Segunda, 06 de julho de 2026, 03:18h
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No final de agosto, estudantes da ETEC e JDN realizaram uma manifestação em apoio à paralisação dos trabalhadores
Escolas que aderiram ao movimento devem apresentar plano de recuperação das aulas
Professores e funcionários de escolas da rede estadual decidiram suspender a greve iniciada no dia 23 de agosto e continuar a pressão pelas reivindicações da categoria. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada na tarde do dia 13, no Largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre. Com a decisão, as aulas voltaram à normalidade nas duas escolas locais que aderiram à mobilização: Escola Técnica Estadual Canguçu (Etec) e Escola Estadual João de Deus Nunes (JDN). No município, a maioria dos trabalhadores em educação grevistas paralisaram as atividades a partir do dia 27 de agosto.
A adesão de cerca de 70% dos professores da ETEC e 50% da JDN ganhou maior representatividade com o apoio dos alunos das duas escolas, que realizaram uma manifestação no dia 30 de agosto, apoiando o movimento. A presidente do Cpers, Rejane Oliveira, afirmou que o encerramento da greve não significa o fim das manifestações da categoria. Ela também informou que, em 23 de setembro, o sindicato se reunirá para discutir o aumento do vale-alimentação de R$ 7 para R$ 15.
Segundo o governo do Estado, as escolas devem, agora, apresentar um plano de recuperação das aulas. O secretário estadual da Educação, José Clóvis Azevedo, garantiu que os dias parados serão abonados. Ele também afirmou que apenas 16 escolas paralisaram 100% as aulas durante a greve. O Estado já garantiu 24 mil promoções represadas desde o início da década, e admite rediscutir, sem suspender, a reforma do Ensino Médio. O impasse maior, porém, se refere ao pagamento do piso nacional do Magistério. O governo garante ser impossível pagar o benefício enquanto o indicador for o custo-aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) - que foi reajustado em 22% no ano passado -, e afirma a intenção de pagar o piso, desde que ele varie com base na inflação medida pelo INPC. Em caso contrário, segundo o governo, são necessários pelo menos R$ 3 bilhões, verba que, conforme a Secretaria da Educação, não existe em caixa.
O que diz o Cpers
Apesar de decidir pelo fim da greve, o sindicato que representa os trabalhadores em educação publicou severas críticas ao governo estadual. Em nota divulgada no site do Cpers, a entidade acusa o governador de mentir para a categoria e privilegiar os interesses da elite. “Ao negar o pagamento do piso salarial como vencimento básico das carreiras, o governador Tarso Genro assume governar o Estado à margem da lei e que mentiu para a categoria e para a sociedade gaúcha quando, antes de ser eleito, afirmou que pagaria o piso para os educadores. A greve desmascarou um governo que optou em atender os interesses da elite do Estado em detrimento das reivindicações dos trabalhadores. Um governo que, a exemplo do governo anterior, não teve constrangimentos em colocar a polícia para agredir trabalhadores. Aliás, como aconteceu com a lei do piso, antes de eleito, Tarso havia dito que a polícia não estaria entre o seu governo e os trabalhadores”, diz a nota.
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