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07-06-2011

Obras para a Copa estão atrasadas em todas as cidades-sede


Faltam três anos e muitas obras para que o Brasil receba a Copa do Mundo. Em junho de 2014, o País terá em seus estádios os melhores jogadores de futebol do planeta e, nos seus aeroportos e avenidas, milhares de turistas de todas as partes do mundo que precisarão viajar, ir de ônibus ou metrô aos estádios, encontrar lugares para se hospedar e funcionários fluentes em espanhol ou inglês para guiá-los. O iG foi às 12 cidades que devem receber os jogos e analisou cinco itens dos preparativos para a Copa: a construção ou reforma dos estádios, a capacidade da rede de hotéis, as obras de transporte público, a ampliação e modernização de aeroportos e o treinamento de mão-de-obra para receber os visitantes. O resultado é preocupante: apenas duas cidades já tiraram do papel todos os projetos previstos. Apesar disso, os cronogramas de Porto Alegre e Recife estão atrasados em itens como recursos humanos e aeroportos. Já Cuiabá, Manaus e Natal estão para trás. Nas capitais, os projetos para melhorar o transporte público mal saíram do papel, a rede hoteleira é insuficiente e falta gente qualificada e cursos para capacitá-las. Porém, estas cidades não são as únicas responsáveis pelo sinal de alerta. Cada município tem uma deficiência grave para resolver e todos têm, pelo menos, um item atrasado. Os aeroportos, por exemplo, são o caso mais grave �?? quase nenhuma obra foi ada saiu do papel nas 12 cidades-sede dos jogos. De cidade em cidade Começando pelo Sul do País, em Porto Alegre os principais problemas são as obras de transporte público - a maioria ainda está no papel - e o estádio do Beira Rio, do Internacional, que enfrenta problemas para conseguir recursos para a sua reforma. �??Sem dormir em berço esplêndido, estamos com o calendário muito corrido, mas adequado�?�, afirma o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, sobre as obras que cabem ao município. "Reconheço que allgumas coisas estão muito incipientes, mas vamos acelerar�?�, afirma o prefeito. Em Curitiba, a Arena da Baixada, do Atlético Paranaense, enfrenta o mesmo problema �?? o orçamento estourou e ninguém sabe quem vai pagar a conta. A capital do Paraná também precisa solucionar outro problema: a falta de táxis entre o aeroporto e a cidade e, claro, dentro da própria capital. Do aeroporto até Curitiba são 75 táxis com licença para operar no aeroporto Afonso Pena. Dentro do município, a questão é ainda mais complicada: o número de táxis é o mesmo desde a década de 1970. No Sudeste, no estádio do Corinthians, em São Paulo, as obras de terraplanagem mal começaram e ainda não se sabe quem vai retirar os dutos da Petrobras que passam embaixo do terreno. Por conta disso, a cidade ficou fora da Copa das Confederações, prévia do mundial, em 2013. O Rio de Janeiro está atrasado em relação à ampliação do seu transporte público e a preparação de mão-de-obra. O maior investimento estão nas obras na ampliação do metrô da capital, que também devem servir para as Olimpíadas de 2016. Já o Maracanã, que deve receber a final do mundial, está com o orçamento estourado: estima-se que a reforma não vai sair por menos de R$ 1 bilhão, com algumas mudanças recentes no projeto, como a cobertura do estádio. Em Belo Horizonte, a ampliação do aeroporto de Confins é o principal gargalo porque nem saiu do papel, com idas e vindas na Justiça. Para o presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Roberto Fagundes, �??mesmo se as obras forem concluídas em tempo hábil, já estarão defasadas". Já para o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SINDHORB), Paulo Pedrosa, "Confins está um caos e as obras estão em ritmo lento", completa. No Centro-Oeste, a capital de Mato Grosso, Cuiabá, também sofre com o aeroporto, que conta com esteiras improvisadas para o recolhimento de bagagem, por exemplo. A precariedade é tamanha que o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) estimou que, no atual ritmo, as obras só ficariam prontas em sete anos. Além disso, o governo ainda não definiu como ampliar a oferta de ônibus na cidade nem começou a preparar seus guias turísticos. Em Brasília, o estádio está no prazo, mas falta capacitação de pessoal, obras no aeroporto e transporte público. Na região Norte, em Manaus, transporte também é o problema �?? a prefeitura não tem dinheiro suficiente para bancar a ampliação e pediu financiamento. �??Estamos respondendo às dúvidas que estão sendo levantadas pela Caixa Econômica. Não podemos começar a obra sem ter a garantia de aprovação do projeto e do financiamento�?�, justifica o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa), Miguel Capobiango. O aumento das vagas de hotéis também acendeu o sinal amarelo porque a cidade não sabe se a sua meta para ampliar a rede de hotéis dará conta da demanda. Hoje, ela tem 4,2 mil quartos e pretende dobrar para 8 mil quartos �?? tudo vai depender de quais seleções jogarem na cidade, justifica a prefeitura. No Nordeste, Recife sai na frente. Com exceção dos aeroportos, todas as obras estão no prazo. O secretário extraordinário interino da Copa no Estado, Sílvio Bompastor, afirma que �??investimentos que só seriam realizados em 20 anos serão feitos em três anos em decorrência da Copa�?�. Por outro lado, Natal tem a situação mais preocupante na região. Ainda não está definido nem quando as obras para o estádio vão começar nem quantas vagas de hotéis precisam ser criadas ou quantas pessoas devem ser treinadas. Todas as obras para o transporte público tiveram seus prazos estourados. O procurador-geral do Estado, Miguel Josino, afirma que, devido aos atrasos nos preparativos da Copa, o Estado já chegou a perder recursos do governo federal para aplicação no município. Segundo ele, esses problemas são causados sobretudo por conta da falta de ação coordenada entre a gestão anterior e a nova do governo estadual, de partidos diferentes. No bloco do meio, o estádio da Fonte Nova, em Salvador, está cumprindo todas as metas do cronograma, mas as obras de transporte público ainda são uma incógnita �?? não se sabe em que o Estado e a prefeitura vão investir para melhorar a locomoção. �??Salvador é caótica em mobilidade urbana. São 130 km de pontos de estrangulamento�?�, afirma Jonas Dantas, presidente do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) da Bahia. Sobre qualificação de pessoal, o Estado conta com o apoio das empresas. �??Se o mercado não entrar junto nisso, o Estado sozinho não tem braços para alcançar", afirma o secretário Ney Campello, responsável por assuntos da Copa no governo de Jaques Wagner. Fortaleza, no Ceará, tem a mesma situação. O estádio do Castelão está no prazo, mas como as pessoas vão chegar nele, não se sabe. No balanço, sobra a interrogação de como o Brasil vai resolver em três anos atrasos acumulados desde 2007, quando foi escolhido para sediar o mundial do seu esporte favorito. Não à toa, o sinal amarelo já acendeu no Planalto: a presidenta Dilma Rousseff tem feito reuniões com prefeitos e governadores e tenta aprovar no Congresso uma série de medidas para que o País consiga cumprir as metas às quais se propôs quando foi escolhido para o sediar o evento - que tem sonhando organizar desde 1950, quando recebeu a Copa do Mundo pela última vez. Com informações do IG


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