Sexta, 10 de julho de 2026, 19:09h
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Mato já invadiu escola abandonada em Marcelino
Ramos
Desde 2006, 349 colégios estaduais foram fechadas no estado.
Apenas 39% destes prédios estão em uso, segundo dados do governo.
Dados da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul mostram que mais de 300 escolas públicas foram fechadas desde 2006 devido à falta de alunos. Seis anos depois, a maioria delas está abandonada. Somente 39% destes prédios estão em uso e apenas 8% funcionam como escolas. Segundo o levantamento, 212 prédios foram abandonados, depredados ou invadidos.
O governo reconhece que manter as estruturas fechadas gera gasto. Atualmente, o estado aluga 96 prédios para o funcionamento de escolas. Segundo o diretor administrativo da Secretaria de Educação, Claudio Sommacal, o processo para regularização é burocrático. "Tenho um conjunto de processos, principalmente de pequenas escolas do interior fechadas nos três últimos governos, e que demandam documentos. Para podermos passar estas áreas para o controle dos municípios, precisamos regularizá-las, por isso a demora em alguns casos. Tem que tramitar na Justiça, e até não termos todos os documentos, não podemos fazer a doação, é uma exigência legal", explicou.
Uma das escolas abandonadas está em Marcelino Ramos, no Norte do estado. As aulas foram encerradas em 2009, por falta de alunos. No local, provas, livros, certificados e outros documentos seguem espalhados pelo chão do prédio. "As crianças não querem mais voltar para o interior justamente por isso, incentivados a ir para cidade. E estamos com a escola assim, é uma lástima, por tudo o que a gente trabalhou, se doou", disse a professora Iraci Beal.
De acordo com a prefeitura do município, um pedido de repasse do prédio foi feito, mas até agora não há resposta. Por enquanto, o local virou depósito. "A gente teve tantos momentos bons ali, aprendeu tanta coisa boa. Queríamos que tivesse algum segmento para não ficar assim, jogado as traças", comentou o ex-aluno Geraldo Cantelle.
Em Ronda Alta, também no Norte, 120 alunos chegaram a estudar em uma escola que não funciona mais. Em 2007, a estrutura foi ampliada e reformada, mas funcionou apenas até 2010. Hoje, está depredada e até lâmpadas foram levadas. "A gente ganhou uma sala em 2003, que só foi efetiva em 2007, uma sala nova construída e que está aí hoje, aproveitada na verdade por dois anos. Eu tenho muita saudade. Se dependesse de mim eu não fechava", lamenta a ex-diretora Vanderleia Biavati Cortis.
Quando a escola fechou, os 18 alunos foram transferidos para escolas do centro da cidade. "Eu gostava de estudar naquela escola, tinha muitas árvores para a gente brincar, sem falar que era no interior, bem perto de casa", disse a estudante Ana Gabrieli Nunes Lorenzi, de 10 anos.
Fonte: G1
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