Sexta, 10 de julho de 2026, 20:29h
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Fernanda exibe Termo de Informação registrado no Ministério Público
Promotoria de Canguçu analisa medidas a serem tomadas sobre possíveis falhas na prova de Agente Comunitário de Saúde da Dengue
Duas candidatas que prestaram prova prática de Informática para o cargo de Agente Comunitário de Saúde da Dengue entraram com recurso no Ministério Público de Canguçu pedindo anulação do exame. Noira Fernanda Braga e Simone Volz apontaram supostas falhas no trabalho dos fiscais da empresa Energia Essencial durante as provas do concurso público da Prefeitura de Canguçu, aplicadas no sábado e no domingo.
Recomendadas pelo Ministério Público, elas recolheram assinaturas daqueles que também se sentiram prejudicados. A medida foi uma forma preventiva adotada para evitar que uma possível avalanche de pedidos semelhantes aos delas chegassem ao órgão.
Assim, quem assinasse o documento disponível na Rádio Cultura AM estaria concordando com o pedido de anulação da prova prática para o cargo de Agente Comunitário de Saúde da Dengue. Para assiná-lo, bastava comparecer à emissora portando o CPF. As provas para Fiscal Tributário também foram alvo de insatisfação.
“Procurei a Comissão (de Coordenação e Fiscalização) do Concurso e disseram que não podem interferir neste caso, pois há uma empresa contratada para prestar as provas, e é ela (Energia Essencial Concursos) quem deve esclarecer se houve falhas”, disse Noira Fernanda.
Segundo ela, no último sábado (12) os fiscais chegaram à escola Firmina Simon, no bairro Vila Nova, por volta das 8h, horário previsto para o início das provas. Cerca de 180 candidatos foram orientados a aguardar em salas, sem critério de separação, até que fossem chamados. Candidatos também teriam chegado depois do horário e, ainda assim, sido submetidos às provas. Além disso, os computadores teriam apresentado problema e uma empresa da cidade foi chamada para dar manutenção. Tudo isso durante o horário das provas.
“A fonte para formatar o texto exigido na prova sequer estava instalada nos computadores. Isto comprova que as máquinas não foram verificadas antes das provas” analisa a candidata, que também havia prestado prova para Agente Fiscal de Trânsito.
Na sala em que ela aguardava o chamado dos fiscais, outros candidatos teriam usado o celular para fazer chamadas e enviar mensagens antes da prova. Somente dois fiscais teriam sido apresentados como representantes da Energia Essencial. As outras pessoas que estavam no prédio para garantir a segurança do processo seriam funcionários da Prefeitura de Canguçu. O pouco efetivo de fiscais teria permitido, por exemplo, que os candidatos deixassem a sala de prova sozinhos para irem ao banheiro, o que era proibido segundo o edital.
As provas que aconteceram simultaneamente nas escolas Firmina Simon e Reverendo Joaquim teriam recebido diferentes critérios de aplicação por parte dos fiscais. Outra reivindicação de Noira Fernanda é referente à supervalorização do teste de informática para um cargo na área da saúde.
“Entendo que vai fazer parte do trabalho a digitação de relatórios sobre a verificação do mosquito da dengue. Mas a prova de informática não poderia ser critério fundamental para ser aprovada para o cargo”, opina.
Energia Essencial é acusada por suposto esquema de fraude
Em reportagem especial publicada pelo jornal Zero Hora no último domingo (13), a Energia Essencial, contratada para executar o concurso público em Canguçu, é acusada de integrar um esquema que deveria beneficiar 28 candidatos com algum vínculo com a Prefeitura de Itati, no Litoral. O episódio aconteceu em fevereiro e acabou com a prisão do secretário de Administração, Oziel Witt. Além dele, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por falsidade ideológica o prefeito Luiz Carlos Chaves e Rodrigo Melo Ferreira e Carlos Gilberto Souza dos Santos, os dois sócios da empresa organizadora Energia Essencial, com sede em Porto Alegre.
Ainda de acordo com o jornal Zero Hora, a Energia Essencial, implicada no caso de Itati, também é responsável por diversos certames questionados por falhas de organização.
O que diz a empresa
Ao jornal Zero Hora, Rodrigo Melo Ferreira, um dos sócios, afirma que a empresa ainda não tem explicação para o caso de Itati, mas avalia que foram vítimas da disputa política na cidade. Assim como o outro sócio, Carlos Gilberto Souza dos Santos, sustentam que não tinham conhecimento da denúncia do MP. Em Palmeira das Missões, uma semana antes da prova foram avisados pela prefeitura de que não haveria locais suficientes e, por isso, o concurso teria de ser dividido em dois turnos. Notaram, então, que teria ocorrido a repetição de três questões para um cargo. Teria sido acertada a reaplicação da prova, mas depois a prefeitura teria decidido cancelar o contrato por pressão política. Em Carlos Barbosa, profissional contratado para elaborar a prova de enfermagem teria tirado questões da internet sem avisar a empresa. No episódio de Encantado, lembram que o MP acompanhou o concurso e a seleção prossegue.
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