Quinta, 02 de julho de 2026, 08:48h
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Vitória de Bruna Elias foi marcada pela superação após ser assaltada, agredida e perder a bicicleta que usaria na competição
Superação é a palavra que melhor define a conquista da jovem lourenciana Bruna Elias, de 14 anos. No último final de semana, ela foi campeã brasileira de Mountain Bike, em prova disputada em Cotia, região metropolitana de São Paulo. Correndo contra outras 12 meninas de várias regiões do país na categoria juvenil, a lourenciana foi a primeira a cruzar a linha de chegada da prova do Campeonato Brasileiro de Mountain Bike XCO.
Porém, a vitória não veio apenas do esforço na pista. Chegar a São Paulo já foi um desafio para a família. A jovem conta que ao disputar prova em Candelária (RS), um experiente competidor nacional questionou sua ausência na lista de inscritos para o Brasileiro, em São Paulo. “Foi aí que eu me inscrevi e meus pais saíram em busca de patrocínios. Um dia a mãe chegou na sala gritando e comemorando que tinha arrecadado o dinheiro”, lembra Bruna que tem na família os maiores incentivadores na carreira de atleta.
Com os recursos necessários, Bruna chegou a São Paulo, na quinta-feira (17), acompanhada dos pais, Márcia e Danilo. Na sexta, após fazer um treino coletivo, ela voltou à pista e acabou perdendo sua bike. “Eu voltei pra fazer mais uma volta sozinha, pra analisar e pensar. Em uma área plana vi dois garotos, eles chegaram perto, um deles bateu com um pau na bicicleta e eu caí. O outro pegou a bicicleta e eles fugiram”, lembra a menina que ainda tentou reagir, mas ao perceber que não teria chance contra os pivetes, desistiu. Sozinha, ela voltou para a base. Mesmo com mobilização da organização da prova e dos seguranças, ninguém foi pego.
Passado o susto da agressão, a percepção do problema: Bruna estava sem a bike para competir. Era preciso uma nova superação e a mãe voltou a entrar em ação. “Minha mãe estava desesperada e foi em três homens perguntar se sabiam de uma bicicleta para alugar. Quis o destino que um deles tivesse lançado uma nova bicicleta dois meses antes e ofereceu emprestá-la”, conta a jovem. Ela diz que o ato foi de pura solidariedade, já que a mãe nem explicou o que ocorrerahoras antes. “Quando eu ganhei a prova, o senhor estava sem jeito, veio pedir desculpa, pois não imaginava que eu tinha perdido a minha bicicleta em um assalto e ele ainda ganhou um ‘baita’ marketing com a nova bicicleta sendo campeã nacional”, diverte-se a jovem.
Em meio a sorrisos, a menina diz que a Confederação Brasileira de Ciclismo já sinalizou a intenção de ressarcir a família por causa da perda da bicicleta de R$ 7 mil. “Meu pai já passou as características da bike, pois eles estão buscando me dar outra com ajuda de patrocinadores”, diz, aliviada a jovem.
Nascida para vencer
Rodeada por familiares que não escondem o orgulho, Bruna conta sua trajetória no esporte. Começou a correr há pouco tempo, com 12 anos, incentivada pela família. “Principalmente pelo pai, que é meu treinador e pelo dindo Marcus que também corre. “Eles sempre correram e meu pai foi campeão estadual cinco vezes”, conta ela que tem galerias de troféus espalhadas pela casa. “Muitos são do pai, mas a maioria são meus”, responde rápido, em meio a risadas, sem esconder o orgulho de seus feitos.
Até a prova de São Paulo, Bruna disputava o campeonato Zona Sul de Mountain Bike, promovido pela União Lourenciana de Ciclismo (ULC) com provas em várias cidades da metade Sul do Estado. Este ano também passou a disputar o Campeonato Gaúcho, mantendo atualmente a segunda posição. São tantos troféus que a menina já perdeu as contas. “Acho que tem mais de cem”, calcula ela, com sorriso encabulado.
Os relatos de sucesso no esporte são interrompidos quando o tio Ronaldo faz um comentário: “Eu vi essa menina nascer duas vezes”. E com os olhos molhados ele relata: “Dois anos atrás ela levou um choque quando pegou em um fio na piscina da família. Ela ficou cinco minutos como morta, eu nem sei o que eu fiz, como eu fiz, mas a massagem cardíaca deu certo e ela voltou. No hospital, os médicos disseram que eu fiz tudo certo, mas nem eu sei o que fiz. Deus é quem fez por mim”, recorda o tio. O susto deixou marcas na mão esquerda da menina, que precisou fazer uma cirurgia para recompor os dedos na mão, mas nada que lhe tire o sorriso do rosto ao recordar o que passou.
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