Domingo, 14 de junho de 2026, 16:15h
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*Com informações de Paulo Porto Gonçalves
A ideia de que o acesso à cultura é a condição fundamental para a formação da cidadania, foi um dos princípios básicos que motivou a Maçonaria a criar o Ginásio Pelotense, em 1902.
Naquele tempo, o ensino era restrito às famílias de classes altas e que poderiam proporcionar aos filhos estudos nas capitais brasileiras e Europa. No Extremo Sul do Estado, o acesso aos cursos superiores dependia da aprovação dos “exames preparatórios”, que eram realizados em Porto Alegre. Por isso, Pelotas e a Região Sul como um todo sentiam falta de uma escola de segundo grau, com ensino gratuito para ambos os sexos.
Assim, a Maçonaria pelotense criou o Ginásio, com estrutura organizacional equiparada ao modelo do Colégio Dom Pedro II, do Rio de Janeiro. A escola acolheu os jovens que foram impedidos de prosseguir os estudos por algum motivo e aqueles que não possuíam condições de angariar custos e que se destacassem pelo bom aproveitamento escolar. As primeiras turmas de bacharéis em Ciências e Letras foram formadas em 1908.
O corpo docente e administrativo do Ginásio Pelotense era formado apenas por maçons, até 1921, quando se efetivou a transição para a esfera municipal, em decorrência de mudança da legislação federal, em 1915, que restringia às escolas públicas a equiparação ao Colégio Dom Pedro II.
Diante do impasse e como forma de manter o bacharelado no Pelotense, a Maçonaria propôs a sua municipalização ao Dr. Pedro Luiz Osório, intendente de Pelotas e maçom, o que se efetivou nominalmente em 1917, sob o nome de Colégio Municipal Pelotense, embora a assunção da escola pelo município tenha sido gradativa.
Para o Dr. Paulo Porto Gonçalves, o Colégio é um símbolo de liberdade intelectual, onde as mulheres tiveram garantia de igual direito para estudar as mesmas disciplinas e livros que os meninos, sendo a vitória do ensino de qualidade, o que colocou Pelotas como referência no cenário da educação nacional.
Criado inicialmente como sociedade literária, o Grêmio dos Estudantes foi a primeira associação estudantil na cidade, que promovia sessões culturais e debates relacionados ao país.
Já na década de 40, o Grêmio promovia, anualmente, festivais e a tradicional passeata do “Gato Pelado”, que percorria as ruas centrais, baseado no humor, refinado e irônico. Seus cartazes, de forte conteúdo político de protesto, faziam crítica aberta e corajosa aos eventuais desmandos da classe.
De acordo com Gonçalves, “é na escola que florescem os exemplos trazidos do lar, conduzidos pelo mestre nos caminhos da ética e da moral, no estudo das artes e das ciências, substanciando os direitos individuais, no rumo da perfeição, da consciência cívica, do amor à Pátria”.
Na próxima terça-feira (24), o Colégio Municipal Pelotense, completa 115 anos de história.
Redator: Tradição Regional
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