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01-11-2013

Secretário estadual de Educação visita projetos da ETEC e conversa com estudantes


Foto: Xiru Gonçalves Professor Antônio Maia (E), diretor da ETEC, acompanhou secretário (D) durante visita à área agrícola da escola

Temas como a reforma no Ensino Médio, nomeações de aprovados no concurso e o piso nacional dos professores foram abordados por José Clovis de Azevedo


O secretário estadual da Educação, José Clovis de Azevedo, cumpriu agenda integral em Canguçu na terça-feira (29). Azevedo chegou ao município para conhecer os projetos desenvolvidos pelo curso Agrícola da Escola Técnica Estadual de Canguçu (ETEC) e aproveitou a ocasião para se reunir com diretores, professores e estudantes. Pela manhã, o secretário visitou a horta orgânica e a área agrícola da instituição. Ao meio-dia, teve um encontro com o prefeito Gerson Nunes. A agenda foi concluída com uma reunião à tarde, no auditório da ETEC, onde o titular esclareceu dúvidas dos presentes.



José Clovis de Azevedo informou que a opção pelo encontro com os estudantes foi uma indicação do governador Tarso Genro, que em setembro esteve no município e prometeu aos alunos que o secretário de Educação viria ao município ouvir as demandas dos estudantes.


Temas como a reforma no Ensino Médio, o piso nacional dos professores e a nomeação de novos trabalhadores na área da educação foram tratados durante a entrevista ao Jornal Tradição Regional:


JTR: Em uma de suas análises acadêmicas, o senhor avalia o modelo econômico brasileiro nos dez anos posteriores a 1964. O que temos atualmente, avaliado por alguns intelectuais de esquerda como ‘neo-desenvolvimentista’, não estimula essa competição, que é justamente um dos fatores que a reforma da educação busca contrapor?


José Clovis de Azevedo: O modelo econômico que temos hoje, que é um sistema internacional, é perverso. Porque ele, de fato, estimula a competição. Ele é desagregador e predatório. Mas nós não temos que pensar a educação como algo que, necessariamente, venha reforçar aquilo que é dominante. Nós temos que fazer dentro da escola algo que possibilite que o que está fora da escola possa ser mudado. A educação precisa ter este caráter libertador, construtor do sujeito, do cidadão pleno. Precisamos ter a capacidade de analisar criticamente a sociedade, mas ter a capacidade técnica de transformá-la.


JTR: O governo tem argumentado que a situação econômica do Estado impede o pagamento do piso nacional dos professores. Existe alguma possibilidade desse piso ser pago em 2014?


José Clovis de Azevedo: O piso só pode ser pago se mudar o indexador. Se o indexador continuar como é hoje – que não é o índice da inflação, mas o índice de correção do FUNDEB – ele é impagável, irrealizável. E isso não é só para o Estado, mas também para os municípios. O próprio prefeito [Gerson Nunes] me disse que se em 2014 ocorrer 22% de reposição no piso, como está previsto, ficará muito difícil cumprir com o compromisso. E isso é uma realidade de todos os municípios do Brasil. O setor público não tem como pagar o piso da forma como está na lei hoje. É preciso voltar à origem, que foi quando o governador [na época, ministro] homologou o piso, que era corrigido pela inflação. Não adianta nós, professores, sonharmos com esse nivelamento nos salários, porque isso não vai acontecer. Ele não existirá. Temos que achar outra alternativa. Por isso que já garantimos aos professores, entre 2011 e 2014, 76,6% de reposição. Isto significa, em quatro anos, 50% de aumento real. São 50% acima da inflação. Esse esforço, esse compromisso, é algo que nenhum governo fez até hoje.


JTR: Em relação ao último concurso público para o magistério, qual a previsão de nomeação para os aprovados?


José Clovis de Azevedo: Eles serão chamados gradativamente. Porque no ano passado nós fizemos uma nomeação muito rápida e isto causou muitos transtornos dentro das escolas. Então, agora, nós temos um diagnóstico mais objetivo de onde temos que alocar os novos professores. Faremos isso de forma tranquila e gradativamente.


JTR: No último concurso para o magistério, o índice de aprovação foi considerado baixo, diferente desse ano. O percentual de aprovação está dentro do esperado pela Secretaria de Educação?


José Clovis de Azevedo: O índice está próximo da nossa expectativa. Pretendíamos chegar a 14 ou 15 mil aprovados e chegamos a quase 13 mil.


JTR: Alguns alunos do Ensino Médio têm resistido e até mesmo criticado as mudanças estruturais implantadas recentemente. Qual a principal dificuldade no diálogo com os estudantes?


José Clovis de Azevedo: A gente pode perceber na fala de alguns alunos que eles não se conformam que o seu colega vá bem e seja aprovado. Aparentemente eles não querem que alguém que estudou menos seja aprovado ou que tire uma nota maior. Isto é uma lógica da opressão, onde “para ir bem é preciso derrotar o colega”. No mundo de hoje é difícil fazer a contraposição, porque isto está muito arraigado nas pessoas: a competição, ser o melhor, vencer derrotando o outro. Mas o que queremos é trabalhar com outra lógica. Queremos que a educação torne as pessoas melhores, intelectualmente e na capacidade de conviver com o outro.


JTR: A sua trajetória na área da educação já teve muitos desafios, como ser o primeiro reitor da UERGS, assumir a secretaria municipal de Educação de Porto Alegre, entre outros. A reforma no Ensino Médio pode ser considerada o maior desafio de sua carreira?


José Clovis de Azevedo: Sem dúvida, este é o maior desafio. Porque este é o que encontra mais dificuldades. Como reitor da UERGS, enfrentamos muitos desafios devido à resistência das elites, aqueles que têm medo que o povo estude e tenha acesso à universidade. Uma universidade pública naquela época era considerada uma agressão para muita gente. Mas a educação estadual ainda é o maior desafio, porque nós temos duas ou três décadas de descenso na educação gaúcha. Teve alguns hiatos, como o governo Collares, que construiu os CIEPs, teve o governo Olívio, que tentou recuperar, mas com um período muito curto. Agora estamos tentando romper esta curva descendente e estabelecer no Rio Grande do Sul uma curva ascendente. Ela não será vertical, mas crescerá gradativamente. Dentro de um período de oito, dez ou 15 anos, a Educação no Estado deverá ser aquela que todos nós necessitamos.


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