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30-07-2018

Metade dos docentes no Brasil não recomenda a própria profissão


Foto: Arquivo/Agência Brasil Apenas 21% dos professores dizem estar satisfeitos com a profissão

No Brasil, metade dos professores não recomendaria a um jovem se tornar educador, revela a pesquisa Profissão Docente, iniciativa da organização Todos Pela Educação em conjunto com o Itaú Social, divulgada nesta segunda-feira. Entre as principais razões, destaca-se a desvalorização da profissão.


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De acordo com levantamento feito pelo Ibope Inteligência em parceria com a rede Conhecimento Social, a maioria (78%) dos educadores disse que escolheu a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão. Entretanto, depois de ingressarem no mercado de trabalho, 33% afirmam estar totalmente insatisfeitos e apenas 21% expressam total satisfação com o trabalho.


Durante a pesquisa, foram entrevistados 2.160 profissionais da educação básica em redes públicas municipais, estaduais e privadas de todo o país sobre temas como formação acadêmica, trabalho e valorização da carreira. A amostra respeitou a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do país, segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).


Para o diretor de políticas educacionais da organização Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, os dados são preocupantes. Ele reforçou a necessidade de repensar a valorização do profissional educador brasileiro. “Há bastante tempo conhecemos o desafio da desvalorização docente, mas acho que os novos dados chegam para reforçar e, mais uma vez, mostrar que temos um longo caminho a ser trilhado na educação, no que diz respeito ao prestígio do professor”, afirmou.


Formação


Os docentes apontam como medidas mais importantes para a valorização da carreira a formação continuada (69%) e a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais (67%). Eles consideram urgente a restauração da autoridade e o respeito à figura do professor (64%), além do aumento salarial (62%).


Para o diretor Nogueira Filho, os números passam relevante mensagem no sentido de desmistificar o senso comum, que coloca a questão salarial como o principal problema para a carreira docente no país.


“O debate, de modo geral, tem colocado ênfase, de maneira quase isolada, a questão salarial. E, de fato, esse ponto surge no conjunto das principais medidas que as pessoas entendem como importantes para valorizar o docente, mas não aparece na pesquisa como fator principal. Acho que isso traz uma questão importante sobre a discussão, que precisa ir além da questão do salário”, acrescentou.


A remuneração média dos professores no Brasil atualmente, segundo a pesquisa, é de R$ 4.451,56. A maioria dos docentes (71%) tem a profissão como principal renda da casa e 29% afirmam ter outra atividade como fonte de ganhos complementares.


Segundo o levantamento, um em cada três professores tem contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e no cumprimento de um terço da carga horária, prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extraclasse. Ao menos 58% dos professores afirmam ter tempo remunerado fora da sala de aula. Contudo, somente cerca de 30% dos docentes dispõem de carga horária exclusivamente para planejamento de aula.


Políticas públicas


Os profissionais ouvidos pela pesquisa consideram que é papel das secretarias de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que programas educacionais, como um todo, estejam bem alinhados à realidade da escola (66%). Os docentes apontam a falta de um "bom canal de comunicação" entre a gestão e os professores (64%) e dizem que não há envolvimento dos educadores nas decisões relacionadas às políticas públicas (72%). Eles também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões psicológicas e de saúde (84%).


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Falta de confiança


Ainda segundo o diretor Otávio Nogueira Filho, os indicativos mostram que a falta de confiança entre o professor e as secretarias estaduais e municipais de educação é outro desafio a ser enfrentado. “Uma parcela significativa dos docentes diz não acreditar que a secretaria tem lançado mão de políticas que tenham aderência à sua escola e, mais do que isso, mostram descrença com relação ao próprio compromisso da instituição educadora para com a aprendizagem dos alunos”, declarou.


O governo federal anunciou, em fevereiro deste ano, o aporte de R$ 1 bilhão para a Política Nacional de Formação de Professores, com objetivo de financiar 190 mil vagas em três diferentes iniciativas para formação docente: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), o Programa de Residência Pedagógica e a Universidade Aberta do Brasil (UAB).


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“São políticas que apontam no sentido correto e desejável, mas considerando a magnitude do desafio é razoável dizer que são insuficientes para, de fato, reverter o cenário que a pesquisa traz no que diz respeito à valorização da profissão, das estruturas da carreira e a qualidade da formação, tanto do ponto de vista inicial quanto continuado”, disse.


Para finalizar, ressaltou a urgência de mudança estrutural na formação inicial dos docentes. Na sua opinião, o governo federal pode ter papel importante na indução de melhorias a partir da criação de parâmetros de estruturação de carreira que possam ser seguidos pelas secretarias de educação.


Procurados pela reportagem, o MEC e o Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) não se manifestaram até a publicação da matéria.


Redator: Agência Brasil



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