Quarta, 24 de junho de 2026, 15:54h
Home Esportes
Há 14 anos, o município de Canguçu conta com um projeto de inclusão social, através da prática do taekwondo, uma arte marcial criada na Coreia do Sul. O responsável pelo projeto é Luis Nunes Silveira, conhecido como Mestre Nunes, que leva o “Esporte nos Bairros” para três bairros canguçuense, através dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS): no bairro Fonseca, bairro Vila Nova e no bairro Triângulo. Atualmente, mais de 200 crianças são atendidas pelo projeto que, além do taekwondo, inclui outras modalidades, como o hip hop, violão e a Brigada Mirim. Os participantes também são acompanhados por psicólogos e assistentes sociais e, antes de voltarem para casa, tem direito a uma refeição.
Sobre o sucesso do “Esporte nos Bairros”, especialmente no taekwondo, Nunes diz que este é um esporte que cativa muito os jovens, já que viajam para outras cidades, conhecem novas pessoas e disputam títulos. “Eles têm muito talento, só precisavam mesmo é de uma oportunidade”, diz ele, lembrando que na década de 1980, quando era criança, também desejava fazer o esporte e não teve oportunidades nem condições financeiras.
O objetivo do programa, criado em 2002 durante o governo do prefeito Odilon Meskó, quando era chamado de “Esporte para Todos”, é fazer com que as crianças tenham uma ocupação saudável e bom desempenho na escola, evitando que fiquem em casa, jogando videogames ou na internet, por exemplo. Os alunos têm seu desempenho escolar monitorado, assim como o comportamento em casa, e há também uma grande preocupação para que não entrem em vícios como o cigarro e a bebida. Apesar de direcionado a essa faixa etária, o mestre pondera, no entanto, que pessoas de qualquer idade podem participar, e cita o caso de uma aluna de 57 anos que teve significativa melhora nos problemas de saúde que possuía, como bronquite e reumatismo, graças ao taekwondo. “A prática do esporte faz com que a pessoa viva mais e muito melhor”.
Após 14 anos, ele nota que o projeto se tornou um exemplo e serviu de inspiração para a criação de programas semelhantes em outros municípios. Durante as viagens, pessoas de outros locais fotografavam o projeto para levar adiante e mostrar a iniciativa que deu certo em suas terras natais. “Tudo surgiu tendo Canguçu como referência”, relata, orgulhoso.
A cada dia da semana, um dos bairros recebe o projeto. No entanto, jovens e crianças que não pertençam a um dos três bairros também podem participar. É necessário somente levar um documento para fazer a inscrição, sem nenhum custo. Nunes se sente muito recompensado ao ver os resultados, mesmo sendo bastante complicado trabalhar com crianças. “No início é difícil, mas depois é recompensador ver eles se desenvolverem. Não tem nada que nos pague melhor do que vê-los felizes”.
Quando começou, o projeto era centralizado no Ginásio Conrado Ernani Bento, mas com o tempo foi se aperfeiçoando até chegar ao formato atual, mais próximo das pessoas, sempre recebendo o apoio de todos os governantes que passaram pelo poder executivo. A finalidade, porém, sempre foi a mesma desde o início: a de educar. Nunes diz que passa seus ensinamentos com muita vontade e amor, e relata que, nas competições, seus alunos apresentam a mesma qualidade técnica que os demais competidores. “Muitas vezes os alunos do projeto se destacam mais que competidores que treinam em academias, pois eles têm muita vontade de vencer e se esforçam mais. Levam o esporte muito a sério”, afirma.
Caminho difícil
Mestre Nunes, que tem 51 anos, pratica artes maciais há 30 anos, e no começo, lembra ele, não foi fácil. Na infância, foi discriminado e nem mesmo sabia exatamente o que era taekwondo, apenas gostava das artes marciais que assistia nos filmes, sobretudo os de Bruce Lee, quando permitiam que entrasse de graça no cinema. “Eu nem sabia quem era ele direito, apenas sabia que era um lutador. Sentia vontade de praticar aquilo e não havia em Canguçu, por isso saía dando chutes na rua, brincando”, diz Nunes, recordando o momento em que nasceu o seu amor pelas artes marciais. Para ajudar na renda familiar, ele, que tinha mais 11 irmãos, foi engraxate, vendeu jornais e até ferro velho.
Nos anos 80, uma academia de artes marciais instalou-se no município, fazendo uma demonstração gratuita e depois abrindo período de inscrições. Quando todos foram entrar, ele foi impedido. “Quando eu ia entrar, o responsável olhou para mim e disse que só quem iria se matricular podia entrar. Aquilo doeu na minha alma”. Dois anos mais tarde, em 1982, ele foi para Pelotas e viu o taekwondo, prática que ainda desconhecia, em uma academia, o que lhe despertou interesse. Depois, já no município de Arroio Grande, começou a praticar o esporte e, com cinco anos de prática, se formou faixa preta. “A história é bonita. Tive todas as chances de entrar para o mundo das drogas, mas tenho certeza que Deus me protegeu porque esse é um mundo sem saída”.
O que é o taekwondo
O taekwondo é uma arte marcial criada em 1955, na Coreia do Sul. O esporte tornou-se olímpico de exibição em 1988, justamente nos Jogos Olímpicos realizados na capital sul-coreana, Seul.
Em 2000, nas Olimpíadas de Sidney, na Austrália, ele passa a ser um esporte olímpico oficial. Em coreano, a palavra taekwondo significa caminho dos pés e das mãos através da mente.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados