Segunda, 15 de junho de 2026, 02:56h
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Na última semana, o secretário Municipal de Educação e vice-prefeito da cidade, Gilson Gomes, já havia admitido que o problema do transporte escolar pudesse ser classificado como crônico. A manutenção nas estradas rurais é um dos pontos críticos, já que os veículos escolares muitas vezes tentam rodar, não conseguem, e pela quantidade reduzida de máquinas e sucateamento da maioria dos equipamentos, a questão se agrava.
Na manhã de segunda-feira (25), exaustos de não serem ouvidos pelos gestores, a comunidade rural da Escola Estadual Zeferino da Silveira, do 2º Distrito, como diz o dito popular, “parou os pés”. Os responsáveis pelos alunos fecharam o portão do colégio e só concordam em abri-lo se o prefeito Vitor Ivan Gonçalves Rodrigues comparecesse ao local para ouvir as reivindicações e, principalmente, assegurasse a reestruturação com relação ao transporte escolar e aos trechos de chão batido.
Problemas
Para chegarem até o educandário, localizado no Assentamento Fortaleza, os professores saem 7h15 de Piratini, vão até a Escola Viera da Cunha, no 5º Distrito, ali aguardam uma van - que transporta alunos de outra localidade -, para só depois embarcarem. Tanta demora assim atrasa o conteúdo em aula.
Os problemas se agravam. Em vez de quatro horas de aulas, os estudantes recebem apenas duas horas e meia e isso é dada à falta de transporte para os professores. Mas tudo pode piorar. O Estado, com sua falta de estrutura e pouca atenção às escolas rurais, criou uma situação tão ou mais crítica que o transporte ineficaz, e muitas vezes inexistente. “A situação é insustentável. Hoje, são três turmas em uma só aula. Como que os professores vão dar a matéria e depois explicá-la?”, questiona Eliane Vargas Monteiro, que vivencia o déficit de aprendizado dos dois filhos que estudam na Zeferino. Conforme afirma, 1º, 2º e 3º anos recebem as lições diárias no mesmo espaço e em horário reduzido. “São duas horas e meia de aula, se não chover e tiver qualquer problema na estrada”, disse uma das mães.
Para não tornar a situação ainda mais caótica, a diretora da Zeferino da Silveira, Esmeralda Iribarrem, mesmo sem ser remunerada para tal, juntou outras duas turmas em uma mesma sala e diariamente repassa as lições aos alunos.
Mesmo diante de tantos problemas, o prefeito não satisfez a vontade de quem protestava. Horas depois de o protesto ir à imprensa, a Prefeitura entrou em contato com os manifestantes propondo marcar uma reunião para dois dias depois, mas, cansados da situação, a proposta não foi aceita. Restou então ao vice-prefeito se deslocar até a Escola. Gomes assegurou que um dos veículos necessários será providenciado imediatamente e que o outro, para os professores, também será disponibilizado em breve.
Redator: Tradição Regional
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