Quinta, 04 de junho de 2026, 05:32h
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A partir de setembro, caso os cortes não sejam revertidos, UFPel não conseguirá manter atividades acadêmicas
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Anderson Correia, encaminhou e-mail a todos os pró-reitores de pesquisa e pós-graduação informando sobre o corte de todas as bolsas “ociosas” de mestrado e doutorado. O termo é usado para definir o período entre a defesa de um estudante e a chamada do próximo, por meio de edital. A medida inclui editais abertos.
Segundo nota publicada pelo reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, na noite da última quarta-feira (8), foram cortadas três bolsas de mestrado, 10 bolsas de doutorado, quatro de pós-doutorado e duas do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). “Todas as bolsas do CAPES PRINT, o grande programa de internacionalização das universidades brasileiras, financiado pela CAPES, também estão bloqueadas. O sistema simplesmente não aceita a inserção de novos bolsistas”, acrescenta.
Ainda em nota, Hallal afirmou que nenhuma medida foi tratada com reitores e reitoras das universidades federais. “...Como os leitores podem imaginar, nenhuma dessas medidas foi sequer tratada... Nem mesmo uma reunião para expor a difícil situação e a necessidade dos cortes. Ao contrário, os mesmos foram implementados primeiro nos sistemas e somente depois informados aos gestores”, informa.
Crise na Educação
Na última semana, também foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) o corte de 30% de instituições federais de ensino. O bloqueio das verbas foi comunicado pelo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Arnaldo Barbosa de Lima Junior, após um outro anúncio, o qual apenas a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), seriam “punidas” pelo que o ministro Abraham Weintraub definiu como “balbúrdia” as manifestações realizadas nas instituições.
Após isso, foi revelado que, na verdade, o corte de 30% será generalizado, preocupando ainda mais gestores e estudantes do ensino superior. Em Pelotas, o reitor Pedro Hallal também se posicionou, afirmando que a UFPel não terá recursos para manter os serviços após agosto. Em outra nota divulgada, Hallal afirma que “a previsão é de R$ 74 milhões e há disponível somente R$ 51 milhões após os cortes anunciados na semana passada”.
“Nosso orçamento, planejado com a devida antecedência, foi preparado com base na expectativa da Lei Orçamentária Anual. Não há hoje qualquer possibilidade de readequar os contratos mais onerosos para a instituição no meio do ano. Temos dinheiro para pagar as contas da UFPel até o final de agosto. A partir de setembro, caso os cortes não sejam revertidos, não conseguiremos pagar a conta de luz, os contratos de terceirização e a alimentação dos Restaurantes Universitários, só para citar os principais itens de dispêndio da UFPel. No caso dos investimentos, uma Universidade não fecha por falta de recursos, mas fica sucateada”, diz em nota.
Redator: Tradição Regional
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