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18-10-2013

Dia do Professor: o trabalho a quilômetros da sede de Canguçu


Foto: Xiru Gonçalves Professores Ronildo e Nara Regina, ao lado de Milena (C)

Professores relatam experiências de construção do conhecimento e trocas de saberes em escolas do meio rural


Trabalhar numa escola distante mais de 70 quilômetros da sede do município é um desafio marcante para qualquer professor. Contudo, nem todos consideram a tarefa um empecilho. É o caso do professor Ronildo Cunha, responsável pela disciplina de Matemática na escola José Luís da Silva, na localidade de Armada. “Todo mundo me pergunta por que eu não venho embora para a cidade. Não tenho vontade de sair de lá. Gosto do lugar, gosto dos alunos e me adaptei à região”, conta Ronildo, que há cinco anos trabalha no 5º Distrito.



Durante a Feira de Sementes Crioulas, o professor falou de alguns projetos desenvolvidos na escola. Um deles trata da criação de hortas em formato de mandala. “Trabalhamos aspectos da geometria, comprimento, circunferência, área do círculo e outros pontos a partir da horta em mandala. A adesão foi muito grande e alguns alunos estão ampliando o projeto em suas casas”, relata o professor, cuja experiência foi aplicada às turmas de 5ª e 8ª séries.


A mesma linha é adotada pela professora Nara Regina Silveira, que dirige a Escola Orestes Paiva Coutinho. Orgulhosa de sua atuação no meio rural, ela revela um dos valores que norteia seu trabalho. “O aluno pode chegar à escola de pés descalços, mas não pode sair de cabeça vazia. Essa é a nossa filosofia enquanto educadores”, define. A educadora acredita que uma das funções da escola é desenvolver projetos capazes de dar novo significado à aprendizagem.


A adequação de métodos pedagógicos à realidade rural é um dos fatores que encantou a aluna Milena Martins, 14 anos, moradora do Assentamento União e aluna da Escola Orestes Paiva Coutinho. A estudante trocou a capital do Estado pelo interior de Canguçu há três anos. A mudança trouxe novos saberes ao cotidiano da jovem, que se identificou rapidamente com o cenário rural. “Quando vim para cá, não sabia nem pegar uma enxada. Hoje em dia faço todas essas coisas. Agora quero estudar e voltar para o Assentamento”, conta Milena, que pretende seguir a carreira de bióloga ou médica veterinária. Ao comparar os dois cenários, a estudante não tem dúvidas da preferência. “Gosto muito de morar aqui fora, porque é tranquilo, não tem violência. Aqui, nós mesmos plantamos milho, mandioca, tiramos leite, cultivamos a nossa terra. E isso é bom. Na cidade, muitas vezes, a gente nem sabe de onde saíram os alimentos”, analisa.


Milena é aluna do professor Ronildo, que não entende a preferência da jovem pelas disciplinas de Ciências e Geografia. “Mas como pode? Ela sempre tira 10 em Matemática...”, questiona, bem-humorado, o educador. A aluna foi autora da frase escolhida como tema da VI Feira de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares: “Crioulas – Sementes que resgatam o passado e garantem a segurança alimentar do futuro”.


Orgulhosa, a professora Nara Regina lembrou que Milena tem um perfil participativo e costuma se integrar às diversas atividades que acontecem na região. “Ela é muito dedicada. Veio da cidade para morar no Assentamento e vestiu a camiseta. É estudiosa da filosofia socialista, faz visitas conosco aos guardiões de sementes crioulas e participa das atividades das duas escolas da Armada: Orestes Coutinho e José Luís da Silva”, conta.


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