Segunda, 22 de junho de 2026, 21:22h
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O entrevistado desta edição do JTR é o prefeito eleito de Canguçu, Vinicius Pegoraro (PMDB), que fala como deve conduzir o seu primeiro mandato à frente da administração do município. Pegoraro relata a situação em que se encontram os diversos setores da comunidade, as prioridades que devem ser atendidas pelo seu governo e como pretende se relacionar com a população canguçuense. Além disso, apresentamos aos leitores o perfil do novo administrador, sua formação, e trajetória política e familiar.
Na próxima edição: Prefeito eleito de São Lourenço do Sul, Rudinei Harter (PDT).
Quem é Marcus Vinicius Muller Pegoraro?
Eleito com 14.977 votos, 41,77% dos votos válidos, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Marcus Vinicius Muller Pegoraro, de 30 anos, é filiado ao PMDB desde 2003 e de lá para cá exerceu a presidência (2009 a 2012) da Juventude do PMDB de Canguçu. Formado em Odontologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul, também se destacou na política estudantil, quando presidiu, no ano de 2010, o Diretório Acadêmico do curso. Atua como cirurgião-dentista no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu e em consultório próprio.
Assumiu seu primeiro mandato eletivo em janeiro de 2013. Com 997 votos foi o terceiro vereador mais votado do município e com o maior número de votos do partido. Em 2013, foi eleito presidente da Câmara de Vereadores de Canguçu. No mesmo ano e até 2015, presidiu o Diretório Municipal de Canguçu. Em 2013, exerceu ainda o cargo de secretário geral da Coordenadoria Regional do PMDB (Zona Sul). É casado com Jenifer Behling Krause, 31.
Pegoraro pretende fazer uma administração afinada com os anseios da população. “Vamos buscar a unidade do município e construir alternativas em conjunto”, diz ele, que quer transformar as demandas da população em ações no seu governo. “Reconhecemos acertos nas administrações passadas, mas queremos corrigir o que não deu certo e, por isso, precisamos unir Prefeitura e comunidade”, salienta.
No momento, o prefeito e sua equipe trabalham na transição com o antigo prefeito, o que, segundo ele, transcorre de maneira tranquila, apenas prejudicada um pouco pelo excesso de feriados nas duas últimas semanas. A composição do novo governo ainda está em fase de acertos, mas ele adianta que deve manter as atuais nove secretarias, com algumas reformulações, tais como a desvinculação do Turismo da Cultura e sua transformação em departamento dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, juntamente com a Agricultura, Indústria, Comércio e Serviços. Além disso, ele adianta que o vice-prefeito deve assumir uma secretaria.
“Temos que profissionalizar a gestão nos municípios. Quando se foca na gestão, as coisas começam a avançar e se consegue recuperar a qualidade na prestação de serviços”, diz. Segundo ele, a Prefeitura possui uma equipe eficiente e a ideia é aproveitar o potencial do funcionalismo, usando a educação, por exemplo, que é bastante articulada, como modelo para os demais setores.
Entre as prioridades que necessitam de ações mais emergenciais, ele cita a necessidade de manutenção do funcionamento do Hospital de Caridade de Canguçu e a reabertura da sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Esta é uma prioridade que gera preocupações em todo o município e este sentimento é comum à zona urbana e rural”. Na sua análise, a atual situação do hospital é resultado de uma série de equívocos após a intervenção. “O governo do Estado aportou muitos recursos que não foram utilizados da forma mais necessária”, diz.
Segundo ele, faltou aperfeiçoar a profissionalização da gestão, apesar de concordar que houveram acertos também. Entre as consequências desta falta de estruturação, a UTI foi fechada, Canguçu perdeu as cirurgias eletivas para Piratini e o Pronto Socorro tem dificuldades para se manter funcionando.
