Quinta, 04 de junho de 2026, 06:37h
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Com um bloqueio de 30% do orçamento, estudantes, professores e trabalhadores lidam com a incerteza do que acontecerá após o mês de setembro.
A posição oficial da reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é que , se não houver recuo por parte do governo na medida, a instituição deverá fechar suas portas em setembro deste ano.
Inicialmente o corte dos 30% atingiria a Universidade de Brasília (UnB), à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade Federal da Bahia (Ufba), mas o MEC anunciou na noite da última terça-feira (30) que o corte seria, na verdade, para todas as universidades e institutos federais do Brasil.
Em nota, a UFPel afirmou que os cortes atingirão todas as categorias dos setores terceirizados, entre eles, a vigilância, as portarias, o restaurante universitário, os transportes e os serviços gerais prestados.
Outro setor de estrutura atingido pela medida seria o abastecimento de energia elétrica na instituição. Segundo a instituição, não haverá dinheiro suficiente para o pagamento da conta de luz.
Além disto, a universidade aponta que a medida atingirá diretamente as bolsas de pesquisa, ensino e extensão, prejudicando a sua existência.
Nas redes sociais, o reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal argumentou que a instituição não tem margem orçamentária para a realização dos cortes e que por esse motivo, em setembro, a UFPel poderá ter suas portas fechadas.
Em seu perfil pessoal, Hallal emitiu uma nota sobre a preocupação da instituição. Confira alguns pontos:
"As Universidades Federais são um patrimônio da sociedade brasileira. Elas são responsáveis por 90% da produção científica do país, mesmo contando com apenas 20% dos alunos de ensino superior do Brasil. Só para citar um exemplo da UFPel, ajudamos a prevenir a morte de milhões de crianças no mundo por meio da descoberta de que a amamentação exclusiva até os seis meses de vida reduz o risco de morte infantil. Por essa descoberta científica, um professor nosso é cotado para receber o Prêmio Nobel”.
O reitor criticou ainda a relação do Governo Federal, sob a administração de Jair Bolsonaro (PSL), com as universidades: "Assim, comparar o custo de um aluno numa Universidade pública com aquele de uma creche não apenas demonstra desconhecimento, como também demonstra desonestidade intelectual. Não é razoável imaginar que instituições responsáveis por 90% da produção científica do país tenham o mesmo custo que outras com enfoque exclusivo no ensino. […] É inadmissível o ataque que as Universidades Federais vêm sofrendo recentemente por parte do Governo Federal e mais especificamente do Ministério da Educação. Nessa semana, nosso já apertado orçamento foi subtraído em 30%. Pior, o próprio Ministério da Educação informa, por meio de nota à imprensa, que, caso a Reforma da Previdência seja aprovada, o corte no orçamento pode ser revisto".
Atualmente, a Universidade Federal de Pelotas dispõe de 96 cursos de graduação, sendo avaliados com notas 4 ou 5 nas avaliações do MEC, quatro unidades básicas de saúde,um hospital universitário e centenas de projetos de extensão.
O ministro Abraham Weintraub afirmou que o corte era “preventivo” e válido apenas para o segundo semestre. De acordo com nota do MEC, a medida poder ser revista caso o cenário econômico do país melhore e a reforma da previdência seja aprovada.
Redator: Tradição Regional
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