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26-10-2012

Alunos e moradores impedem retirada de árvores em Piratini


Foto: Divulgação Protesto impediu continuação de obras

A quarta-feira (24) marcou mais um capítulo da discussão em torno da construção da agência do INSS em área doada pela Prefeitura de Piratini ao órgão. No início da manhã, quando o motor das máquinas e dos caminhões foi acionado para a retirada de algumas árvores e preparo da base para a obra, que já está em processo de licitação, iniciou a confusão, gerando impasse que ainda persiste.


Na ocasião, alunos da escola estadual Rui Ramos, após solicitarem autorização da direção da instituição e interessados em defender o espaço utilizado para prática de atividades físicas, postaram-se em frente a uma retroescavadeira e impediram a continuação dos trabalhos no terreno – que possui mais de oito mil metros quadrados e localiza-se nos  fundos da escola. Eles foram seguidos por proprietários e funcionários de uma fábrica de confecção situada em frente ao local que pararam suas atividades para tentar impedir o trabalho.



Durante a manifestação, a Brigada Militar foi chamada para manter a ordem e a prefeitura registrou boletim de ocorrência na Policia Civil. “Quando começamos a retirada das árvores, que seriam transplantadas para o balneário municipal com permissão da FEPAN, fomos impedidos pelos alunos em protesto. Diante da possibilidade de por em risco a integridade física deles, mandei parar o trabalho e registrei queixa na DP contra a diretora Márcia que colocou em risco os alunos, em horário de aula”, acusa Glauber Moraes, coordenador de Meio Ambiente do município, assegurando que enquanto a questão não for resolvida, as máquinas vão ficar paradas. 


Moradores acusam não cumprimento de acordo


Segundo Marcel Drum, um dos proprietários da confecção, e representante da comunidade que vive em torno do terreno, em audiência pública realizada há menos de um mês ficou estabelecido que nenhuma obra seria feita no local até o acordo final. “O João Paulo [assessor jurídico da prefeitura] nos garantiu nessa audiência, com a presença também dos representantes da justiça, que somente após a análise e definição de uma área para uso da escola Rui Ramos, o processo continuaria”, conta.


No entanto, conforme ele, não foi o que ocorreu. “Eles foram chegando e derrubando o que tinha pela frente”, afirma Drum, que há dois anos iniciou um abaixo assinado para impedir as construções na área, cujo projeto inicial previa um espaço para a Defensoria Pública, para o Fórum e para uma casa de Reik. “Aqui, além da cedência de um terreno maior para o colégio, queremos também a construção de uma praça. Sem isso, nós não permitiremos a derrubada das árvores”, garante.


Diretora do Rui Ramos garante luta até o fim


Márcia  Amaral repetiu a posição de Marcel com relação ao decidido na audiência pública. “Estou surpresa com essa atitude e as crianças estão desesperadas. Queremos uma posição da prefeitura, pois consideramos isto uma invasão, já que o processo ainda está correndo”, considera. De acordo com a educadora, sempre houve diálogo entre as partes e a escola nunca deixou de participar dos debates sobre o tema. “Concordamos que a área destinada a nós está ociosa, mas é por falta de uma decisão definitiva sobre o local, o que nos impede de dar seguimento aos planos para o local. Não vamos deixar fazer o prédio sem um acordo final. Vamos lutar até o fim”, assegura.


Contraponto


O representante da Prefeitura de Piratini, Patrick Pereira, responsável pelo setor jurídico do órgão, negou que durante a audiência pública realizada com os envolvidos, a prefeitura tenha assegurado a estes a paralisação do projeto. Ele lembrou que a área onde será construída a agência não pertence mais ao município e sim ao INSS. “O que pode ocorrer é a desistência do instituto em trazer a agência para Piratini, destinando esta para outra cidade da região”, explica.


 


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