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31-10-2014

PEL: Acusados do assassinato do caso Treichel são condenados 


Foto: Ana Paula Roxo Juri popular iniciou por volta das 9h30

Um dos crimes de maior repercussão da história recente de Pelotas foi julgado na terça-feira (28) - o caso do sequestro e assassinato da empresária Gleci Miele Treichel. O julgamento durou cerca de 14 horas. A sessão foi presidida pelo juiz Paulo Ivan Medeiros. A acusação ficou a cargo do promotor José Olavo Passos. Na defesa do réu Milton Quevedo Funari, esteve o advogado José Gabriel Campelo. Os irmãos Leonardo e Ilson Castro de Oliveira foram defendidos pelo advogado José Karini. 


 



O júri popular que iniciou por volta das 09h30 condenou os três réus por homicídio doloso qualificado. Os irmão Oliveira, mesmo negando a participação no crime, foram condenados à 16 anos de prisão. Milton Funari, 54 anos foi condenado inicialmente à 19 anos de reclusão, porém por delação premiada, ficou estipulada uma pena de 12 anos e 8 meses em regime fechado.


 


A delação premiada é um beneficio legal concedido ao criminoso, que aceite colaborar na investigação ou aceite entregar seus companheiros. A delação premiada pode beneficiar o acusado com diminuição da pena de 1/3 a 2/3; cumprimento da pena em regime semiaberto; extinção da pena ou perdão judicial.


 


O promotor José Olavo Bueno dos Passos chegou a requerer a prisão preventiva dos outros dois réus. No entanto, o juiz Paulo Ivan Medeiros entendeu que os irmãos Oliveira, assim como Funari, já estavam respondendo em liberdade e por isso permitiu que eles permanecessem nesta condição enquanto a defesa apela junto ao Tribunal de Justiça (TJ-RS).


 


Já o suposto mandante da execução, o empresário e ex-marido da vítima, Walnir Treichel, ingressou em 2005 com um processo pedindo a anulação da pronúncia do caso. A ação ainda não foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por isso ele ainda não foi julgado.


 


De acordo com o promotor Olavo, o processo do empresário precisa da apreciação de 11 ministros do STF e já teve o parecer de sete que se mostraram contra a anulação da pronúncia deste caso. 


 


INTERROGATÓRIO 


 


Lágrimas, histórias discordantes, choro, curiosidade. Estes foram alguns dos ingredientes do julgamento do assassinato da empresária Gleci Mielke Treichel, iniciado na terça-feira (28).


 


O primeiro interrogado, Milton Funari, chorando confessou seu envolvimento no crime. Disse que por diversas vezes tentou avisar a vítima dos planos do ex-marido, mas todos sem êxito. Enquanto acusava o empresário, Milton confessou ter recebido R$ 60 mil para planejar e executar a vítima. E recebeu R$ 60 mil reais para contratar os assassinos Ilson e Leonardo. No depoimento, Milton também destaca que Walmir desejava executar o seu filho. Porém, o mesmo não teve coragem de fazer.


 


Ilson de Oliveira negou a participação no fato, alegando que não conhecia Milton. Disse que, apenas levou o Funari até o local onde estava o irmão, Leonardo. Depois disso, desceu do carro e não soube de mais nada do crime. Alegou também que em Maio foi para Porto Alegre trabalhar em uma construção civil e não soube mais notícias do incidente. Apenas voltava quinzenalmente para casa, pois sua mãe era doente e precisava de cuidados. 


 


Já o irmão Leonardo fala que no dia do crime estava trabalhando quando Milton apareceu no seu serviço e pediu para retirar um carro roubado junto com ele. Disse que tentou negar, mas como trabalhava há anos com Funari não teve como dizer não. Abandonou o serviço e foi junto com o Milton e mais três companheiros que estavam no carro, um deles era Ilson, irmão. 


 


ACUSAÇÃO


 


Para o promotor a versão dos irmãos é falsa e cheia de furos, incapaz de resistir às evidências como o reconhecimento feito pelo pai da vítima. Ilson fala que foi no carro junto, mas que não ouviu nenhuma conversa entre Milton e o irmão, nem entre os outros supostos participantes. Leonardo alega que não sabia do crime, mas abandonou o emprego depois do dia 23 de abril e foi para Porto Alegre sem receber seus direitos trabalhistas, porém com dinheiro. Compraram um carro e tentaram abrir um negócio. Segundo informações, ele e o irmão gostariam de abrir uma mercearia. O pai da vítima, já falecido, fez o reconhecimento por foto de Leonardo e alegou que o mesmo teria forçado ele e a filha a entrarem no carro. Versão negada por Leonardo no interrogatório. 


 


Em Porto Alegre os irmãos foram presos em junho. “Eles tentaram fugir do julgamento o máximo que puderam, porque são culpados. Leonardo puxou o gatilho e matou uma mulher que implorou para não ser morta”, argumentou o promotor.


 


Entre os acusados o clima era de tensão e – com exceção do momento dos interrogatórios – os três permaneceram em silêncio, sem esboçar maiores reações, mesmo diante das acusações mais duras feitas pelo promotor.


 


RELEMBRE O CASO  


 


No início da tarde de 23 de abril de 2003, Gleci Treichel, então com 46 anos, foi levar seu pai para uma consulta médica no centro da cidade e acabou sequestrada por dois homens. Horas depois seu corpo foi encontrado na localidade de Passo dos Carros, interior de Capão do Leão. Em 9 de junho daquele ano a polícia decretou a prisão do marido da vítima, apontado como mandante do crime e 40 dias depois, os outros três acusados foram presos. Os irmãos Oliveira foram acusados de sequestrar e executar Gleci, enquanto Funari foi acusado de ter contratado a dupla que - segundo a denúncia do Ministério Público - teriam recebido R$ 60 mil cada um para cometer o crime.  


 


Em junho de 2005, após dois anos presos, os quatro acusados foram libertados - por causa do recurso de Treichel - e passaram a aguardar o julgamento em liberdade.  


 


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