Segunda, 06 de julho de 2026, 15:30h
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Em audiência pública realizada neste mês em Jaguarão, representantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) anunciaram os primeiros cursos que serão ofertados na escola técnica do município. Foram diversas tratativas e articulações, até o Ministério da Educação confirmar no início deste ano a construção de uma unidade do IFSul em Jaguarão.
A partir daí foram realizadas uma série de audiências públicas com a comunidade para colher os sentimentos da população e ouvir quais seriam as principais demandas de cursos. Além desses encontros, foram realizadas pesquisas com estudantes, professores e sociedade civil para então fazer o diagnóstico e anunciar quais seriam os primeiros cursos oferecidos na unidade de Jaguarão, que terá cursos binacionais e atenderá além do município, a cidade de Rio Branco (Uruguai) e outras da zona sul.
Inicialmente a escola funcionará no prédio localizado na rua 20 de Setembro esquina com General Osório, o qual foi destinado ao Instituto pelo município. Depois de concluída a obra do novo prédio, a Unidade de Ensino Profissionalizante (UEP) será definitivamente instalada em uma área no Corredor das Tropas, também doado pela prefeitura municipal.
Nesta semana a reportagem do Jornal Tradição Regional conversou com o coordenador pedagógico da Expansão Fase III do IFSul e futuro diretor da UEP de Jaguarão, Fabian Debenedetti, que falou sobre as próximas etapas, cursos e modalidades que serão oferecidos, diplomas binacionais, entre outros temas.
Confira a entrevista completa
J.T.R: Os eixos mais citados durante o processo de pesquisa e levantamento das audiências públicas foram Infraestrutura, Ambiente e Saúde e Controle de Processos Industriais. Neste primeiro momento, como serão oferecidos os cursos e em que níveis?
Fabian Debenedetti: É importante frisar que uma escola deste tipo se constitui e se consolida num processo de anos, até porque ela vem para ficar. Por sermos de fronteira, objetivamos a binacionalidade dos nossos cursos. A primeira modalidade a ser ofertada será a do Curso Técnico Subsequente, ou seja, pós-médio, com duração de dois anos e que vai habilitar o estudante como Técnico em Edificações. Esperamos poder começar no início do próximo ano ou, a mais tardar, no segundo semestre. Paralelamente buscaremos ofertar capacitações dentro do Pronatec, cursos de até duzentas horas, em diversas áreas. Também esperamos ofertar um Proeja integrado, ou seja, com valor de curso de ensino médio, o que nos permitiria atender a um público que não concluiu este nível de ensino.
J.T.R: Muitas pessoas acreditam que o IFSul será apenas para jovens, mas a ideia dele também é resgatar pessoas que pararam de estudar. Qual será o público alvo, quem poderá estudar na UEP de Jaguarão?
F.D: De fato a expansão dos Institutos Federais tem como objetivo recuperar uma caminhada que o Brasil deixou de fazer com relação ao ensino técnico, e pretendemos também ser um instrumento de reinserção no sistema educativo daquelas gerações que deixaram de ser contempladas. O mais importante para nós é o Proeja, ensino profissionalizante destinado a jovens e adultos, que pretendemos oferecer já no ano que vem. Outros programas, como o Pronatec, o Mulheres Mil e o Profuncionário, são também do nosso escopo. Inicialmente, vai ser oferecido o Curso Técnico Subsequente, no turno da noite, neste caso para quem já tem o Ensino Médio concluído. Nesta modalidade não existe restrição de idade, portanto, seguramente teremos alunos de diversas faixas etárias.
J.T.R: Qual a previsão para iniciar um médio integrado?
F.D: Além do Proeja, o curso Integrado só poderá ser oferecido quando o Ministério sinalizar a liberação de mais vagas para servidores. Somente para as disciplinas comuns do Ensino Médio, são necessários 13 docentes (além das disciplinas técnicas). Esperamos que para 2015 isto seja possível.
J.T.R: A previsão inicial é de 10 docentes, seis técnicos administrativos e alguns serviços terceirizados. Há previsão de concurso público para a UEP Jaguarão?
F.D: Sim, seguramente será realizado concurso, ainda que não necessariamente para todas as vagas, na medida em que algumas podem ser preenchidas por meio de remoções internas.
J.T.R: O segundo eixo de encaminhamento aprovado na última audiência foi Controle de Processos Industriais. A ideia é focar na Automação Industrial, que seria o curso mais completo dentro deste eixo?
F.D: De fato, o curso de Automação Industrial nos permite criar uma estrutura de laboratórios e um quadro docente abrangente dentro deste eixo. Assim, a mediano prazo, poderíamos variar o curso oferecido para Eletromecânica, Eletrônica, Mecânica, Eletrotécnica, Mecatrônica ou afins. Também nos permitiria a verticalização com a oferta de algum curso de nível Superior em um futuro mais distante, como um Tecnólogo ou uma Engenharia.
J.T.R: Quais serão as próximas etapas até o início do curso e qual a previsão para o funcionamento da UEP Jaguarão?
F.D: A etapa mais imediata é a conclusão do projeto do prédio e a licitação da obra. Esperamos que isto esteja concluído até setembro. Neste tempo, construiremos o Projeto Pedagógico do Curso, para a base na seleção do corpo docente, e já está acontecendo a compra do mobiliário para equipar a escola.
J.T.R: Como estão as tratativas com a Universidade do Trabalho do Uruguai (UTU) de Rio Branco? Já houve alguma definição sobre o funcionamento de cursos? E sobre diplomas binacionais?
F.D: Começaremos com instâncias formais que nos permitam a construção do Projeto Pedagógico de Curso conjunto numa modalidade binacional e, em contrapartida, iremos definindo que curso a UTU vai ofertar. A UTU já oferece vagas para alunos brasileiros no curso de Arroz e Pastagens, porém sem ainda podermos certificar conjuntamente o mesmo, como aconteceria no curso binacional. Nossa pretensão é que a maioria dos cursos possa ser oferecida de forma conjunta com a UTU, mas isto só é possível na modalidade subsequente, devido às diferentes formas de seriação dos nossos países. O ideal é que o curso Integrado seja oferecido de modo binacional, para uma maior integração dos nossos jovens. Nos próximos anos iremos construindo esta alternativa.
J.T.R: Como avalias o sentimento dos jaguarenses em receber o IFSUL?
F.D: Sem dúvida nos consideramos afortunados. Há uma excelente compreensão do significado da vinda do IFSul. Devo dizer que isto também vem da mão do grande apoio que recebemos por parte das autoridades municipais que têm sido fundamental para a concretização deste projeto. Percebe-se uma vontade muito grande de que a escola dê certo, como mais uma alternativa educativa gratuita e de qualidade vingue. Isto se dá, não só como um sentimento, mas como uma escolha consciente de quem entende que é pela capacitação das pessoas que vai se dar o definitivo desenvolvimento, não só da cidade, como da região.
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