Sexta, 10 de julho de 2026, 00:45h
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para o secretário de Educação do Estado, Jose Clovis de Azevedo, o processo educacional no país é desigual
Sempre tratada como um dos pilares das campanhas eleitorais e dos programas de governo no Rio Grande do Sul, a educação patina e preocupa no Estado, que tem o pior desempenho da Região Sul. Na quarta publicação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) desde 2005, o Estado não alcançou metas que haviam sido estabelecidas para 2011, principalmente no ensino médio, o patinho feio da educação no país. Depois de desempacar do Ideb de 3,7, repetido em 2005 e 2007, para os 3,9 de 2009, o índice do Ensino Médio no Estado voltou ao patamar de seis anos atrás, os mesmos 3,7. Com isso, a meta planejada pelo Ministério da Educação para o ensino médio gaúcho ficou por terra. Deveria ter sido quatro.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sociólogo Marcio da Costa diz que a baixa variação do Ideb no Rio Grande do Sul sugere uma estagnação. A pouca capacidade de investimento do Estado pode explicar parte dos problemas, mas a gama de fatores que influenciam negativamente o ensino médio é vasta. Passa pelo currículo defasado e pelos embates entre governo e professores. “Eu esperaria que o Estado estivesse acima da média nacional. As metas do Ideb são modestas”, diz Costa. O Ideb é calculado a partir da combinação sobre o desempenho de estudantes nos exames Prova Brasil ou Saeb, combinadas com taxas de aprovação, reprovação e abandono.
Responsável pelo Ideb, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traça como objetivo ao país chegar ao índice seis em 2021. O secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, questiona a forma como o Ideb é montado no ensino médio, por meio de amostragem no terceiro ano, o que não formaria um panorama completo. Ele salienta que, apesar da queda no índice, houve uma pequena melhora na aprovação dos alunos no Estado. “No ano passado, constatamos a situação crítica do ensino médio e iniciamos a discussão da proposta da reestruturação. Neste ano, começou a ser implantado no primeiro ano. Será implantado só em 2014 no terceiro ano. Portanto, a prova feita no ensino médio está completamente descolada desse processo”, argumentou.
No ensino fundamental, o panorama também preocupa: nos anos finais, o Estado não atingiu a meta estabelecida pelo MEC. O Estado foi a segunda unidade da federação que ficou mais distante de suas metas no ensino médio estadual. À frente, somente Alagoas (Ideb de 2,6 para uma meta de 3,1). No ranking geral do ensino médio estadual, Alagoas é o último. Na sua região, somente o Rio Grande do Sul patina. Santa Catarina é nada menos do que o líder do ensino médio do país, com Ideb de 4,3, dois décimos acima da meta e 0,6 ponto acima da média nacional. O Paraná é o terceiro, com Ideb 4 e meta de 3,9. Com essa paisagem, parece hercúleo o trabalho de transformar em cisne o patinho feio do ensino médio gaúcho.
Os dados divulgados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na terça-feira lançaram um sinal de alerta para a educação no Rio Grande do Sul. Abaixo das metas nos anos iniciais do ensino fundamental e no ensino médio, e estagnado nos anos finais do ensino fundamental, o RS tem o pior desempenho entre os Estados da região sul do Brasil. Ao assumir o cargo, em 2011, o secretário da Educação Jose Clovis de Azevedo verificou uma "situação crítica" nos níveis de alfabetização e no ensino médio.
Segundo ele, a medida imediata foi intervir na alfabetização e os resultados superaram as expectativas. “Continuamos investindo na reestruturação curricular das séries iniciais do Ensino Fundamental, que, aliada às novas tecnologias e aos investimentos na formação dos professores, vai impactar positivamente (no próximo Ideb)”, afirmou Azevedo em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. O baixo investimento na área, ressalta o secretário, tornou a educação em uma crise nacional.
Conforme explicou, países como Coreia do Sul e Finlândia disponibilizam de US$ 8 mil a US$ 12 mil anuais por aluno. No Brasil, a cifra não passa dos US$ 2 mil por estudante. Para Azevedo, o processo educacional no país é desigual, onde algumas escolas "avançam muito e outras menos". A intenção do Ministério da Educação em reduzir o número de disciplinas obrigatórias, que hoje são 13, é vista com bons olhos pelo secretário. “O currículo está defasado, não é possível que abranja tudo. É preciso estabelecer prioridades. Em vez de fragmentar em várias disciplinas, é necessário diversificar por áreas do conhecimento”, declarou.
Confira as médias gerais alcançadas pelos municípios da região
Arroio do Padre
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 3,7
Ideb de 2011 – 4,6
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,7
Ideb de 2011 – 3,6
Canguçu
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 –5,0
Ideb de 2011 – 5,3
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 4,4
Ideb de 2011 – 3,6
Capão do Leão
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,1
Ideb de 2011 – 5,1
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,6
Ideb de 2011 – 4,0
Cerrito
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,5
Ideb de 2011 – --
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – --
Ideb de 2011 – --
Jaguarão
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 3,6
Ideb de 2011 – 4,0
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 2,4
Ideb de 2011 – 2,5
Morro Redondo
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – --
Ideb de 2011 – 4,4
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,5
Ideb de 2011 – 3,2
Pedro Osório
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,2
Ideb de 2011 – --
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – --
Ideb de 2011 – --
Pelotas
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,0
Ideb de 2011 – 4,5
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,1
Ideb de 2011 – 3,4
Pinheiro Machado
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,3
Ideb de 2011 – 5,0
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,7
Ideb de 2011 – 3,7
Piratini
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,5
Ideb de 2011 – --
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – --
Ideb de 2011 – --
São Lourenço do Sul
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,4
Ideb de 2011 – 5,0
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 4,2
Ideb de 2011 – 4,7
Turuçu
1ª a 4ª série
Ideb de 2009 – 4,2
Ideb de 2011 – 5,2
5ª a 8ª série
Ideb de 2009 – 3,5
Ideb de 2011 – 4,5
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