo Fundeb. Por 29 votos a 0 – a oposição se retirou do plenário –, os deputados aprovaram uma parte do cronograma de reajustes que elevará o piso no estado para R$ 1.260 até novembro de 2014.



"Nós fizemos todos os esforços no sentido de que o projeto não fosse aprovado na Assembleia Legislativa. Queremos um calendário para o pagamento do piso, mas sabemos que a conquista da lei significa uma grande caminhada de luta", diz Rejane de Oliveira.


Os professores voltaram ao trabalho normalmente nesta quarta-feira (21) depois da paralisação do dia anterior em parte das escolas do estado. O objetivo da pressão, que era evitar a aprovação do projeto, não foi atingido. No entanto, o Cpers não descarta uma greve geral da categoria nos próximos meses se as negociações não avançarem.


“Estamos em estado de greve. Isto significa um estágio anterior à greve e a construção dela. Vamos fazer uma avaliação destas duas últimas semanas de protestos e elaborar um novo calendário de lutas e mobilizações. Vamos debater e organizar a categoria em busca do piso nacional, que é um direito de todos os professores”, afirma Rejane de Oliveira.


O Piratini alega não ter recursos para pagar o piso nacional. Só o reajuste de 23,5% concedido na terça-feira terá um impacto de R$ 856 milhões nos cofres públicos. Mais do que isso, o governador Tarso Genro já afirmou que não reconhece o Fundeb (que teve aumento de 22,22% em relação a 2011) como base para reajuste do piso nacional, mas sim o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), cuja variação foi de 6,08%.


Para o secretario estadual de educação, Jose Clovis de Azevedo, o reajuste aprovado na terça-feira foi um passo importante para o pagamento do piso. Ele afirmou ao G1 que o Governo não enviará à Assembleia o projeto de outros 28,98% de aumento salarial enquanto não negociar com a categoria. A possibilidade de greve também não afeta o governo.


“O pagamento do piso pelo Fundeb é impagável. Achamos que os professores merecem mais, mas não temos como aplicar esse reajuste. A mobilização dos professores é justa, faz parte da democracia. Mas não há nenhuma mobilização ou pressão que vá fabricar dinheiro. Não vamos aprovar uma lei que não pode ser cumprida”, argumenta.


Fonte: G1



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