Ter�a, 16 de junho de 2026, 14:59h
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Há cerca de um ano iniciou em Canguçu a Escola Família Agrícola da Região Sul (EFASUL), sendo a quarta a ser instalada no Estado e a 150ª no país. Voltada para o jovem do campo, a premissa é capacitar - através do curso de ensino médio Técnico em Agroecologia -, filhos de agricultores por meio de suas vivências, conciliando o meio acadêmico, desenvolvendo o aprendizado junto à pedagogia da alternância, na qual o aluno fica uma semana na escola comunitária, com aulas com carga horária integral e ações lúdicas à noite, e na outra semana em casa, podendo praticar na localidade o que é ensinado.
Os pais participam com frequência de encontros promovidos pela Escola e contam para os monitores a evolução dos filhos, tanto no interesse pelo campo, quanto no comportamento individual e em grupo. “O relato desses pais indica que essa transformação se deu a partir da Escola”, afirma a coordenadora pedagógica Rosane Mota, demonstrando que foi cumprido um dos objetivos. A percepção dos estudantes também muda, com reflexões sobre os profissionais e indivíduos que se tornarão após concluir os três anos e meio de curso, além da relação com a natureza, que é priorizada. “Trazemos a realidade deles para a sala de aula, que faz parte dessa pedagogia, então eles se reconhecem e passam a reconhecer o mundo de outra forma”, afirmou Rosane.
O fato de a Escola ser conectada com as instituições, a partir do Fórum da Agricultura Familiar, acontecimento no qual foi criado, faz com que os 25 estudantes de Canguçu, Pelotas e Cerrito, tenham contato constante com outras instituições, entidades e cooperativas apoiadoras, criando experiências e conhecimentos para o futuro. Para o coordenador da EFA, Cleu Aquino Ferreira, a proposta pedagógica chama a atenção por aproximar o jovem do meio rural. “A EFA não tem o objetivo de obrigá-lo a ficar no campo, mas a EFA desafia o aluno a conhecer a realidade em que está inserido”, comenta.
Para acompanhar a jornada dos estudantes, um dos instrumentos que a Escola utiliza é a tutoria, na qual os educadores são responsáveis por acompanhar o desenvolvimento dos alunos, observando de que modo ocorre a evolução de cada um, tanto em atividades em grupo, em atividades didáticas, como em ações nas propriedades e nas relações de convívio. Há também o plano de estudos, com a dinâmica de que o estudante leve para a sua casa, nas sextas-feiras, questões que são construídas em aula, com o objetivo de pesquisar junto à família e à comunidade determinados temas como, por exemplo, a separação do lixo, estimulando também a escrita.
As visitas, que também complementam o instrumento pedagógico - e são realizadas duas vezes por ano -, têm a intenção de fazer com que os tutores conheçam a realidade de cada aluno para que possam articular os conteúdos em sala de aula. Junto dos tutores, técnicos agrícolas de instituições parceiras auxiliam nessas ações, para avaliação e orientações nas propriedades. Essas condições de ensino-aprendizagem fazem com que os estudantes sejam atendidos de maneira personalizada.
Ferreira também destaca as rodas de conversa, que ocorrem antes dos períodos principais das refeições. Todos os dias são repassados recados que correspondem àquele horário aos destaques positivos e negativos que ocorreram e a resolução imediata, o que, segundo o coordenador, faz parte da construção pessoal e educativa.
EFASUL
A Escola Família Agrícola da Região Sul é formada por 12 educadores, com mais três integrantes que participam do processo pedagógico, o que, conforme informações da Escola, totaliza 15 educadores, além de 25 estudantes que são provenientes de famílias atendidas pelo Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com vulnerabilidade social. Essa foi uma opção da EFASUL, pois é uma alternativa dada para que sejam alcançadas melhores condições de vida.
O grupo de alunos é constituído por 10 meninas e 15 meninos, o que demonstra uma nova realidade na inserção da mulher no ensino para o meio rural, além de a turma ser formada, em sua maioria, por adolescentes de 15 a 17 anos, e pessoas com faixa etária de 20, 40 e 50 anos, que, ao final do curso, receberão o certificado do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul).
Atualmente, a Escola funciona no Centro de Formação de Agricultores de Canguçu (CETAC), local cedido pela Emater/RS por mais cinco anos. A proposta, neste período, é de construir uma sede próxima ao CETAC em formato de mutirão, de forma que qualquer pessoa possa colaborar, a partir da técnica de bioconstrução. Neste momento, o projeto já está em andamento.
Apoiadores
São instituições apoiadoras da Escola a Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Universidade Católica de Pelotas (UCPel); IFSul; Universidade Federal do Rio Grande (FURG); Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG); Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF); Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Cooperativa União; União das Associações Comunitárias de Canguçu (UNAIC); Emater/RS-Ascar; Movimento Quilombola; prefeituras municipais da região; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); e Fórum da Agricultura Familiar.
Redator: Tradição Regional
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