09-02-2012
Edu Pazutti, vítima do acidente em 2009, o volante que virou auxiliar técnico
Foto: Diego Vilela
Edu (D) conversa com o preparador físico Polaco após mais um treino do Xavante em Canguçu
A condição de ser passageiro de um veículo ainda é enfrentada com desconforto por Eduardo Pazutti Figueiredo, 27 anos. O agora auxiliar técnico de Luizinho Vieira no Brasil de Pelotas ocupava a poltrona atrás de onde estava o atacante Claudio Milar no acidente ocorrido na noite de 15 de janeiro de 2009. O uruguaio morreu depois de ser arremessado pela janela quando o ônibus da delegação tombou, no perigoso viaduto que liga a BR-392 à RS-471, em Canguçu.
Para o volante formado nas categorias de base do Grêmio, a carreira como jogador de futebol chegava ao fim. Edu disputou apenas uma partida oficial pelo rubro-negro, e comemorou a vitória de 4 a 1 sobre o São José (PoA), em janeiro de 2008, quando Milar marcou o centésimo gol pelo time da Baixada. A felicidade pela estreia com goleada foi manchada pelo rompimento do ligamento cruzado do joelho, que o deixou afastado dos gramados por seis meses.
Depois de cumprir o processo de recuperação, a primeira viagem feita com o Xavante teve como destino a cidade de Santa Cruz do Sul. O retorno depois do amistoso contra o time que leva o nome da cidade ainda não foi esquecido. “Saltei de uma janela do ônibus de forma involuntária. Quando dei conta, estava caído no meio do mato, tentava levantar e não conseguia”, recorda.
Naquele momento, os passageiros que estavam em melhores condições tentavam socorrer os mais feridos. Edu lembra da solidariedade prestada pelos goleiros Danrlei e Luciano, e pelo zagueiro Alex Martins, hoje jogador do Farroupilha. “Demorou para que eles [os jogadores] me encontrassem. Usaram a luz de um celular para chegar até onde eu estava. Fiquei esperando socorro até a chegada das ambulâncias, que me levaram ao hospital”, conta.
A forte dor na perna o levava a acreditar que tinha sofrido fratura exposta. Ao receber atendimento, ele foi informado de que um galho de árvore havia atravessado sua perna e perfurado a parte posterior da coxa esquerda. As sequelas do acidente são visíveis na parte de trás dos joelhos, resultado da reconstituição feita com enxerto.
Quando aconteceu o acidente, Edu estava sentado sozinho em uma poltrona do lado esquerdo do ônibus, mesmo setor em que estavam o zagueiro Régis Gouveia e o preparador de goleiros Giovani Guimarães, as outras vítimas fatais. A companhia da sorte o livrou do pior. Porém, o profissional de Educação Física, formado pela Faculdade Anhanguera, de Pelotas, ainda guarda resquícios do trauma. “Quando estou dirigindo um carro, me sinto tranquilo. Mas quando estou em um ônibus ou avião, quando [a viagem] não depende de mim, fico um pouco ansioso por já ter vivido uma situação como a do acidente. Procuro sempre conversar com o motorista”, admite.
Natural de Porto Alegre, Edu cursava o ensino superior quando recebeu a oportunidade que mais aguardava: o convite para integrar a comissão técnica, feito pelo então técnico Beto Almeida, no ano passado. O ex-volante e agora auxiliar técnico inicia o ano de 2012 comandando os treinos no Estádio da Liberdade e no Teixeirão ao lado de Luizinho Vieira. Sua expectativa é de que a conquista da Série A2 do Gauchão comece justamente aonde sua carreira de jogador profissional teve um ponto final.
Edu Pazutti, vítima do acidente em 2009, o volante que virou auxiliar técnico