Ter�a, 30 de junho de 2026, 01:04h
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Essencialmente, o futebol sempre foi visto como um esporte masculino. Mesmo, ainda hoje, sendo praticado em sua maioria por homens, as mulheres conquistaram um espaço precioso dentro de campo. E não é necessário ir muito longe para fazer essa constatação. Na Região Sul, há 19 anos, diversas jovens tem participado da equipe feminina do Esporte Clube Pelotas.
As meninas são de vários lugares, todas treinadas por Marcos Planela Barbosa. Ele é coordenador geral e técnico das garotas, embora sua formação acadêmica seja a sociologia. Em entrevista para o Jornal Tradição Regional, ironicamente na semana da mulher, ele contou que, apesar de disputar campeonatos considerados de maior porte, o time deveria apenas participar de jogos na própria Região, já que, mesmo passados tantos anos, as despesas quase sempre são maiores que a receita do time. Este, segundo ele, é um dos grandes problemas enfrentados no esporte, sobretudo no ramo feminino, na hora de conquistar os patrocínios necessários. “Culturalmente, o empresariado enxerga esses patrocínios como despesas, e não como investimentos”, relata.
Apesar destas dificuldades, Barbosa afirma que a equipe deixou de ser apenas de Pelotas já há algum tempo. Atualmente, as Lobas, nome oficial da equipe, conta com 34 atletas, sendo 45% delas de fora do município. A média de idade das participantes é considerada jovem, já que normalmente elas entram em torno dos 13 anos e saem quando completam 21 anos. A equipe é 100% amadora, nunca tendo pago nenhuma das atletas para jogar. Com a ausência de uma injeção de recurso fixo por parte do E.C.Pelotas, e com a resistência, hoje menor, mas ainda muito presente, em relação a participação de mulheres no esporte, a solução é pontualmente procurar patrocínios para as garotas. Os patrocínios nas camisetas das jogadoras, explica o técnico, variam entre R$ 200 e R$ 3 mil. Além disso, também se buscam parcerias com academias, com a Prefeitura de Pelotas, com o 9º Batalhão da Brigada Militar, entre outras, além de pequenas soluções com o apoio dos pais das atletas. Parcerias e soluções que ajudam a diminuir os gastos e qualificar o time.
A entrada das meninas ocorre de três formas. Em todo o começo de temporada e em uma data ao longo do ano acontecem as chamadas peneiras, seletivas para a avaliação de novas atletas, divulgadas na imprensa e nas redes sociais. Este ano, apareceram 22 candidatas e nove foram selecionadas. Até 2008, ele fazia esta avaliação sozinho. “Não por opção, mas por falta de opção”, explica. Desde 2008, não por acaso após serem campeãs gaúchas invictas, elas passaram a ter uma comissão técnica interdisciplinar. “Nós temos psicólogos, o convênio com a Fisioterapia da UCPel, que permite termos fisioterapeutas, termos cinco preparadores físicos, temos treinador de goleiras, nutricionista. É uma comissão entre 12 e 14 membros”. Nenhum deles, frisa Barbosa, recebe pelo trabalho. “Essa interação com profissionais diferentes tem sido de muito aprendizado e troca de informações, já que cada um traz a sua bagagem e experiência”, elogia.
Além das seletivas, também são feitos acompanhamentos de jogos escolares, como os JERGS, atrás de novos talentos. No entanto, ao ver um novo talento, o contato não é feito com ela, mas sim com o professor e, posteriormente, se houver interesse, é marcada uma reunião com os pais e com a atleta. “É para ficar bem diferenciado, que não é um pedófilo abordando uma menina”. A outra forma para entrar na equipe é pelas indicações, quando alguém conhece uma atleta com potencial e avisa a equipe para analisá-la.
Os treinos ocorrem nas terças e quintas-feiras, sábados e domingos. No entanto, por muitas das jogadoras serem de fora da cidade, os treinos nos dias da semana se dão de uma maneira peculiar. Por não terem alojamentos e nem condições de arcar com alimentação, foi realizado um trabalho de conscientização, mostrando que exercícios somente aos finais de semana não surtiriam o resultado desejado. Por um grupo no facebook, um trabalho de manutenção física é passado no fim de domingo para ser realizado nas terças e quintas. “Nós não sabemos se elas de fato fazem. Mas na hora das avaliações físicas a gente consegue perceber se a performance não melhora, se o peso não diminui. Conscientizamos que elas estariam se enganando, e não nos enganando, caso não fizessem os exercícios prescritos”, diz o treinador. Também foram fechadas parcerias com academias das cidades de origem das atletas para que essas atividades possam ser desenvolvidas. Aos sábados à tarde e domingos pela manhã, o grupo todo se reúne. As jogadoras que moram perto de Pelotas, retornam nos dois dias. No caso de jovens que vivem mais longe, como as de Carlos Barbosa e Candiota, ficam na casa de colegas do time.
A postura das jogadoras não é cobrada somente dentro de campo. Todas elas precisam estar estudando, ou já ter o ensino médio completo. Além disso, as que estão estudando precisam apresentar os boletins das escolas mostrando que foram aprovadas.
Pró-Esporte
Está em tramitação na Câmara de Vereadores de Pelotas, o projeto Pró-Esporte, aguardando a votação. Segundo Barbosa, a expectativa é de que o projeto seja aprovado por unanimidade. “Vai beneficiar todas as áreas do esporte amador no município”. A previsão é de R$ 200 mil para o primeiro ano, e com projetos entre R$ 5 a R$ 20 mil. “Não é um absurdo de dinheiro, mas nos ajuda muito”, finaliza.
Seletiva da CBF para atletas femininas
Neste sábado (14) e domingo (15), irá ocorrer, em Pelotas, uma seletiva da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para atletas femininas.
A seletiva será realizada no Parque Esportivo Lobão, centro de treinamentos do Esporte Clube Pelotas. As inscrições podem ser feitas através do site www.agff.info, e são gratuitas para atletas nascidas entre 1995 e 2001.
As candidatas devem levar seu próprio material de treino (camisa, calção, meias, caneleiras e chuteiras) e a carteira de identidade.
No sábado (14), a seletiva vai das 14h às 17h, e no domingo (15), das 9h às 11h30. Haverá ônibus saindo da rodoviária de Pelotas direto ao horário da avaliação 30 minutos antes.
Segundo Marcos Barbosa, já foram trazidos sete vezes observadores da CBF em Pelotas, “Já tivemos 17 meninas convocadas para a Seleção Brasileira”.
Maiores informações
Para mais informações sobre a equipe de futebol feminino Lobas, os telefones para contato são (53) 8135-4976 e (53) 9124-7438.
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