Existem ainda as prioridades específicas da população urbana e rural, diz. Na zona rural, ele cita a conservação e manutenção das vias como a que carece de ações mais dedicadas da gestão. Na zona urbana, a atuação mais urgente, segundo ele, é dar agilidade aos processos internos de liberação de construção civil. “Temos um Plano Diretor que precisa ser refeito, pois só se determina o que são áreas comerciais e residenciais, e temos muitas áreas de preservação ambiental dentro da cidade”. Segundo o prefeito, é preciso dar segurança aos investidores, pois a construção civil é o setor que oferece a resposta mais rápida na geração de empregos no município. Ele cita projetos como o Minha Casa Minha Vida, que perdeu muitos projetos por dificuldades de aprovação e falta de regularização fundiária de alguns terrenos.
Na área da educação, ele reconhece que houve avanços sucessivos. “Este é um ponto positivo do município, que possui um grupo de trabalho junto à Secretaria de Educação muito articulado e um corpo docente qualificado”, diz. No entanto, algumas questões entravam inclusive o aporte de investimentos do governo federal, como duas obras de escolas de educação infantil paradas, quando há um déficit de vagas.
Na área da segurança, Pegoraro diz que o município vem sofrendo com o aumento da criminalidade de todos os tipos. No entanto, o que mais avançou foi o abigeato. “Queremos criar ações articuladas e tornar a Prefeitura um agente pró-ativo”, diz. Entre essas ações ele cita a melhoria da iluminação pública, além de fazer com que a comunidade utilize mais espaços como praças, ginásios e escolas.
No caso específico do abigeato, ele sugere a criação de uma rede de informações sigilosas ligadas à Brigada Militar e Polícia Civil para que possam agir na hora certa. Também acredita em ações integradas entre agentes de fiscalizações das Secretarias de Saúde entre municípios com a mobilização via Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul). “O crime acontece em Canguçu, mas a comercialização ocorre em outro município da região”, diz.
Ainda na área da segurança, Pegoraro cita a necessidade de estabelecer equipes para monitorar as câmeras de vigilância, que são usadas, mas não evitam que o delito seja cometido. “Quem sabe viabilizar junto ao governo do Estado a utilização de oficiais da reserva”.
Outra possibilidade seria a criação de uma Guarda Municipal, mas isso poderia gerar um comprometimento maior com pessoal. “São caminhos que a gestão tem que escolher”, diz.
Pegoraro pretende enxugar os gastos com Cargos de Confiança (CCs) e estipular um limite para os gastos. “Inicialmente, vamos trabalhar com uma estrutura bem restrita e não vamos gastar mais do que já está sendo gasto, a fim de organizar a estrutura com um teto”, diz. “Este ano vai vir com dificuldades econômicas que vamos ter que vencer”, complementa.
No que diz respeito à atração de novos investimentos, Pegoraro diz que a primeira providência será regularizar a situação do Distrito Industrial, que não possui licenciamento ambiental. “A intenção é trazer setores que lidem diretamente com nossa matriz produtiva, porque além de gerar empregos na cidade irão gerar renda para quem está no campo”.
O administrador pretende ainda aproximar o setor público do produtivo, através da criação de uma política agrícola municipal. “Está na hora da Prefeitura dar sua parcela de contribuição, valorizar o agricultor e os exemplos positivos”.
Segundo ele, o desenvolvimento que se tem hoje em cadeias como o pêssego, o fumo, o leite, agroecologia, morango, oliva e outros, foram buscados pelo próprio produtor. Também reforça o apoio a outras áreas como o turismo, eventos e esportes, que possuem iniciativas bem sucedidas, mas que não têm o alcance desejado por falta de incentivo.
Confira algumas das prioridades do prefeito:
Saúde: Reabertura da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Caridade de Canguçu;
Educação: Conclusão das obras das escolas de educação infantil dos bairros Isabel e Vila Nova;
Segurança: Trabalhar em ações conjuntas, entre governo estadual e municipal, para o combate ao abigeato;
Infraestrutura: Recuperação e manutenção das estradas rurais do município e dar mais agilidade à aprovação de projetos de construção civil.
Redator: Tradição Regional
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