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23-07-2018

Especial JTR: Escola Carlos Moreira, de Canguçu, inclui aulas de Língua Pomerana no currículo


Foto: Divulgação O objetivo é desenvolver a línguagem pomerana com os jovens

Em meio a uma época de intensa propagação de informação e significativa modernização de costumes, dado o progresso tecnológico, um projeto ambicioso desenvolvido há cerca de cinco anos em Canguçu, se preocupa em conservar o que não deve se perder no tempo: a cultura.


Enquanto a maior parte dos alunos opta pelo inglês ou pelo espanhol, para 60 alunos do sexto ao nono ano da Escola Municipal Carlos Moreira, a opção preferida passou a ser outra. Desde o início deste ano letivo, a escola oferece uma disciplina inédita na rede municipal e, segundo a professora Tanise Stumpf, provavelmente, no estado: a Língua Pomerana.



Em 2010, a Câmara Municipal de Vereadores aprovou a cooficialização da língua pomerana. A lei oportuniza as escolas municipais a trabalharem a língua dentro do currículo escolar, registrada no Plano Político Pedagógico. 


“Eu lutei anos para que isso acontecesse e agora eu consegui. A Escola Carlos Moreira é atualmente, a única escola do Rio Grande do Sul que trabalha a língua pomerana no currículo. E Canguçu novamente se destaca pela valorização cultural. Além disso, o conhecimento da língua, é um dos pré-requisitos mais presentes nas ofertas de emprego nos comércios do município”, explicou a educadora.


Segundo a professora, a busca surgiu há cerca de cinco anos, quando conseguiu incluir a disciplina na Escola Estadual João de Deus Nunes e percebeu a comunidade escolar embarcando em um sonho coletivo: fortalecer a fala, promover a escrita da língua pomerana nos jovens e reconstruir a confiança dos mais velhos em se comunicarem em sua língua de origem, sem que se envergonhem.


“O estudo da língua tem como base o dicionário de língua pomerana, desenvolvido pelo professor Ismael Tessman após 20 anos de pesquisa. Ela abrange desde coesão e coerência, até a explicação da escolha do uso do trema ou do ‘a coroado’ ”, salientou Tanise.


A disciplina foi ofertada aos alunos do ensino médio até o ano passado na escola.  Neste ano ela saiu do currículo devido a alteração da base comum curricular, estabelecida pela 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE) para as escolas estaduais. Segundo Tanise, a escola foi a única de toda a rede estadual a ofertar a disciplina.


Além da linguagem, a cultura também é trabalhada dentro da disciplina. Dentro do Projeto ECOVIVER, criado em 2006 pelo Grupo Ecorodovias e viabilizado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, visando estimular a conscientização ambiental nas comunidades escolares de ensino fundamental, os alunos demonstraram como seria um Casamento Pomerano Sustentável.


Segundo a professora, em um tempo não muito longínquo, o convite era enviado de casa em casa pelo irmão da noiva, fosse de bicicleta ou a cavalo. As decorações eram feitas com palmas e camélias. A churrasqueira era de tijolos e os espetos de madeira. O bolo era mais simples, menos arquitetado, e feito em casa, pelas mulheres da família. 


Redator: Tradição Regional



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