Quarta, 01 de julho de 2026, 01:23h
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O número de latrocínios - roubo seguido de morte - diminuiu 19% entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 105, em 2013, e 85 em 2014. Os dados levantados pela Divisão de Estatística Criminal, da Secretaria da Segurança Pública (SSP), também apontam para a queda 0,4% de furtos no período: 124.409 contra 123.869 em 2014.
Já os homicídios aumentaram 19,6%. Foram 1.419 nos primeiros nove meses de 2013 e 1.697 nesse ano até outubro deste ano. O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, atribui o aumento às disputas por pontos de tráfico de drogas. “As frequentes operações das polícias têm deixado pontos de tráfico vagos, causando as disputas e, lamentavelmente, as mortes”. Michels ainda ressalta que mais de 80% das pessoas asassinadas ou que cometeram homicídios tinham antecedentes criminais.
Em Pelotas foram registrados cinco assaltos seguidos de morte ou seja cinco latrocínios, que só se caracteriza quando a violência é usada para a consumação do roubo, causando a morte da vítima. Tipificado no Código Penal Brasileiro no artigo 157, §3º, in fine.
Relembre o último caso
A Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (DEFREC) efetuou a prisão dos três suspeitos pela morte de Thales Gabriel Brito da Silva, ocorrido no domingo, 26 de outubro no centro da cidade, quando um adolescente de 17 anos foi morto com um tiro nas costas numa tentativa de assalto. J.T.S., 23 anos, foi preso preventivamente em sua residência, após cumprimento de mandado de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pelo Poder Judiciário, após rápida investigação da equipe da DEFREC. Os outros dois suspeitos foram localizados pela Brigada Militar após patrulhamento. E foram encontrados com a arma do crime de latrocínio.
Rio Grande e Pelotas
As duas cidades com maior número de habitantes são as mais violentas. Rio Grande ainda tem a maior taxa de homicídios da região, com 24 casos para cada 100 mil habitantes. Ao todo são 207,306 habitantes, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelotas, possui uma população de 342.053 pessoas. Porém, quando o dado comparado é a proporção de homicídios por número de moradores em 2014, a cidade assume a ponta do ranking da violência.
Ao atingir a marca de 51 assassinatos nestes 292 dias do ano, Rio Grande passou a ter uma proporção de 24 mortes violentas para cada cem mil habitantes, enquanto Pelotas, com 62 homicídios (não estão contabilizados os latrocínios), chegou a 18 para cada cem mil moradores. No Rio Grande do Sul esta proporção é de 10,4 crimes por grupo de cem mil pessoas.
Responsável por investigar 80% dos homicídios registrados em Rio Grande, o delegado Rafael Patella, da 1ª Delegacia de Polícia (DP), aponta o tráfico de drogas e o grande volume de armas em circulação na cidade como as causas da mortandade.
Em 2013 foram 62 crimes em Pelotas. A principal causa dos assassinatos, segundo a polícia, são as disputas entre gangues e o tráfico de drogas. Dos 63 homicídios, a polícia tem 70% dos casos resolvidos, com a prisão dos autores. A maioria das vítimas são homens com idade entre 20 e 30 anos. Os bairros Dunas e Navegantes são dois dos que mais registraram as ocorrências ao longo do ano.
Na próxima terça-feira em Pelotas ainda ocorre mais um júri popular, que decidirá o destino do açougueiro que assassinou a namorada Juliana Meggiato, que estava grávida de seis meses. O acusado L.B.O., de 27 anos, está recolhido no Presídio. Ele nega a autoria do assassinato. O defensor público Varlem dos Santos Obelar é o advogado que atuará na defesa do denunciado. Na acusação atuará o promotor José Olavo Passos. A sessão será presidida pelo juiz Paulo Ivan Medeiros.
Rio Grande do Sul é o 4° estado menos violento do país
A oitava edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, organizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta o Rio Grande do Sul como o 4° estado menos violento do Brasil. O documento, divulgado nesta terça-feira (11), reúne informações de várias fontes, como do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são considerados a principal referência para a análise do movimento da criminalidade e dos registros policiais no país.
O Rio Grande do Sul registrou, em média, 19,5 mortes violentas para cada 100 mil pessoas no último ano. O índice de homicídios no Estado é inferior à nacional. São registradas no país, em média, 26,6 mortes violentas para cada 100 mil pessoas. O número inclui vítimas de homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Os melhores índices são dos estados de São Paulo, que teve 11,7 ocorrências para cada 100 mil habitantes, Santa Catarina (12) e Piauí (17,4).
O estado apontado como o mais violento é Alagoas, com 67,5 assassinados para cada 100 mil habitantes. O Anuário de Segurança Pública também divulgou que os policiais do Rio Grande do Sul são considerados honestos e confiáveis por 62% da população. O índice é o mais alto do Brasil quando se trata de polícia militar, ficando bem acima da média nacional de 33% de confiança. "Não me surpreende e só reafirma que a polícia gaúcha é referência nacional. Este apreço e confiança são absolutamente naturais e correspondem ao caráter da maioria dos servidores e servidoras das instituições policiais", afirmou Michels.
Canguçu
Segundo a Delegada Paula Vieira Garcia, apenas um homicídio consumado aconteceu no ano de 2014 em Canguçu, estando o respectivo IP em andamento na Delegacia de Polícia, onde há um indiciado. Por ter sido um crime complexo, foram solicitadas diversas perícias, onde alguns laudos ainda encontram-se em elaboração pelo Inquerito Geral de Polícia.
Violência contra à mulher
A violência contra a mulher no Rio Grande do Sul é uma realidade dolorosa. Porém os dados da Delegacia da Mulher (DM) comprovam que o medo de denunciar perde espaço a cada dia. De janeiro a julho 2.151 ocorrências foram registradas, 17 agressores foram presos em flagrante e outros 16 tiveram suas prisões pedidas pela delegada Lisiane Matarredona. “A grande prova de que o trabalho está dando resultado é que não registramos nenhuma morte entre as mulheres que procuraram a delegacia para denunciar a violência”, diz a delegada.
Uma mulher, que não quis ser identificada, foi casada por 13 anos e denunciou o marido recém no ano passado. Segundo ela, o convívio com o marido era violento. Depois de dois anos juntos, o homem se tornou agressivo. "São 13 anos apanhando não são 13 dias. Não de tapa. Não vão atrás que é de tapa, porque não é tapa. Levava soco, na cabeça, do lado esquerdo, tive derrame. Ele me cortou, deu cinco pontos na minha cabeça", revela a mulher sobre as agressões.
Para a psicóloga Dulce Zacharias, a postura violenta pode ter explicação no passado do homem. "O agressor, na grande maioria, já passou pelo papel de agredido também. Em geral, ele teve uma educação muito reprimida e com muita violência", explicou.
Casos que chocaram
- Rosane Medeiros Ribeiro teve 70% do corpo queimado, após o ex-companheiro jogar combustível e atear fogo. Ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro de Pelotas (PSP) mas não resistiu.
- Gleice Brum Conceição foi morta a golpes de enxada pelo seu companheiro no interior de Canguçu.
- Oneida Couto Cruz morreu depois de ser espancada pelo seu companheiro com três pancadas fortes na cabeça.
- Homem atira em ex-mulher grávida, Jaqueline Matias Amorim e se mata em Rio Grande.
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