Quarta, 08 de julho de 2026, 22:00h
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Alvará de funcionamento vencido desde agosto do ano passado e ausência de saídas de emergência. Estes são alguns erros apontados para justificar os 239 mortos (número atualizado até o fechamento desta edição) na boate Kiss, em Santa Maria. A tragédia levantou uma série de questionamentos em relação às casas noturnas de Canguçu, deixando dúvidas sobre a prevenção para um caso semelhante.
O Esporte Clube Cruzeiro, responsável por festas tradicionais, como as boates de Natal e Ano Novo, tem procurado preencher todos os requisitos exigidos pela lei para uma festa segura. De acordo com o presidente do clube, Gilnei Belletti, as adequações estão sendo feitas há mais de dois anos. “Desde que se iniciou o assunto de uma possível vinda do Corpo de Bombeiros para a cidade, o Cruzeiro se preocupou, pois sabemos que a fiscalização passaria a ser bem mais rigorosa”, explicou.
Para o projeto, um engenheiro contratado fez uma planta do local, que tem 300 m² e capacidade para cerca de 600 pessoas. Ao todo, já foram investidos R$ 7 mil em oito extintores de incêndio, número maior que o exigido, quatro exaustores, dez ventiladores, uma saída de emergência com dois metros de largura e um sistema de câmeras.
Os extintores são devidamente sinalizados sobre a composição química (água ou espuma, por exemplo), acima das portas são destacadas as placas de saída, que ganham um letreiro luminoso para a noite. Os sete funcionários do clube também possuem treinamento para a prevenção e controle de incêndios.
Para receber o alvará, no entanto, ainda faltam alguns ajustes. “Nós só estamos esperando a visita do Corpo de Bombeiros para avaliar a situação, ver o que ainda precisa ser corrigido. Mas, segundo um dos técnicos, nós estamos 90% aptos a receber o público com total segurança, e creio que em caso de necessidade, evacuamos tranquilamente o local em pouco mais de um minuto”, avaliou Belletti.
As adequações que ainda precisam ser feitas para o Cruzeiro estar 100% pronto são pequenos detalhes: uma das portas de entrada precisa ter sua dobradiça trocada para que abra para o lado de fora, e a saída de emergência precisa de uma fechadura específica para estes casos. Na escada da cozinha, o corrimão deve ser trocado.
O que diz a lei municipal
De acordo com a lei municipal 796, do ano de 1982, as saídas das festas devem ser amplas e estarem desbloqueadas de grades ou qualquer outro objeto que possa atrapalhar a circulação das pessoas. Estas portas devem conter acima uma placa legível e iluminada identificando a saída e a distância. Também é obrigatória a existência de extintores de fogo em lugares visíveis e de fácil acesso.
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