Ter�a, 07 de julho de 2026, 15:54h
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Mais de 300 pessoas, entre estudantes e professores, protestaram contra novo modelo do Ensino Médio Politécnico
Na manhã de sexta-feira (17), um grupo de mais de 300 pessoas, entre elas alunos do Ensino Médio das escolas Walter Thofehrn, Cruzeiro do Sul, Rodolfo Bersch e Santa Isabel, protestaram contra o novo modelo do Ensino Médico Politécnico, que, para eles, não vem dando certo. “A ideia de fazer um protesto surgiu mais ou menos há um mês, quando minha turma percebeu que ficar reclamando do que não nos agradava e do que tem dado errado não estava adiantando em nada. Vimos que só chamando a atenção de um público maior talvez conseguíssemos algum resultado”, disse a aluna da Escola Walter Thofehrn, Alice Beiersdorf.
O protesto ocorreu um formato de passeata pelas ruas centrais da cidade com os participantes usando nariz de palhaço e carregando cartazes e faixas pedindo o fim do Ensino Politécnico. O novo modelo de ensino começou a ser aplicado no final do ano passado, com turmas do primeiro ano, abrangendo neste ano turmas do segundo ano e para 2014, turmas do terceiro ano.
No Brasil, o Ensino Politécnico é corresponde à Educação Profissional e Tecnológica, tanto em nível médio, quanto superior, conforme a lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96). Em 2011 discutiu-se uma reestruturação do Ensino Médio no país e o ensino politécnico começou a ser pensado e em 2012 o Governo do Estado começou a implementar o método de ensino que tem como principal mudança o fato de que os alunos passam a ter, além das aulas dos elementos curriculares do Ensino Médio, o desenvolvimento de projetos com atividades voltadas à vivência e a prática do mercado trabalho. Em tese, a formação deveria permitir ao jovem uma compreensão aprofundada do desenvolvimento científico-tecnológico. Entretanto, é justamente essa dificuldade de conciliação do novo modelo pedagógico que os alunos estão reivindicando.
Segundo os estudantes, falta uma avaliação da eficiência, da estrutura escolar e da capacitação dos professores depois de um ano de adesão ao Ensino Médio Politécnico. “Não houve preocupação se há resultados positivos, se está realmente ajudando na nossa formação e acrescentando na vida escolar. Na teoria, este novo ensino médio me parece algo bom e interessante, algo que realmente vá nos ajudar. Mas e na prática?”, completou Alice. A reivindicação mostrou a indignação e preocupação dos alunos, já que o Ensino Médio os prepara também para o vestibular. Alice ressaltou: “nos foi passado que as cargas horárias de matérias importantes, como a matemática seriam diminuídas no terceiro ano, que é onde mais precisamos de reforço para o vestibular e para cursar uma boa faculdade, por exemplo”.
A reivindicação é também mais profunda, abrangendo o aprendizado dos novos professores, que estão se formando nas faculdades. Questionamentos sobre se os professores estão realmente aprendendo a lidar com esse novo modelo foram levantados, já que para os alunos, até os professores sentem-se um pouco perdidos. “A carga horária de aulas aumentou, e as escolas não possuem estrutura para tal, os alunos acabam tendo que ir às aulas ou seminários no período inverso ao que estudam. Os professores também não estão bem instruídos, eles precisavam de tempo para estudar e saber sobre esse ensino, mas não houve tempo”, disse Alaíse Tessmann, aluna do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Walter Thofehrn, que mesmo não sendo afetada diretamente, pois o ensino só será usado nos terceiros anos em 2014, sente que os estudantes estão sendo prejudicados por falta de orientação e estrutura.
Segundo os alunos, as aulas de português e matemática tiveram carga horária reduzida para que seminários fossem inseridos nas aulas. Nesse método de ensino, a carga horária dos professores se manteve igual, e a distribuição de horas deve ocorrer com o planejamento conjunto e interdisciplinar de cada escola. As notas também foram substituídas por conceitos e essa alteração também vem confundindo os alunos. Até o fechamento da edição, o Coordenador da 5ª CRE, Cirio Machado Almeida, não havia se manifestado sobre o assunto. Outros protestos sobre o novo modelo do Ensino Médio Politécnico já ocorreram em municípios do Rio Grande do Sul.
Contraponto
Segundo o coordenador regional de Educação (5ª CRE), professor Círio Machado Almeida a reestruturação curricular é a aposta do Rio Grande do Sul para melhorar a qualidade da educação. “O ensino médio trazia um currículo fragmentado, distante da realidade e dos avanços tecnológicos. Esses fatores exigiram novas formas de organização do Ensino Médio em áreas de conhecimento dialogando com o mundo do trabalho, superando a imobilidade de uma gradeação curricular, a seletividade, a exclusão, que tinha a nota como referência e desconsiderava o processo de aprendizagem do estudante”, afirmou o professor.
A Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, após análise dos elevados índices de reprovação e evasão, apresentou aos professores a proposta de reestruturação do Ensino Médio, de acordo com o coordenador. A 5ª CRE assessora as escolas no processo, utilizando a carga horária que o professor tem para esse fim. “Não se justifica falas de redução de aulas ou conteúdos, visto que há uma ampliação da carga horária de 800 para 1000 horas no Ensino Médio Politécnico”. Ainda de acordo com Almeida, o Governo Federal anunciará em breve a reestruturação do Ensino Médio em âmbito nacional, que se fundamenta nos mesmos pressupostos do Ensino Médio Politécnico gaúcho.
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