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11-11-2016

Pedro-osoriense vence etapa do Circuito Gaúcho de Poker


Foto: Rodrigo Netto/JTR Ferreira joga poker por hobby e participa de torneios da região

 


Diego Ferreira deu explicações sobre o jogo



“Antes de mais nada, gostaria de agradecer o convite do meu amigo Rodrigo [Netto] para falar um pouco sobre poker. Ele chegou até mim através da minha conquista recente no Circuito Gaúcho de Poker. Sou um jogador recreativo, tenho o poker como um hobby. Existem dezenas de jogadores profissionais na região que tem mais mérito para uma entrevista, mas não poderia deixar passar a oportunidade de falar um pouco sobre esse esporte que ainda sofre tanto preconceito”, diz Diego Ferreira, que introduz a entrevista especial realizada com ele para que a população saiba um pouco mais sobre o poker. Confira:


JTR: Quando aconteceu a etapa, qual era a edição e onde? 


Diego Ferreira: Aconteceu entre os dias 5 e 9 de outubro, no Clube Master Poker Pelotas. Era a 7ª etapa do Circuito Gaúcho de Poker (CGP), organizado pela Showdown Eventos e com apoio da Federação Gaúcha de Poker.


JTR: Há quanto tempo tu praticas e como começaste? É difícil? 


D.F.: Comecei a jogar em 2007, como um passatempo no computador, mas sem saber direito o que estava fazendo, só sabia as regras, não tinha nenhuma noção sobre conceitos mais complexos como o tamanho das apostas, leitura de mãos, imagem na mesa, entre outros. Foi no final de 2013 que percebi que o poker era muito mais do que um jogo de cartas e que poderia ser um hobby lucrativo. Poker não é fácil, é preciso muito estudo e prática para chegar a um nível competitivo. Se um leigo entrar em um campeonato sabendo só os grupos de mãos e contando com a sorte vai ser massacrado pelos jogadores regulares. A notícia boa é que o poker é um esporte democrático, qualquer um pode jogar qualquer torneio, e tem muito material de estudo disponível de graça na internet, desde livros a videoaulas de profissionais do ramo. Só é preciso dedicação e disciplina para aplicar nas mesas o que foi estudado.


JTR: Fala um pouco sobre o poker como esporte, no Rio Grande do Sul, Brasil e mundo.


D.F.: Poker é um esporte da mente, reconhecido assim por entidades e órgãos respeitados, como o Comitê Olímpico Internacional e o Ministério dos Esportes. O poker vem se expandindo rapidamente no Brasil. 10 anos atrás existia cerca de 200 mil jogadores, entre profissionais e recreativos, hoje esse número ultrapassa os 5 milhões. Atualmente, a BandSports e a ESPN possuem programas dedicados ao poker e transmitem a World Series Of Poker (WSOP).


JTR: Tu consideras um jogo de estratégia ou de sorte?


D.F.: No PokerStars, maior site de poker do mundo, em 2009, mais de 100 milhões de mãos foram observadas, estudadas, e notou-se que mais de 70% delas não chegaram no showdown, momento em que são reveladas as cartas. Com este fato já é possível deduzir que o poker é 70% habilidade, pois, já que nessa porcentagem as mãos não são reveladas, o fator crucial de vitória é a boa capacidade de apostar, ler mãos, entre outros. Complementando, pouco mais de 20% das mãos chegam ao fim, destes, aproximadamente metade vence por ser a melhor mão possível na rodada. A outra metade perde, mesmo sendo a mão favorita a ganhar. Com base nessas informações, deduz-se que o poker é, aproximadamente, 88% habilidade. Como a sabedoria popular diz: poker é um esporte de sorte, sorte de quem sabe jogar e azar de quem não sabe.


JTR: Como pessoas leigas reagem quando falas que jogas poker? Ele é bem aceito, estereotipado, ou depende da faixa etária de quem está reagindo?


D.F.: Infelizmente, o poker ainda sofre bastante preconceito, principalmente das pessoas de mais idade. Esse preconceito tem por base uma imagem muito distorcida e incompleta, aquela dos filmes americanos, salões esfumaçados e histórias de pessoas que perderam tudo por vício de frequentar cassinos. Mas, aos poucos, vamos passando a informação verdadeira, de que o poker é um esporte legalizado e de que os clubes possuem um ambiente agradável e familiar. A título de informação, estima-se que cerca de 5% das pessoas que frequentam cassinos em Las Vegas são de fato viciados. Não podemos deixar que essa parcela mínima estrague a imagem do nosso esporte.


JTR: Quais são os campeonatos e disputas para 2017 e como é a preparação?


D.F.: Como eu disse, sou um jogador recreativo e não tenho o objetivo de me profissionalizar e viver do poker. Não viajo para jogar grandes eventos. Eu tenho o poker como um hobby, jogo, principalmente, online e, às vezes, nos clubes da região, como Master Poker Pelotas, Canguçu Poker Clube, Rio Grande Poker Clube, e eventos da região, como a Copa Universitária e a Micro Poker Tour. Joguei essa etapa do Circuito Gaúcho somente porque aconteceu aqui na nossa região. Meus planos para 2017 em relação ao poker são os mesmos dos últimos anos, continuarei jogando os torneios da região e buscando conteúdo para aprimorar meu jogo. 


JTR: Moraste 12 anos em Pedro Osório. Como é teu sentimento pela cidade


D.F.: Fui morar em Pedro Osório com quatro anos de idade, e fiquei lá até quase os 16. Todas as minhas lembranças de infância e a maioria dos meus melhores amigos são de Pedro Osório. Tenho um carinho enorme pela cidade e pelas pessoas. 


Redator: Tradição Regional



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