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29-11-2013

Transferência de alunos de escola em Canguçu gera impasse entre pais e Coordenadoria Regional de Educação


Foto: Xiru Gonçalves A quase totalidade dos pais que se manifestaram na audiência é contra a medida

5ª CRE considera que transferência de estudantes do ensino fundamental da Escola Alberto Pasqualini resolverá problema da falta de salas para o Ensino Médio. Pais de alunos discordam


A possível transferência de alunos dos três primeiros anos do Ensino Fundamental da Escola Alberto Pasqualini, localizada no Faxinal, tem causado a resistência de pais e estudantes. Na segunda-feira (25), uma Audiência Pública na escola mobilizou a comunidade do 3º Distrito. Além dos pais, professores, diretores e representantes de turma, também participaram do encontro o prefeito municipal, Gerson Nunes (PT), a secretária municipal de Educação, Ledeci Coutinho, e o coordenador da 5º CRE, Círio Almeida.



O coordenador argumentou que a transferência se deve à falta de salas de aula para os alunos do Ensino Médio. Dois laboratórios já foram adaptados para receber as turmas, mas o espaço ainda é insuficiente. Segundo Almeida, a escola municipal Euclides da Cunha, localizada distante cerca de quatro quilômetros, tem condições de receber os alunos transferidos. Entretanto, a quase totalidade dos pais que se manifestaram na audiência é contra a medida. Eles argumentam que o Ensino Estadual é mais qualificado e que a Escola Alberto Pasqualini – com portões fechados e pátio cercado – oferece mais segurança para as crianças. Questões como afinidade com a instituição e com os professores também foram pautadas.


Para a secretária municipal de Educação, a comparação entre escolas estaduais e municipais não se justifica. Embora reconhecendo que o sistema de ciclos – da forma como foi implantado, no passado – provocou resultados negativos, a titular lembrou que a nova gestão tem adotado medidas para qualificar o Ensino Municipal. Ledeci lembrou, inclusive, que vários professores da rede municipal são os mesmos da rede estadual. “A gente entende e fica até feliz pelo fato dos pais não quererem nos deixar. Por outro lado, sabemos dessa necessidade de espaço físico, que é concreta. Este ano temos duas turmas de 1º ano do ensino médio, duas de 2º ano e uma de 3º. Ano que vem, aumentarão as turmas e haverá a necessidade de aulas em turno inverso. Isso é real, nós não estamos inventando essa história”, disse a professora Marli Einhardt, diretora da escola Alberto Pasqualini.


Os pais chegaram a propor ao coordenador regional da Educação a construção de novas salas de aula, para que os alunos permanecessem na instituição. Contudo, Almeida argumentou que o compromisso principal do Estado é garantir as vagas no ensino médio e que não seria responsável fazer tal investimento se há vagas numa escola localizada a menos de quatro quilômetros. “Eu não vou sair daqui com o compromisso de atender a 30 ou 40 alunos (que querem permanecer na escola Alberto Pasqualini) e não dar a qualidade que o Estado deve dar ao ensino médio. Se fizermos isso, em março os pais de estudantes estarão me chamando aqui porque não haverá vagas ou salas de aula”, afirmou Almeida. O coordenador pediu um levantamento detalhado do número de alunos que serão afetados pela transferência e prometeu, em breve, anunciar uma decisão.


Estrutura


A escola apresenta necessidade de melhorias internas. Segundo um integrante do Círculo de Pais e Mestres (CPM), um dos problemas é a falta de banheiros: a escola tem apenas dois para atender os 275 alunos. Mobilizados, os pais adquiriram parte do material para iniciar a ampliação. Porém, o projeto técnico não foi aprovado e a obra ainda não começou. A quadra de esportes também apresenta irregularidades. Uma parte da estrutura cedeu, provocando desnível e, consequentemente, riscos aos estudantes durante as práticas esportivas.


Os problemas da Educação canguçuense


De acordo com uma matéria publicada pelo Jornal Tradição Regional em setembro deste ano, Canguçu foi um dos municípios do Estado com menos investimentos em Educação no ano de 2012. A pesquisa, realizada pelo jornal Zero Hora com base nos dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mostrou que o percentual de investimento na educação municipal foi de 26,76% da receita - de um mínimo de 25% - deixando Canguçu na 365ª posição do ranking, atrás de cidades da região, como Encruzilhada do Sul, Cerrito e Pinheiro Machado. Mesmo com o percentual acima do que determina a lei, o investimento foi abaixo da média estadual.


Ainda segundo a pesquisa, Canguçu ficou em uma das piores posições em relação à investimento per capta, ficando somente à frente de quatro cidades gaúchas, com média de R$ 244,62 investidos em educação por habitante.


 


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